O Farofeiro Chic em Floripa

Era o final de dezembro. Eu estava com a família em Garopaba, Santa Catarina, descansando dos últimos trechos da Expedição Pé-na-areia – duas semanas em que eu tinha despencado em corrida desabalada pelo Sul da Bahia, antes que o tempo, e o dinheiro, acabassem.

Para quem estava há três meses e meio pulando de praia em praia, porém, quatro dias parado já era tempo demais. Foi quando resolvi ressuscitar um velho personagem dos tempos da Vip, o Farofeiro Chic, e fazer um bate-e-volta até Floripa.

 

 

A Ponte Hercílio Luz não funciona – a não ser como clichê para abrir um post sobre Floripa (foto de 2003)

 

Consultei a meteorologia, imaginei um roteirinho relativamente tranqüilo mas bastante diversificado, pus o despertador pras 6h30 e...

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 19h28
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Garopaba, 7h15

O dia amanheceu fresquinho e parcialmente nublado. O carro já tinha sido abastecido e calibrado na véspera – o Farofeiro Chic não desperdiça tempo com coisas que podem ser arranjadas previamente. A parada no posto foi só para tomar um cafezinho expresso e rumbora.

 

Em Garopaba ficam as famílias; a moçada vai pra Ferrugem ou pro Rosa (foto tirada na  véspera do passeio)

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 19h27
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Hotel Majestic, de 8h40 a 9h25

94 km.

Começar o dia com um café da manhã no melhor hotel da cidade sempre faz o Farofeiro Chic se sentir menos farofeiro e mais chic. Inaugurado no verão de 2004, o Majestic (com o perdão da rima) é um hotel feioso por fora, mas que tenta (com algum êxito) ser design por dentro. O café da manhã, a 30 pilas, é excelente – destaque para a pâtisserie. Havia um balde com espumante aberto, mas era cedo demais para o Farofeiro Chic pisotear o fruto caído da jaqueira.

 

No caminho de Garopaba até a Beira-Mar Norte o tempo pareceu ter virado, o que tiraria 80% da graça da farofa. Levemente deprimido, o Farofeiro Chic acabou esquecendo de fotografar o buffet na saída – fotografar buffets de café da manhã é uma coisa que só deve fazer ao sair, jamais ao chegar :-)))

 

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h27
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Santo Antônio de Lisboa, 9h45

16 km.

Para fazer uma farofa que pudesse ser reproduzida sem correrias pelos seus leitores, o Farofeiro Chic resolveu se limitar à metade norte da ilha – fazendo um passeio no sentido horário, começando pela costa oeste, indo ao extremo norte e voltando pelo leste.

 

 

A primeira parada foi no vilarejo açoriano de Santo Antônio de Lisboa, que não tem um casario antigo tão significativo quanto o do Ribeirão da Ilha, mas é bem mais perto do Centro. Infelizmente ainda era muito cedo, e a segunda maior atração da vila – a galeria Casa Açoriana, Artes e Tramóias Ilhoas – estava fechada. O Farofeiro Chic teve que se contentar em dar sua entradinha habitual na igreja de Nossa Senhora das Necessidades, concluída em 1756, e seguir viagem.

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h27
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Sambaqui, 10h15

4 km.

A costa de Sambaqui é a continuação natural de Santo Antônio de Lisboa. Ao longo dos 4 km da orla espalham-se bares que servem ostras fresquíssimas, cultivadas por ali mesmo. Logo no início do percurso, entretanto, o Farofeiro Chic desconfiou que começar o tour por ali podia fazer todo o sentido do mundo no mapa, mas não na prática. A placa “Bem-vindo à Rota do Sol Poente” dava a entender que 10 da manhã não era exatamente o horário preferido pelos freqüentadores não-farofeiros do lugar. Não deu outra: todos os bares fechados. Só o último deles – o Beira d’Água, não por acaso o destino do Far. Ch. em incursões anteriores, vespertinas – já estava com as mesas postas. Mas ostra, que é bom, só ia chegar dali a meia hora.

 

O bar Beira d'Água, o que abre mais cedo; e o tempo começando a virar lá pro norte da ilha 

 

Ei, o que é aquilo lá longe? Será que tá abrindo o tempo? Uêba! Vai dar praia!

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h26
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Jurerê Internacional, de 10h35 a 11h25

14 km.

Não, Jurerê não é a mais bonita das praias da ilha – é só a mais civilizada. Dois terços da praia são tomados por um loteamento chamado Jurerê Internacional, onde convivem casas de alto padrão, dois hotéis e uns predinhos de três andares que delimitam um shopping a céu aberto. (Só agora vão construir prediões de altíssimo luxo; tomara que não sejam altos demais.) O acesso à praia é livre e muito bem-organizado – existem três ou quatro alamedas perpendiculares à praia, com vagas para estacionar (para quem chega cedo, claro). Ao fim das alamedas encontram-se restaurantes que fazem as vezes de quiosques de praia.

 

 

Há três verões instalou-se por ali (na última alameda do canto esquerdo do loteamento) o Taikô, um restaurante-bar de praia de decoração balinesa e menu vagamente asiático. Me arrisco a dizer que foi o primeiro lounge de uma praia urbana no Brasil. O Farofeiro Chic fez as contas, viu que já estava de pé há 4 horas, 128 km e 4 paradas, e que não pegaria assim tão mal junto aos leitores se ele encomendasse a primeira caipiroska do dia – frutas vermelhas, sem açúcar.

 

 

(Só alguns dias depois é que o Farofeiro Chic soube que naquela última semana de dezembro tinha aberto um outro lounge de praia bacana em Jurerê: o Pimenta Limão, dos mesmos donos do Bistrô d’Acampora, com um solário no terraço. O lugar não tem site, mas você pode ver fotos na transcrição dessa matéria da TV Barriga Verde.)

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h26
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Lagoinha, de 11h50 a 12h25

14 km.

De acesso chatinho – fica na continuação da estradinha de Ponta das Canas, num beco sem saída que acaba na praia seguinte, a Brava –, a Lagoinha é a menos urbanizada (e a mais bonita) das praias do norte da ilha. Em termos demográficos, pertence à Grande Canasvieiras – uma área da ilha em que o cucarachol é tão ou até mais falado que o manezinhês. Aqui não existem prédios altos que desfigurem a paisagem, como na vizinha Praia Brava. E diferentemente de Canasvieiras, Ponta das Canas e até mesmo Jurerê, aqui a faixa de areia é larga o bastante para que os andarilhos não atrapalhem quem está tomando sol, e vice-versa. O mar está sempre calminho, o que faz da Lagoinha uma praia perfeita para levar os pimpolhos.

 

 

 

No morro do canto direito funciona a Pousada da Vigia, que faz parte dos Roteiros de Charme (se você vier, cacife os chalés novos; os quartos originais são muito pequenos). No meio da praia, mais para o canto esquerdo (onde os argentinos predominam), fica o Antares Club Hotel Lagoinha, um hotelzinho praiano das antigas, simples mas bastante simpático. O Farofeiro Chic pensou que ia encontrar o Rodrigo Pinto, a Márcia e seu pequeno Pedro, que sempre veraneiam por ali. Não estavam. Mesmo parando para fotografar, a caminhada de uma extremidade a outra da praia, ida e volta, não levou mais do que meia hora. Próxima parada, almoço!

 

 

Sinal dos tempos: se eu disser que essa menina é uma surfistinha, a família me processa 

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h26
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Costa da Lagoa, de 13h a 14h25

29 km.

Fazia tempos que o Farofeiro Chic ouvia falar da Costa da Lagoa, um povoadozinho ao pé de um morro numa margem da Lagoa da Conceição acessível apenas por barco. A viagem do centrinho da Lagoa até lá dura 45 minutos, em barcos que saem em horários espaçados. Mas se você estiver de carro, pode ir até um píer mais próximo, de onde os barquinhos saem a qualquer momento e não levam mais do que 10 minutos para atravessar. O acesso é bem sinalizado, na estradinha do leste da ilha, entre a praia do Moçambique e a Barra da Lagoa (mas do lado oposto ao do oceano, evidentemente).

 

 

 

 

A travessia custa R$ 4 por pessoa, e o barqueiro pode deixar você em qualquer um dos restaurantes postados lado a lado na outra margem, cada um com seu trapichezinho. Sem nenhuma informação quente sobre onde parar, o Farofeiro Chic acabou indo na dica de um companheiro de travessia, e ficou no Paraíso da Néia. A bem da verdade, vamos combinar uma coisa – o Farofeiro Chic estava tão por fora, mas tão por fora, que achava que poderia comer ostras no Canto da Lagoa. “A gente não cultiva ostras por aqui, então prefere não servir”, explicou a garçonete. Mas sugeriu uma porção “de carapeba aqui da nossa lagoa”, fritinho.

 

 

 

 

Mesmo sem os moluscos (desejados desde Sambaqui, três paradas atrás), o passeio obteve o selo de aprovação do Farofeiro Chic. A travessia é linda, os restaurantes são pitorescos (apesar das mesas de plástico), o visual dos barquinhos e dos veleiros é relaxante – e os pierzinhos dão ótimos trampolins para mergulhar, tchimbum!, na lagoa. (Hay que ser chic, pero sin perder la farofa jamás.)

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h26
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Praia Mole e Galheta, de 14h35 a 16h30

7 km.

De bobo o Farofeiro Chic não tem nada. Ele sabe que o melhor sempre deve vir no final. Se tivesse começado o tour do norte da ilha pela Praia Mole, todas as outras escalas ficariam prejudicadas. Imagine a praia urbana de que você mais goste. Agora apague o paredão de prédios. Coloque no lugar morros recobertos de vegetação. Quem precisa de praia deserta, quando dá para pegar uma linda praia selvagem e encher com o pessoal que vai à Mole?

 

 

 

Apesar de ficar a menos de 20 km do centro de Floripa, a Praia Mole é um inferno para se chegar no verão. O Farofeiro Chic teve sorte, porque no dia 28 de dezembro boa parte da paulistada e da gauchada ainda não tinha chegado à ilha, e deu até para descolar uma vaga no estacionamento mais central da praia (a R$ 10, mas deu). Quem quer bochincho fica ali pelo meio da praia; no alto do barranco, o quiosque do meio foi transformado por uma operadora de celular num lounge bem montado, com um bar de sucos, energéticos naturais e vitaminas. Se você caminhar para a direita, vai pegar menos crowd. E se caminhar para a esquerda, vai chegar ao quiosque que, quando chega o verão, é adotado pelo povo GLS.

 

 

 

Do canto esquerdo da praia sai uma trilhazinha que leva à Galheta, uma praia selvagem onde o nudismo é permitido. No início da trilha existem pedras que servem como mirante – só a vista já vale a caminhada até ali. Se você descer, vai encontrar de tudo: muitos curiosos, alguns naturistas de carteirinha, gays aos montes e, quando entra um swell, um bando de surfistas (alguns, por via das dúvidas, tapados do pescoço aos tornozelos com neoprene).

 

A Galheta, vista do início da trilha da Mole

 

 

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h25
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Mirante da Lagoa, 17h

A volta da Mole até que não foi tão caótica – tirando um pequeno engarrafamento na confluência com a estrada que vem da Joaquina, o trânsito fluiu devagarzinho mas sem paradas. (Numa volta de praia no verão você pode levar até duas horas para chegar ao centro de Floripa.) Como estava com tempo – e não havia nenhum conhecido por perto – o Farofeiro Chic aproveitou para dar uma paradinha no Mirante da Lagoa da Conceição e gastar mais um pouquinho de memória do cartão da câmera.

 

 

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h25
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Mercado Público, 17h20 às 18h30

21 km (desde a Praia Mole).

Em Floripa, qualquer farofa chic que se preze tem que acabar no Box 32, um boteco 5 estrelas no Mercado Público. (Antes que você pergunte: sim, houve um incêndio no Mercado no ano passado, mas só uma ala continua interditada.) Você come e bebe do bom e do melhor, rodeado por bancas que vendem peixe, embutidos e erva-mate.

 

 

 

 

Ostras, finalmente! Se bem que... a R$ 15 a meia-dúzia!!! (Contra R$ 4 a dúzia numa peixaria ali pertinho.) Se o Farofeiro Chic não quisesse chegar a Garopaba ainda com dia claro, seria muito bem o caso de tomar um chopinho, apreciar o ambiente e... voltar seis casas até Sambaqui.

 

 

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Escrito por Ricardo Freire às 19h25
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Garopaba, 19h45

93 km.

12 horas e meia, 292 km, quatro praias (uma burguesa, uma para famílias, outra da moçada, outra de nudismo), um vilarejo com casario antigo, dois povoados de pescadores (uma à beira-mar e outra em lagoa), um mirante, um hotel e um boteco depois, o Farofeiro Chic estava de volta à casa de praia da família em Garopaba. E aí, pessoal, vamos jantar onde?

Escrito por Ricardo Freire às 19h25
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Xainatal

Foi o primeiro Ano Novo Chinês comemorado na rua em São Paulo. Uma festa surpreendente desde o início. Antes de mais nada, porque a gente não está acostumado com festas de Réveillon marcadas para o meio-dia em ponto. E depois, porque a festa realmente começou ao meio-dia em ponto.

 

 

O pessoalzinho que estava escaldado por atrasos na concentração de escolas de samba, trios elétricos e Galos da Madrugada em geral, e que por isso resolveu chegar com aquela meia horinha de atraso regulamentar, acabou perdendo toda a parte do desfile.

 

 

 

Quer dizer: só quem assistiu bem assistido à passagem dos dois dragões chineses foram os fotógrafos dos jornais e das televisões, que estavam empoleirados em palanques e sacadas. O povão e os blogueiros independentes (presente!) estavam ao rés-do-chão, e por isso tinham que ficar na ponta dos pés, erguer as câmeras por cima dos cabeções às sua frente e clicar de qualquer jeito, sem saber o que ia sair.

 

 

 

Depois de cinco minutinhos de dragão, o mestre de cerimônias (brasileiro) anunciou no palco a Dança do Leão. Foi quando eu vi a falta que estava fazendo a Leci Brandão. No Carnaval todo mundo acha ela uma chata, mas basta você se ver no meio de um carnaval do qual você não manja nada de nada, para dar o devido valor a uma Leci Brandão. Alguém precisava informar aos telespectadores o significado que cada uma daquelas coisas tinha para a comunidade.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 16h31
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A Dança do Leão (executada por trupes diferentes) não durou mais do que dez minutos, e pronto. Estava encerrada a parte carnavalesca, e o mestre de cerimônias mandou todo mundo atacar as barraquinhas de comida. Brasileiro gosta de desfile, mas chinês gosta é de comer. Deve ser por isso que o Réveillon foi marcado para a hora do almoço.

Até onde eu pude entender, as barraquinhas que estão na praça da estação Liberdade são mais ou menos as mesmas da feirinha de todos os domingos. As barraquinhas especiais do Ano Novo Chinês foram montadas no Viaduto Galvão Bueno, a uma quarteirão da praça. No caminho, mesmo sem a ajuda da Leci Brandão, reparei num costume do Ano Novo Chinês: o monstro amarelo que estava até há pouco no palco agora fazia várias paradas ao longo da rua para ser alimentado com... pés de alface.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 16h26
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A feirinha, felizmente, tinha coisas mais gostosas do que alface crua.

 

 

 

Experimentei um bom guioza vegetariano (recheado com acelga, repolho e cenoura, muito gostoso), passei reto pelo doce de feijão (ei, isso é feira chinesa ou japonesa?) mas não resisti à barraquinha de dim sum, os bolinhos no vapor que um dia ainda vão ser moda no Brasil.

 

 

 

Por mim eu ficava lá a tarde inteira, fuçando coisas esquisitas para comer – mas daí não teria como publicar o post a tempo de você ler e ficar com vontade de ir. A festa do Ano Novo Chinês continua hoje e amanhã (domingo) até as oito da noite. Feliz Ano do Cachorro pra você também!

 



Escrito por Ricardo Freire às 16h26
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Megashows

Minha crônica no Guia do Estadão de hoje.

 

Se você perguntar se eu fui, eu vou responder que: (a) sim!, eu tenho certeza de que fui ao show da Tina Turner no Pacaembu; (b) s..s..s..sim, eu acho que fui ao show da Madonna no Morumbi; (c) ahn... ainda não cheguei a uma conclusão se fui ou não fui ao show do Michael Jackson no Morumbi.

 

Mas se você me perguntar se eu assisti a qualquer um desses shows, eu vou dizer: não!, claro que não. Ninguém vai a um megashow em estádio de futebol para assistir ao espetáculo. Você vai a um megashow em estádio de futebol para estar no mesmo recinto que um popstar qualquer. É emocionante. Durante uma hora e meia, você permanece no mesmo recinto que a Madonna, os Red Hot Chilli Peppers, o U2 ou os Stones.

 

Poderia melhorar, claro. O esquema é um tanto básico demais. Pense bem: os popstars ficam o tempo todo presos num canto só do estádio. Não é como no futebol, onde os caras se movimentam pelo campo o tempo todo e até trocam de lado no intervalo, para que todos os jogadores tenham a chance de passar pertinho de onde você está.

 

Você pode ficar atrás do gol oposto ao do Rogério Ceni, e mesmo assim vai ter várias chances de ver o Rogério Ceni atuar. Já se você ficar atrás do gol oposto ao do Bono, esqueça.

 

De todo modo, o programa de TV que passa no telão durante os megaespetáculos costuma ser ótimo. Sabe esses shows gravados ao vivo que tem na locadora? É igualzinho. A única diferença é que, em vez de assistir ao DVD no sofá da sua sala, você assiste ao DVD no mesmo recinto que os caras que aparecem ali no telão.

 

Estou ficando velho, e não tenho mais ídolos que se apresentem em estádios de futebol. Eu só fico no mesmo recinto que eles em lugares como o Palace e o Tom Brasil – onde dá até para enxergar quem está no palco.

 

 

Eu no mesmo recinto que o filme “Maria Bethânia: Música é Perfume”, no Estação Ipanema

 

Mas se você passou horas na fila e não conseguiu um ingresso para ficar no mesmo recinto que o U2, não fique triste. Ainda dá para remediar. Quando o U2 vier, não arrede o pé de São Paulo. Durante toda a estada da banda por aqui, você vai estar na mesma cidade que o U2 – e sem pagar um centavo por esse privilégio!

 

Caso queira investir um pouquinho, você pode ir ao hotel onde se hospedar o U2, dirigir-se ao bar e pedir um guaraná diet com gelo e laranja. Você vai poder dizer que esteve no mesmo hotel que o U2!

 

Em último caso, você pode ir ao Morumbi na noite do show e ficar do lado. Você vai ouvir o show inteirinho, de graça – e sem aquele telão para atrapalhar.



Escrito por Ricardo Freire às 15h13
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Próximas atrações

Amanhã, sábado, o blog vai cobrir a festa do Ano Novo Chinês em São Paulo. E no domingo, aleluia!, vai ter a tão esperada saga do Farofeiro Chic em Floripa. Não desligue!



Escrito por Ricardo Freire às 15h12
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Radioblog

Atendendo a pedidos, aí vai a transcrição de mais três boletinzinhos do Viaje na Viagem que vão ar na Paradiso FM, no Rio (95,7).

 

Em Londres, dois restaurantes unem boa gastronomia a uma boa ação. A boa gastronomia é garantida por dois chefs badalados, que criaram os cardápios e continuam a supervisionar as cozinhas. E a boa ação está no fato de que todos os funcionários desses dois restaurantes londrinos foram selecionados porque estavam na pior até pouco tempo atrás. O primeiro a abrir foi o Fifteen, que é do Jamie Oliver – aquele Jamie Oliver do programa da TV a cabo – e que treina e dá emprego a jovens com pouca educação formal ou dificuldades de aprendizado. O outro restaurante é o Hoxter Apprentice, com cardápio criado pela chef Prue Leith e um staff composto por pessoas que ficaram pelo menos seis meses desempregadas. No Fifteen, de Jamie Oliver, você pode pedir o menu-degustação de 60 libras ou comer na trattoria. No Hoxter Apprentice a cozinha é contemporânea e os preços são razoáveis; o prato mais caro custa 17 libras. Anote os telefones: do Fifteen, 0871 330 1515; do Hoxter Apprentice, 020 7749 2828. Até a próxima e boas viagens.

 

 

O Sofitel Suites é o mais elegante de Sauípe

 

Os resorts no Brasil estão tendo que se mexer. A concorrência vem aumentando de maneira significativa. De um lado, tem a febre dos pequenos resorts de luxo; de outro, os mega-resorts de novos grupos estrangeiros que estão chegando; e como se não bastasse, a cada ano mais cruzeiros passam por aqui na alta temporada. Num cenário assim, quem sai ganhando sempre é o consumidor. Veja o caso do Sofitel Suítes da Costa do Sauípe. A partir de março, esse hotel, que já era o mais elegante de Sauípe, passa a operar no sistema all-inclusive. Mas um all-inclusive chique: além das três refeições e de lanches a qualquer hora, o Sofitel Suites vai incluir também sua carta de vinhos e uma série de atividades nos centros náutico, eqüestre e de tênis. A idéia é ser uma alternativa mais classuda ao Breezes, seu vizinho do lado esquerdo, que é o maior sucesso da Costa do Sauípe. Os preços dos pacotes super-inclusive do Sofitel Suites ainda não foram divulgados pelas operadoras, mas devem ser um pouquinho mais caros do que os do Breezes. Até mais e boas viagens!

 

 

O brunch do Four Seasons é servido num casarão chiquérrimo conhecido como La Mansión

 

Dica pra quem vai a Buenos Aires e quer aproveitar a noite de sábado: no domingo, nem se preocupe em acordar a tempo de pegar o café da manhã. Domingo em Buenos Aires é dia de brunch nos melhores hotéis. Alguns são tão concorridos que você precisa fazer reserva com antecedência. Se eu fosse você, eu ia no brunch do Four Seasons, ali no comecinho da Recoleta, perto do shopping Patio Bullrich. O prédio principal do hotel não tem graça nenhuma, mas o brunch é servido num casarão elegantérrimo do século 19, conhecido com La Mansión. A partir do meio-dia é montado um bufê com nada menos do que oito estações, oferecendo saladas, frios, ostras e frutos do mar, comida italiana, mexicana, asiática, argentina e sobremesas. O preço inclui quantas taças você quiser de espumante M. Chandon argentino. E você sai do brunch a tempo de dar uma última passeadinha antes de ir pro aeroporto. Reserve o brunch do Four Seasons pelo telefone (54-11) 4321-1234. Até mais e boas viagens!

Escrito por Ricardo Freire às 14h43
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Fotoblog: parabéns atrasado

A família comemorou os 452 anos de São Paulo indo até a Pinacoteca ver a exposição de Lygia Clark. A exposição não pode ser fotografada, mas o acervo permanente do segundo andar pode.

A arquitetura do prédio é linda, as exposições são invariavelmente ótimas, o museu está sempre nos trinques. Mas o que me deixa mais desbundado por lá é o café, que tem mesas que dão para os Jardins du Luxembourg -- perdão, para o Jardim da Luz.

Dá pra acreditar que a gente está no centro de São Paulo?



Escrito por Ricardo Freire às 23h49
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Nos 95,7 da Paradiso...

Lerê lerê: passei os dois últimos dias envolvido com meus boletins na Paradiso FM do Rio (95,7). Enquanto eu não aprendo a “podcastar”, aí vai a transcrição de três dos boletinzinhos. Imaginem uma voz grave, possante e radiofônica – e vocês vão ter um resultado totalmente fora da realidade, já que quem grava os boletins sou eu mesmo ;-)

 

 

Pegue um shopping center, junte com um cassino, ponha um hotel cinco estrelas em cima, jogue no mar, e pronto: você tem um navio de cruzeiro. A cada ano que passa, os navios de cruzeiro ficam maiores, mais luxuosos, e mais auto-suficientes. Parece que os destinos são um mero detalhe da viagem; o mais importante é o navio. Pois na contramão dessa tendência, no ano passado o milionário cipriota Stelios Hajioannou lançou a EasyCruise, uma companhia de cruzeiros basiquinhos. Stelios é o dono da EasyJet, a companhia aérea que é assim uma Gol européia, laranjinha e tudo. A EasyCruise faz cruzeiros no Mediterrâneo no verão europeu e no Caribe agora nessa época, por preços que começam em 80 dólares por noite por cabine. As cabines são espartanas, as refeições são pagas e o navio não tem cassino. A idéia é deixar o passageiro o máximo tempo possível em terra, aproveitando os restaurantes e a vida noturna de cada lugar. Por isso os passageiros da Easycruise são bem mais jovens do que os de cruzeiros convencionais. Reservas no easycruise.com. Até a próxima e boas viagens.

 

 

O nome dela é Anoushka Hempel. Essa neo-zelandesa, que já foi atriz, é dona de um dos hotéis mais badalados da Europa: o Blake´s de Londres, um lugar louquíssimo, onde cada quarto parece ter uma decoração mais delirante que o outro. Pois sabe onde é que vai abrir o próximo hotel com a assinatura de Mrs. Hempel? Em Itacaré, na Bahia. O projeto é de um grupo português e vai se chamar Warapuru, combinando um hotel de 40 bangalôs com um condomínio de 21 villas. Com estrutura de concreto e totalmente envidraçados, os bangalôs e villas vão estar encravados na montanha, com vista pra praia da Engenhoca, cada um com sua piscina particular. O Warapuru ainda não tem data para inaugurar nem informou suas tarifas, mas eu acredito que vai ser difícil se hospedar lá por menos de 700 dólares. Se você quiser dar uma xeretada, o site é warapuru.com. Daqui a pouco volto. Boas viagens!

 

 

O que não falta na Suíça são viagens panorâmicas de trem. Se quiser, você pode ficar uma semana inteira cruzando a Suíça em trens panorâmicos sem repetir nenhuma rota. Mas – e do ar? Qual é o vôo mais bonito que se pode fazer na Suíça? Na opinião do inglês Julian Cook, o vôo mais cinematográfico que se pode fazer dentro da Suíça é entre Genebra e Lugano, atravessando os Alpes e voando relativamente baixo. Em 2003, quando a Swiss Air Lines anunciou que ia parar de operar nessa rota, Julian Cook reuniu investidores e fundou a FlyBaboo, uma companhia aérea divertida, que se importa até com a qualidade da paisagem que você vê pela janela. Deu certo, e hoje a FlyBaboo só voa pra lugar bacana: além de Lugano, a companhia serve St-Tropez, Ibiza, Veneza, Florença e Praga. Ei, será que esse Julian Cook não quer fundar uma companhia aérea aqui no Brasil? Vou sugerir umas rotas: Rio-Itacaré, Rio-Tiradentes, Rio-Bonito... sem escalas, claro. O é flybaboo.com. Até mais e boas viagens!

Escrito por Ricardo Freire às 10h12
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Água do Tietê: vai encarar?

Acredite se quiser: daqui a duas semanas, no Planeta Cidade da TV Cultura, Cesar Giobbi e eu vamos beber, na frente das câmeras, um copo de água tirada do Rio Tietê.

 

Tudo bem que, para realizar tamanha proeza, a gente precisou rodar 120 km desde da Ponte das Bandeiras até a nascente do rio, em Salesópolis. Mas não deixa de ser impressionante. Vou botar no meu currículo: visitou x países, escreveu x livros e bebeu água do Tietê!

 

Saia pela Ayrton Senna, atravesse Mogi das Cruzes, pegue a estrada para Paraibuna, cruze Salesópolis...

 

... e você chega ao Parque Nascentes do Tietê. Acima, o primeiro olho-d'água do rio

 

A quati Chiquita queria aparecer em todas -- o telespectador vai achar que o parque é infestado de quatis ;-)



Escrito por Ricardo Freire às 13h04
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O disque-blog responde

Alexandra, a rota mais direta do Brasil a Trinidad-Tobago é via Caracas. São seis horas de vôo de São Paulo até a Venezuela (de Varig) e depois uma hora e meia até Port of Spain (ou Puerto España, como está no site da companhia aérea venezuelana) pela Aeropostal. Mas a conexão só é imediata – e apertada, por sinal – às segundas e quartas (o vôo do Varig chega às 17h e o da Aeropostal parte às 19h30). Nos outros dias da semana a rota mais simples é via Miami, pela American Airlines. São 8h de vôo até a Flórida, mais três horas de intervalo no aeroporto, seguidas por 3h30 de vôo a Trinidad.  A partir do segundo semestre você vai ter uma terceira opção de rota, quase tão curta quanto a da Venezuela, via a Cidade do Panamá, pela Copa Airlines (uma subsidiária da americana Continental). Eu sou louco pra ir – principalmente em fevereiro, quando rola um carnaval ao estilo do de Salvador durante o mês inteiro. A comida também deve ser bacana, porque Trinidad é o lugar mais misturado das Américas – tem africanos, indianos e chineses. As praias com padrão Caribe de qualidade, porém, não estão na ilha principal, mas em Tobago. Bem – só fico te devendo os preços dos vôos; jogue na mão de um agente de viagem que ele orça todas as possibilidades.

Gis, conforme a Débora já disse (obrigado, Débora), não dá pra tu te abalar a pé (é gauchês, senhores passageiros) do Rio Vermelho até o Porto da Barra e chegar com a maquiagem intacta ;-) Mas de táxi dá pouco mais de cinco minutos e pouco menos de dez reais. (Me corrijam os baianos se eu tô viajando no preço.)

 

Patrícia, não conheço o Pimentinha, mas dei uma pesquisada rápida e fiquei supercurioso pra ir. Como é que é – o dono benze os freqüentadores com arruda?!? Só na Bahia... A propósito, achei uma página ótima sobre botecos autênticos de Salvador, feita por um pessoal da Faculdade de Comunicação da UFBA.

 

O Cravinho, no Terreiro de Jesus (primeira praça do Pelô):  cachaça curtida com cravo a 1 real

 

Daniela, Marcos e todos os que pedem dicas de Paris: a última vez que tive o prazer de fazer uma baldeação em Châtelet foi no longínquo 2002. Mas vou dar uma geral nas minhas fontes e semana que vem eu faço um post de novidades parisienses.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 11h22
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Salete, o meu site de praias está um pouquinho desatualizado, mas você pode ler meu dossiê sobre Porto de Galinhas clicando aqui.

 

Pontal do Cupe, em Porto de Galinhas

 

Sandra, acho que o fenômeno da uniformização/industrialização do artesanato é universal.  O que tem de lugar exótico vendendo artesanato balinês não tá no mapa ;-)  E a propósito: eu adoro caipiroska de jabuticaba. Mas sem açúcar (nem adoçante). Se você adoçar caipiroskas de frutas de sabor suave (como também é caso da lima-da-pérsia) o seu drink vira vodka-açúcar...

 

Ana Luísa, eu nunca fui a Bariloche (confesso!), mas já li (e acredito) que a cidade fica muito bacana fora da temporada, sem o crowd de turistas. Mas se o que você quer é ver neve, vai ter que ir entre julho e o início de setembro, mesmo.

 

Samantha, cada vez mais eu chego à conclusão de que, no Sudeste e no Sul, o clima não é definido por estações, mas pela ocorrência ou não de frentes frias ;-) Você pode encontrar duas Santas Catarinas na sua lua-de-mel de junho. Se não estiver passando nenhuma frente fria, o dia vai estar agradabilíssimo (pode ser que dê para tomar sol; entrar no mar, entretanto, nem pensar) e à noite você vai sentir frio. Se estiver passsando uma frente fria, então vai ser beeem frio de dia e de noite. O bom da Ponta dos Ganchos é que, na hipótese de chuva ou frio, o lugar se converte automaticamente num hotel de montanha (com vista para o mar). Cacife um bangalô com sauna, e seja feliz.

 

Bangalô Especial da Vila, na Ponta dos Ganchos

 

Pat, as minhas fotos ficam nesse formato de panorâmica porque eu recorto no Photoshop.

 

Cacimba do Padre, Fernando de Noronha

 

(Ruy Neuber, se eu demorar para fazer um post sobre hotéis de selva, me cobre!)



Escrito por Ricardo Freire às 11h21
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Milk-shake de sagu

Senhores passageiros, o comandante veio dar uma rápida passada só para dizer que está bem e não tem mandado notícias devido a um trabalho enorme (e porreta!) que precisa ficar pronto hoje. Ele esclarece que sua ausência não tem absolutamente nada a ver com o pobá (bolotas de sagu negro) servido com chá verde batido com leite que ele tomou outro dia na Liberdade, levado pelo Ilan Kow, o Poderoso Chefinho do Guia do Estadão e do caderno Paladar. 

 

 

Chá verde, leite e pobá. O canudo é grosso para deixar o sagu passar. Nham!

 

O comandante inclusive só não voltou lá (na Bakery Itiriki: Rua dos Estudantes, 24) para tomar outro porque ainda não deu tempo. Slurp!



Escrito por Ricardo Freire às 09h25
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Pereira

Pereira é o boteco chique do Porto da Barra, em Salvador. Quase dá para dizer que “é muuuito bacana, parece São Paulo”. Mas daí você olha para o mar e – não, não parece ;-)

 

 

Acertou: roska de jabuticaba



Escrito por Ricardo Freire às 21h49
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Globapaulistização

Mais uma crônica publicada no guia do Estadão ;-)

 

Você pode sair de São Paulo, mas está cada vez mais difícil São Paulo sair de você. O Brasil inteiro está se paulistanizando. Aonde quer que você vá, a pizza de rúcula e o sushi frito parecem ter chegado antes.

 

É o cúmulo: a última onda no Rio de Janeiro são novos botecos cariocas que imitam esses novos botecos paulistas inspirados em antigos botecos cariocas. E o fenômeno nem é circunscrito ao Rio. Outro dia eu estava num boteco em Fortaleza que é filial de um boteco do Recife que imita os botecos de São Paulo inspirados nos botecos do Rio, quando pensei: gente, nacionalizaram a globalização!

 

Boteco, filial de Fortaleza de um ótimo bar do Recife

 

Você pega a ponte aérea e – quais são os restaurantes da moda? O Gero e o Carlota. Fala com as pessoas, e o tititi é: quando fica pronto o Hotel Fasano de Ipanema? Em sua última temporada no Canecão, Rita Lee fez tanto sucesso que chegou a pensar em se mudar – em dois tempos, se tornaria a mais completa tradução de Ipanema.

 

Você vai ao Recife, a Salvador, a Porto Alegre, só para descobrir que todos os novos restaurantes querem transportar você de volta a São Paulo. Chegue em qualquer grande cidade brasileira, peça uma dica quente a um nativo bem-informado, e muito provavelmente a recomendação virá acompanhada do comentário “É muito bom, parece que você está em São Paulo”!

 

Soho, filial recifense de um japa baiano globapaulistizado ;-)

 

Epa! Como assim? Algo está errado. Que eu me lembre, era em São Paulo que a gente ia a lugares que fingiam estar em outro canto do mundo – villas italianas, lofts nova-iorquinos. Será que vamos começar a reexportar nossas cópias, como aconteceu com os botecos cariocas? Haverá pizzarias paulistanas em Nápoles? Construiremos uma sucursal da Vila Olímpia em Miami?

 

É a glória. Definitivamente São Paulo virou o padrão a ser seguido. Mesmo coisas que vieram de outros lugares parecem ter nascido aqui. Daqui a pouco ninguém mais saberá que o Capim Santo e o Tostex surgiram em Trancoso. “Nossa, aqui no Sul da Bahia tudo é que nem em São Paulo, não é?”

 

Ah, que saudade do tempo em que São Paulo não estava na moda. Você viajava, e era tudo novidade. Não tinha Marcel em Fortaleza. Não tinha filial do Manacá de Camburi em Salvador. Não tinha hot philadelphia no japonês. Aliás, não tinha nem japonês.

 

Alô, Ponto Chic! Quando é que vocês vão globalizar o bauru?



Escrito por Ricardo Freire às 07h25
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Discípulo

Quer viajar pela cidade de São Paulo? Então embarque no blog do Elton Melo, o metro.zip.net. (Tá muito bacana, Elton.)

 

Av. Paulista

 

Memorial da América Latina

 

Osasco! (Fotos: Elton Melo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h49
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Mais consultoria

Respondendo a perguntas deixadas na caixa de comentários:

PG, se você vai de Santiago até os lagos andinos chilenos, vale a pena atravessar para o lado argentino até Bariloche. Você não vai poder usar suas milhas TAM para voar de Bariloche a Buenos Aires, mas a passagem não é cara (cotei na agência virtual Rumbo a 330 pesos – ou 110 dólares). Montevidéu é lindinha, mas depois de Buenos Aires eu não recomendo, não; é como ir a Budapeste imediatamente depois de Praga – a comparação pode ser cruel. De todo modo, vocês podem fazer um intervalo na temporada portenha e atravessar o Prata de ferry-boat para passar dois dias em Colonia del Sacramento, que é tipo assim a Paraty do Uruguai.

 

Buenos Aires: desaconselhável como aperitivo para Montevidéu

 

Demetrius, eu gosto muito dessas viagens nitidamente divididas entre descanso e ação. (Eu prefiro me cansar antes e descansar depois, mas o inverso, como você quer fazer, também tem lógica – primeiro você descansa da vida real, e então, com energias renovadas, parte para uma viagem mais ativa.)

De todas essas combinações que você me apresentou, a que me apetece mais é Cayo Coco + Havana (eu sugeriria Cayo Largo no lugar de Cayo Coco, mas só porque eu já estive em Cayo Largo e posso pôr minha mão na água salgada transparente pela beleza do lugar). O problema é que fim de junho o sinal já está amarelo para furacões em Cuba – veja bem, não é garantido, mas existe a possibilidade da sua lua de mel ser estragada por um huracán.

 

Em Havana, os cocotáxis não oferecem lá muita proteção contra furacões

 

A dupla Los Roques + Cartagena é bacana, mas acho (sem nunca ter ido! olha a pretensão) que depois de dois dias Cartagena fica reduzida a uma praia menos bacana do que as que vocês viram no arquipelagozinho venezuelano.

 

Baja California + Cidade do México é chique – mas, posso dar um pitaco? É assim: eu nunca fui à Baja, mas não sairia do Brasil para ir a nenhuma praia das Américas que não tivesse um mar turquesa-transparente à la Caribe. Por isso, no México, eu iria à Riviera Maia – evitando Cancún, por supuesto. Descansaria em Playa del Carmen (com um eventual passeio de um dia a Cozumel, que fica em frente) e depois sairia em busca das ruínas maias e das cidades coloniais espanholas dali mesmo do Yucatán – as pirâmides de Tulum e Chitchén-Itzá e a cidadezinha de Mérida.

 

Tunísia + Barcelona é uma combinação exótica e charmosa – mas eu não iria à Tunísia para veranear, não (muito quente!). Por que não Costa Brava (Tossa del Mar, Cadaquez...) ou Provence, que ficam pertinho?



Escrito por Ricardo Freire às 22h31
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Fotoblog: cedinho na Guarda

Na volta de Garopaba para São Paulo, acordamos cedão e demos uma entradinha na Guarda do Embaú para – acredite – tomar café da manhã. Aproveitei para fotografar o início do expediente na praia: barraqueiros armando suas barracas, os primeiros banhistas chegando, os surfistas... voltando (as ondas não estavam grande coisa).

 

Para chegar à praia do surf (tem outra, calminha, na boca do rio) é preciso atravessar o Rio da Madre

 

 

 

 

 

 

 

Um barqueiro sósia do Zulu...



Escrito por Ricardo Freire às 07h56
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Agora quem pergunta sou eu

Alô passageiros da Bahia: acabaram de me encomendar um dossiê sobre o carnaval em Salvador. Preciso muito de uma informação: já apareceram as músicas candidatas a grandes hits do Carnaval 2006?

Me contem, por favor!



Escrito por Ricardo Freire às 12h32
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Último capítulo da novela Taste: o erro foi da assessoria de imprensa

A jornalista que assina a matéria na Taste me mandou o e-mail da assessoria de imprensa da Fazenda da Lagoa com todas as fotos.

 

Para encerrar o assunto, mandei este e-mail à assessora de imprensa:

 

Prezada,

Estou procurando até agora aqui no meu desktop algum vestígio de
comunicação que você tenha mantido comigo pedindo para usar minhas
fotos na divulgação do seu cliente.

Não encontrei.

O fato de eu ter gostado muito da pousada não significa que eu ceda
fotos sem permissão nem crédito.

Eu estabeleci minha credibilidade justamente por trabalhar dissociado
da incontinência "releasária" das assessorias de imprensa. Não posso
deixar que meu trabalho vá parar na vala comum da "divulgação" --
principalmente pelo fato de eu ter gostado e elogiado muito a pousada.

Veja o transtorno que você causou para tantas pessoas.

E o pior é que eu perdi uma manhã inteira com essa novela, tendo
milhões de coisas mais importantes para fazer.

Da próxima vez seja mais profissional, por favor.

Ricardo Freire



Escrito por Ricardo Freire às 12h23
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Programão

O Blog do Noblat está transmitindo ao vivo a procissão que vai dar na lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Ai, que vontade...

Update: o blog do Noblat está inclusive postando fotos da festa



Escrito por Ricardo Freire às 11h25
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A resposta do Taste

Prezado Ricardo,

Tive conhecimento do seu e-mail e lamento muito que a jornalista para quem encomendamos a matéria tenha cometido a imprudência de nos enviar suas fotos  e sem autorização. Tenha certeza que o transtorno é de igual proporção para nós. O Taste é um portal sério, de credibilidade, com mais de 6 anos de vida e que respeita os direitos autorais de todo e qualquer profissional.  

Por mais lamentável que seja o fato, internamente desconhecíamos que qualquer direito estivesse sendo violado. Nossos colaboradores são orientados a somente trabalhar com fotos de divulgação e/ou de autorização de seus autores. Como providência imediata, retiramos a matéria do ar até a substituição das fotos e vamos tomar as devidas providências com relação ao ato irresponsável de nossa colaboradora.

Infelizmente estamos nos "conhecendo" de maneira tão desagradável, mas aproveito para lhe dizer que há tempos admiro muito o seu trabalho e gostaria muito de conversar pessoalmente com vc. sobre a possibilidade de contarmos com a sua colaboração para a nossa editoria de turismo de charme. Acredito que esse triste episódio pode ser um daqueles em que há males que vem para bem.

Obrigado pela compreensão e por favor aceite nosso formal pedido de desculpas.

Atenciosamente,

> Gabriel Pupo Nogueira
www.taste.com.br
Diretor

Então tá. Desculpas aceitas. Vou virar a página. Não se bloga mais disso...



Escrito por Ricardo Freire às 10h34
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Boletim de ocorrência

Senhores passageiros: acabo de ser roubado.

 

O site Taste, que tem endereço, redação, equipe, patrocinadores, banner e mailing list acaba de usar cinco fotos minhas, baixadas aqui do blog, na cara-dura, sem nenhum crédito, e sem ter nem sequer tentado pedir autorização.

 

Para fazer essas fotos, eu mandei meu carro de jamanta para o Maranhão e passei quatro meses na estrada...

 

São fotos da pousada Fazenda da Lagoa, em Una, na Bahia. Que, como 99,99% das fotos que são vistas aqui (as exceções são sempre informadas) foram feitas por mim, sem equipe (quem sabe um dia eu tenha), sem patrocínio (quero muito um dia ter) e sem jabá (prometo não ter jamais).

 

...pagando tudo do meu bolso. E daí vem um site de viagem que não viaja e... isso é assalto!

 

O mais incrível é que, quando eu fui dar um copy-paste no endereço da página onde estão as fotos, o site travou, e apareceu a advertência: copyright 2005 by Taste: todos os direitos reservados (!!!). Tive que copiar o endereço a mão, mesmo.

 

(Update: as fotos já foram substituídas por fotos de divulgação.)

 

Eu até entendo que tantos sites e revistas vivam de publicar release. Mas só não venham sacanear quem ainda se dá ao trabalho de produzir conteúdo original, caramba!

 

Pronto, desabafei.



Escrito por Ricardo Freire às 08h06
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Culto à personalidade

O pessoal que não tem nada pra fazer e abriu uma comunidade Ricardo Freire no Orkut me pede para deixar de ser coolzão e divulgar o endereço aqui.

 

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3722523

 

Então, tá.

 

(Aproveito para corrigir uma informação que colocaram lá -- não, eu não sou o autor da campanha do Bom Bril; eu criei alguns comerciais, mas o Garoto Bom Bril é do Washington Olivetto e do Francesc Petit.)



Escrito por Ricardo Freire às 23h19
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Consultoria online

Mais duas respostas para perguntas deixadas nas caixas de comentário.

 

Thereza, não vale a pena alugar carro pra ir à Pousada do Toque – ou para nenhuma das ótimas pousadas da Rota Ecológica alagoana. O bacana dessa região é descansar, caminhar na praia e aproveitar as mordomias das pousadas. Lá pelo meio da estada de repente vale fretar um táxi para explorar a região – mas carro todo dia é um desperdício.

 

Update: ou como comentou o Luís na caixa de comentários da Cidade do Cabo:

[Luis][lsj@netc.pt]
Apesar de estar cá bem longe, em Portugal, tive o privilégio de conhecer a Pousada do Toque ainda no passado mês de Dezembro e... "Thereza" carro??? vc.s não vão querer sair de lá, tal a excelência dos serviços e oferta que vos é posto à disposição... Um abraço do tamanho do mundo para Nilo, o proprietário e JR o "cheff"... p.s. - uma fugida à praia do Morro é de não perder, mas não necessita carro para tal...

 

 

Praia do Marceneiro, em São Miguel dos Milagres

 

Ricardo, xará, olha só: o inverno no Ceará pode começar, sei lá, depois de amanhã, durar dez dias e acabar. Ou pode nem dar as caras esse ano. Mas, já que você me pergunta, eu sou obrigado a dizer que normalmente a estação das chuvas no Ceará vai de março a maio. Se eu fosse você, deixava pra ir entre julho e dezembro, quando TODOS os dias são lindos e não existe a MÍNIMA chance de São Pedro melar suas férias. Também não iria a Jeri só pra passar um dia, não. A viagem é muito sacrificada (5 horas de ônibus, mais 1 hora de jardineira) pra voltar correndo. Fique pelo menos três dias; o mínimo ideal seriam quatro. Para uma viagem mais rapidinha, prefira Canoa Quebrada, que fica a duas horas e pouco de Fortaleza e cabe perfeitamente numa viagem com apenas um pernoite (tem gente que vai e volta no mesmo dia, mas eu acho muito cansativo, e você acaba não curtindo a noite de Canoa, que é bacana.)

 

 

Jeri: entre julho e dezembro é mais sequinho

 

Update: algumas perguntas novas estão respondidas aqui mesmo nesta caixa de comentários.



Escrito por Ricardo Freire às 23h45
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Bas-fond

(De três em três semanas eu escrevo a croniqueta da última página do Guia do Estadão. Essa aqui saiu um mês atrás.)

 

A última onda é a baixa gastronomia praticada em lugares da moda – pratos de botequins populares revisitados por botequins freqüentados pela moçada. Não, obrigado. Baixa gastronomia em boteco de mauricinho é meio-termo demais para o meu gosto.

 

Prefiro os extremos. Pedir comida nojenta em restaurante de luxo, por exemplo. Desculpe falar isso bem no meio do seu café da manhã, mas a verdade é que eu não consigo resistir a dobradinha em restaurante francês. Se está no cardápio, eu peço. E imediatamente esqueço que esse é um prato que nasceu em Caen, no noroeste da França – para mim, a dobradinha nasceu num desses botecos do Centro onde é servida todas as terças.

 

Dobradinha em seu habitat natural: Mercado do Peixe, Rio Vermelho, Salvador, 11 da noite...

 

Já num botequim eu dificilmente peço o prato do dia. Por um motivo: não chego a ler o cardápio afixado na parede. Meus olhos simplesmente não conseguem desgrudar daquilo que está exposto no balcão. Um virado à paulista é algo totalmente abstrato, quando você tem na sua frente coxas de galinha de carne e osso. Basta comer uma para ter certeza absoluta de que coxa de galinha e peito de frango vêm de integrantes inteiramente distintos do reino animal.

 

Mas não se preocupe. Você não vai me ver comendo ovos cozidos coloridos em nenhum momento deste artigo. É que eu não sou fã de ovo cozido. Mas se fosse, é lógico que experimentaria um desses – de preferência, cor-de-rosa – que costumam ficar entre os torresmos, as lingüiças e os nuggets de pacote.

 

O meu fraco por coxas de carne e osso, contudo, não chega perto da minha tara por doce velho de padaria. Fala sério – tem coisa melhor que doce vencido de padoca? Aquele mil-folhas dormido de três noites, que já deu ao creme toda a chance do mundo de penetrar na massa, tornando o conjunto absolutamente inseparável? Ou aquele pudim que se solidificou um pouquinho só, para ficar com aquela consistência própria para a gente pegar um guardanapo e segurar com a mão? Ah, como eu gosto.

 

Infelizmente, eu não fumo. Porque, se fumasse, teria a chance de entrar com mais freqüência nos verdadeiros antros da baixíssima gastronomia. E poderia comer mais vezes aquele que é o bolo mais gostoso do planeta: o bolo de balcão. Aquele que você não tem a mínima idéia de onde, quando e de que jeito veio, mas que está ali, só esperando você levantar a tampa de plástico transparente e escolher o seu pedaço. Moço! Eu queria também um café. Mas só se for no copo. Já vem com açúcar, né?



Escrito por Ricardo Freire às 20h30
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Desviando do assunto: Cidade do Cabo e Canadá

Duas respostas rapidinhas a perguntas deixadas na caixa de comentários.

 

Eduardo Luz, bem-vindo a bordo! (O cara me lê desde a encarnação passada, no iniciozinho da Xongas no JT...) Edu, no quesito gastronomia eu atirei para todo lado na Cidade do Cabo. E... quer saber? Nos restaurantes metidos eu não comi nenhuma vez melhor do que em São Paulo. Gostei das trouxinhas de queijo de cabra e passas com geléia doce de pimenta e da galinha d’angola no molho thai com torre de coco e batata do one.waterfront, o prestigiado restaurante do hotel Cape Grace, mas achei o ambiente careta e sem-graça. (Clique nos links em azul que você cai nas resenhas da revista sul-africana Eat Out, com endereço, telefone e horários.)

 

O Blues e sua vista para Camps Bay

 

No Blues, que funciona no segundo andar de um shoppingzinho de frente para a praia de Camps Bay, gostei das saladas (lula com manga) mas curti mais o ambiente (moderno, branco e azul) e a vista (melhor de dia). No Tank, que tanto a Eat Out quanto os donos da minha pousada me venderam como o lugar do momento (janeiro de 2005), comi um dos sushis mais desinteressantes da minha existência.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 22h24
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Casarão típico da região dos vinhedos (aqui, perto de Stellenbosch)

 

Na noite que passei na região dos vinhedos, em Franschhoek, fui a um francês simpático recomendado pela dona da minha pousada, o Bon Vivant; adorei a comida (sorbet de beterraba com carne seca e cebolinha; lasanha de carpaccio e agrião; tempurá de rabada com confit de tomate) mas achei o ambiente cafoninha; talvez tivesse sido melhor cacifar um restaurante mais poderoso, como o Le Quartier Français.

 

Marco's African Place: comida diferente, música boa

 

As duas experiências gastronômicas mais interessantes foram em restaurantes tipicozinhos (ops), que podem facilmente ser classificados na categoria... ‘turísticos’. Na primeira noite fomos ao Marco’s Place, que serve comida sul-africana (filés de avestruz, antílope e kudu; feijão à moda xhosa; fígado de galinha apimentado) ao som de bandas ao vivo; tá cheio de turista, mas também fica assim de negros – tipo o Pelourinho (existe um restaurante africano mais turístico, que é o Africa Café, com um menu que percorre a África inteira; é bonitinho, mas tem ônibus de excursão a rodo).

 

Bo Kaap, o bairro malaio-do-Cabo que não foi remanejado durante o apartheid

 

E gostei muito de um restaurante simplesinho, autenticamente malaio-do-Cabo. que funciona no gueto de Bo Kaap; o nome é Biesmiellah, e serve curries adocicados (eu fui no de carne e me dei bem).

 

Cabanas para alugar na praia de St. James, na costa do Índico

 

Se você puder tirar um dia para percorrer as praias do Índico, do outro lado da península, a caminho do Cabo da Boa Esperança, dê uma paradinha para tomar um drink no Cape to Cuba, um boteco invocadíssimo em Kalk Bay.

 

Cape to Cuba: pit stop charmoso mais ou menos no caminho do Cabo da Boa Esperança

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 22h23
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Luciana, o Canadá está entre as grandes lacunas do meu currículo, de modo que eu não posso te dar uma recomendação com a convicção que me é peculiar ;-) Antes de decidir, vamos aos fatos. O trem de Toronto a Montréal leva 4h15 e custa 80 dólares canadenses (68 dólares americanos); de Montréal a Québec são 2h50 de viagem, a 47 dólares canadenses (40 dólares americanos). De avião, Toronto fica a 1h10 de Montreal, que por sua vez está a 45 minutos de Québec. Ou seja: contando o deslocamento entre o centro das cidades e seus aeroportos e a antecedência do check-in, o trem deve levar o mesmo tempo que o avião nessas rotas (Toronto-Montréal e Montréal-Québec).

Para ir de Québec a Nova York você vai precisar voltar a Montréal. O expresso Adirondack é operado pela americana Amtrak; a partir de Montréal, a viagem dura 10 horas e custa 80 dólares americanos. E você tem razão: não há serviço de bagagem despachada; você precisa levar suas malas até seu vagão e ficar de olho nelas, como na Europa. O vôo entre Montréal e Nova York leva 1h30, mas vindo de Québec a viagem dura 4 ou 5 horas (dependendo do tempo de espera na conexão).

 

Intuição de enxerido: eu deixaria para viajar de trem no Canadá na direção oeste, para ver a paisagem das Rochosas canadenses. E só enfrentaria as 10 horas de trem entre Montréal e Nova York no fim de setembro, começo de outubro, quando as folhas das árvores estão num degradê de 85 mil tons de vermelho. Essa sua viagem de agora eu resolveria da maneira mais objetiva – avião sempre, indo de Toronto direto a Québec (2h15), então a Montréal (45 min) e daí a Nova York (1h35). [Ou então -- e estou acrescentando isso depois do comentário do Ed aqui embaixo -- fazer por terra só o trecho entre Québec e Montréal.] Mas se você ama viajar de trem, vá em frente – as tarifas são ótimas, e provavelmente fazer esses trechos nos trilhos vá sair ainda mais em conta do que incluir os trechos aéreos na sua passagem internacional.



Escrito por Ricardo Freire às 22h10
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Governar é tapar buraco

É a história da administração pública brasileira sintetizada numa frase. O “governar é abrir estradas” dos anos 20 virou o “governar é privatizar estradas” da virada do século – e acabou no “governar é tapar buraco” do ano que começa.

 

 

O fato é que obras viárias já estiveram mais na moda entre os nossos governantes. Antes de serem picados pela mosquinha do marketing, os políticos faziam de estradas, pontes e elevados seus únicos outdoors de campanha.       

 

Sobretudo em São Paulo. Paulo Maluf nunca disse isso com todas as letras, mas sempre foi movido pelo lema “governar é encher as cidades de viadutos”. Marta Suplicy aderiu um pouco tarde demais ao estilo, e por isso o seu “governar é abrir túneis na última hora e entregar na véspera da eleição do jeito que estiverem” não deu lá muito certo.

 

Não se sabe se os 440 milhões de reais que o governo vai enterrar (ops) nesse programa serão bem destinados. Em primeiro lugar, porque os buracos vão ser tapados justo na estação das chuvas do centro-sul. E depois, porque com esse dinheiro é possível imaginar um sem-número de ações que trariam benefícios permanentes, e não apenas teriam o efeito paliativo dessa operação tapa-buraco.

 

Por exemplo. Com 440 milhões daria para comprar pelo menos mais três AeroLulas, que poderiam ser postos à disposição da população para atravessar os trechos mais acidentados da malha viária federal.

 

Em vez de contratar empreiteiras sem licitação, o governo poderia enfrentar o problema das estradas lançando o programa Jipão Para Todos – uma iniciativa conjunta dos ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento e da Ação Social que ajudaria o brasileiro a realizar o sonho do off-road próprio, e com isso sobreviver tanto às estradas que temos quanto aos governos que virão.

 

Outra maneira socialmente mais responsável de remediar a situação seria criar a Bolsa-Buraco, uma renda cidadã a que todo proprietário de veículo teria direito, para ressarcir seus prejuízos com a incompetência governamental no quesito manutenção das estradas. (Uma vez bem-sucedido – e não há por que duvidar do seu êxito – esse programa poderia ser estendido a outras searas da administração, como o Bolsa-Fila-do-Posto-de-Saúde, o Bolsa-Falta-de-Policiamento e o Bolsa-Metáfora-Presidencial.)

 

E por que pensar pequeno, tapando buraco a buraco, quando é possível fazer obras grandiosas, que deixem sua marca na História? Se a Justiça teima em atrasar o início da transposição do rio São Francisco, por que não encarregar Ciro Gomes de fazer a transposição de alguma estrada perfeita para o lugar de uma estrada precária? Pouquíssimos fluminenses seriam contrários à transposição da Via Lagos para o trecho da BR 101 entre Niterói e Manilha.

 

De todo modo, muita calma nessa hora. Não se deve agir precipitadamente. Cada buraco é um buraco, e alguns deles provavelmente não devam ser tapados, pelo bem da nação. A essas alturas, em vários pontos do Brasil deve haver crateras rodoviárias de grande valor geológico. Cidadezinhas que nem estão no mapa podem se transformar em pólos turísticos da noite para o dia, sem maiores investimentos. Devagar: você está entrando em Itajuí da Serra. Visite a maior cratera da América Latina!

 

Na verdade, deveríamos agradecer ao governo por nos dar a chance de rodar por superfícies lunares, sem o transtorno de viajar à Lua. E de graça! Ei, Palocci! Acorda! Governar é cobrar pedágio!

 

(Íntegra da minha coluna na Época desta semana, que já está online)



Escrito por Ricardo Freire às 17h57
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Já posso contar

O Viaje na Viagem estréia nesta segunda-feira em mídia nova: a rádio Paradiso FM (95.7) aqui no Rio. De segunda a sexta, em três horários (8h45, 12h45 e 20h30) vou dar dicas muito bestas de viagem, em boletins de um minuto. Tá ficando muito, muito, muito bacana. E é por isso que eu tenho postado pouco, quase nada – é que preciso deixar um banco de programas gravados.

 



Escrito por Ricardo Freire às 11h24
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Fotoblog: Rio Scenarium

Convidamos a fabulosa Cora Rónai para a mais adorável das noites cariocas: pegar um showzinho no Teatro Rival, na Cinelândia (o lugar mais gostoso do Brasil para se assistir a um show de MPB), com uma esticada no Rio Scenarium, o bar que mudou a cara da Lapa.

 

 

 

O tal showzinho (de Leny Andrade com Os Cariocas) acabou se revelando um showzaço, e o programa duplo no Rio Scenarium saiu melhor do que a encomenda. Primeiro, porque eu descobri que Plínio Fróes, o dono do Rio Scenarium, e Ângela Leal, a dona do Rival, formam um casal; agora não posso mais me referir à combinação Rival + Rio Scenarium como um bom “programa casado”, sob pena de incorrer em trocadilho.

E depois, porque o Plínio estava há meses esperando por uma visita da Cora, para lhe entregar uma capivara de madeira que tinha mandado fazer em Minas. And the capivara goes to...



Escrito por Ricardo Freire às 11h23
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Servido?

Hoje era o dia de eu postar o famoso ilha-tour do Farofeiro Chic em Florianópolis. Mas acabei passando o dia acertando os detalhes de... não posso revelar agora. Amanhã eu conto. E posto.

 

Na praia da Lagoinha, em Floripa: - Dáme dôs!



Escrito por Ricardo Freire às 20h46
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Bira x Tia Palmira

Domingo um grande e poderoso amigo nos convidou para ir à Tia Palmira, fabuloso restaurante de comida caseira em Barra de Guaratiba, 40 km ao sul do Leblon.

 

O grupo era grande, fomos em dois carros. Como havia um gringo na turma, no meio do caminho eu sugeri que trocássemos de restaurante: em vez da Tia Palmira, que fica num lugar pitoresco porém feioso, por que não ir ao Bira, que tem uma vista deslumbrante para o canal e os mangues da restinga da Marambaia?

 

 

Tia Palmira (tenho fotos mais recentes, mas ficaram no outro computador, sorry)

 

A diferença entre os dois restaurantes, porém, não é só a vista. A Tia Palmira – que praticamente inventou o pólo gastronômico de Barra de Guaratiba – não tem cardápio, e traz à mesa praticamente um buffet de coisinhas do mar em duas rodadas. O Bira – que é filho dela – funciona como um restaurante convencional, e é mais ou menos especializado em moquecas.

 

Minha sugestão foi aceita.

 

Pois bem: foi a minha segunda vez no Bira. E... posso ser sincero? No departamento vista, realmente o Bira tem pouquíssima concorrência, não só em Guaratiba, como no Rio inteiro. Mas no quesito comida, vou na contramão da opinião de todos os meus amigos finos cariocas: sou mais o tempero da Tia Palmira.

 

 

A vista é um arraso, mas se a prioridade for a moqueca eu sugiro o Yorubá, em Botafogo



Escrito por Ricardo Freire às 10h46
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Detesto dizer: "Eu avisei"

Eu sei que eu bato sempre nessa mesma tecla, mas o fato é que eu não vou sossegar enquanto o mundo não entender que a estação que chamamos de verão aqui no Sudeste seria chamada de monções em qualquer outra latitude tropical.

 

Tenho tanta segurança disso, que no dia 21 de dezembro mandei esta croniqueta para a Época, que estava fechando antecipadamente a primeira edição de 2006. Tô certo ou tô errado?

 

Ah! O verão...

 

Ah! O verão no Sudeste! A gente acorda, abre a janela, respira fundo e contempla a relva molhada. A rua molhada. A calçada molhada. A piscina molhada. A praia molhada. O Rex molhado.

 

Ah! O verão... A gente passa o ano inteiro esperando por esse momento. Até que finalmente chega dezembro, e com ele esse céu de luz branca fluorescente -- sinal que São Pedro entrou no racionamento de energia solar.

 

Quem há de resistir à poesia dos pingos de chuva pingando, pingando, pingando, revestindo com um manto lustroso os carros, as bancas de jornal, as marquises, os guarda-chuvas, as bolsas, as mochilas, os sapatos, os cabelos, os óculos, os saquinhos de bala dos vendedores do farol?

 

Ah! O verão... Os torós. A garoa. As goteiras. Uma verdadeira sinfonia em movimentos que se repetem infinitamente. Cabrum! Chuá, chuá. Tlic... tlic... tlic... Cabrum! Chuá, chuá. Tlic... tlic... tlic... Cabrum! Chuá, chuá. Tlic... tlic... tlic...

 

E em São Paulo, então? É emocionante ver a natureza, com toda a sua força, retomar para si o terreno grilado pela civilização. As águas invadem as ruas, fazendo carros flutuarem graciosamente. Por algumas horas, todas as semanas, Veneza é aqui.

 

Mas nada se compara ao espetáculo ecológico das enxurradas ladeira abaixo. Para que ir a Iguaçu, quando se tem as cataratas da São Paulo na porta de casa? Caso ainda estivessem vivos, os salmões dos restaurantes dos Jardins não resistiriam a nadar pororoca acima, até a Paulista, onde talvez parassem para procriar.

 

Graças ao verão podemos reviver hábitos abandonados desde.... bem, desde o verão passado. Como, por exemplo, dormir de edredon. Fechar as janelas. Passar frio.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 23h34
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Existem muitas outras coisas, no entanto, que seriam totalmente apropriadas ao nosso verão, mas que acabamos esquecendo de fazer. Tomar sopa. Comer fondue. Ir à montanha e acender a lareira. Quer dizer: deve ter muita gente que faz isso, mas não espalhe, senão a montanha ficaria tão cheia quanto no inverno.

 

Ah! O inverno... alguém pode ter saudade do inverno no Sudeste? Aquele calor insuportável. Aquele sol que não pára de brilhar. Aquelas frentes frias que se dissipam à altura de Curitiba e se recusam a chegar até aqui.

 

Não. Não existe nada como esse friozinho típico do verão. Desligam-se os aparelhos de ar condicionado do escritório (ei, por que justo agora diminuem a meta de economia de energia?) e hibernamos até abril.

 

Ah! Abril... É quando começa o suplício do outono, que emenda com o pesadelo do inverno. As mulheres vestem botas, os homens investem em casacos de couro -- e o sol não pára de brilhar, inclemente.

 

Passamos o inverno inteiro suando debaixo de nossas golas rolê. Subimos a serra apenas para sentir o desconforto de usar bonés de lã à temperatura ambiente (geralmente, em torno de 25º).

 

Até que, lá por setembro, outubro, quando estamos a ponto de enlouquecer depois de seis meses passando calor dentro de roupas de inverno, as primeiras nuvens carregadas anunciam a chegada da primavera.

 

É fácil saber quando é primavera. Enquanto fizer sol de segunda a sexta e chover nos fins de semana e feriados, é sinal de que ainda estamos nela e o verão ainda está para chegar.

 

Mas ninguém perde por esperar. De repente, as nuvens do fim de semana resolvem permanecer também nos dias úteis. Daí podemos ter certeza: é verão. Cabrum! Chuá, chuá. Tlic... tlic... tlic...

 



Escrito por Ricardo Freire às 23h34
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Onde mora o Réveillon

“30 pratas”, disse o motora antes de abrir a porta do táxi. Fiz as contas. Se eu fosse a pé desde o final do Leblon, chegaria ao Posto 6 no meio dos fogos. Não era hora para pechinchar. Resolvi pensar como o gringo com o qual muitas vezes me confundem, e vi que eu tinha conseguido um taxista que não me faria perder o réveillon em Copa e ainda me cobraria a ninharia de 13 euros. Topei.

23h, olhando na direção do Leme

 

 

23h15, olhando na direção do Posto 6

 

Não existem réveillons como os do Brasil. Por um motivo muito simples: nos países cristãos a grande festa desta época do ano é o Natal. No Brasil, no entanto, não existe religião mais importante do que o Réveillon. É o momento em que invocamos os deuses do jeitinho para darem um chega-pra-lá na ziquizira. Você pode até achar um brasileiro que não acredite em Deus – mas é quase impossível achar um brasileiro que não acredite em Ano Novo.

 

Parques de diversão em alto-mar? Quase: transatlânticos

 

Você conhece alguma outra festa brasileira em que todo mundo chega antes da hora?

 

Os despachos na areia diminuíram: a maioria agora é feita na noite de 29, a pedido da prefeitura

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h43
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E se o Réveillon no Brasil é assim tão especial, o que dizer do Réveillon de Copacabana? Assim como todo muçulmano em algum momento de sua vida precisa empreender uma viagem a Meca, todo brasileiro deveria passar um Réveillon em Copa. Não há dúvidas: é aqui que o Ano Novo nasce. Todas as outras festas dos outros fusos horários – a presepada de Sydney, as festinhas da Ásia, os fogos da Europa e da África do Sul – não valem nada. Pura encenação. Você acha que o Ano Novo vai desperdiçar suas energias aparecendo primeiro para os infiéis? Nananina. O Ano Novo só começa à meia-noite de Copacabana.

 

 

 

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h43
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Passar o Réveillon na areia de Copa é assistir à chegada do Ano Novo da fila do gargarejo. Tá vendo? É o Ano Novo ali! Em outros lugares você ouve dizer que o ano mudou. Em Copa você testemunha. Copacabana é a casa do Ano Novo; seu estádio ao ar livre. A torcida vai de branco e depois de comemorar a vitória ainda invade o campo – pulando sete ondinhas.

 

 

 

Fogos? São o de menos. Fogos tem em qualquer lugar. Mas o ritual não dá para imitar. O Réveillon de Copacabana é o nosso festival hindu. Ganges: teu nome é Oceano Atlântico!

 

Depois de 20 minutos de fogos, o êxodo dos fiéis (estes, rumo a Ipanema)

 

Vieira Souto, Ipanema

 

Os mais animados emendaram nas festas de música eletrônica do Posto 10 e do Posto 11

 

A verdade é uma só. Jesus nunca mais deu as caras. O Messias ainda não veio. Mas o Ano Novo não falha. Anote na sua agenda: ele voltará!



Escrito por Ricardo Freire às 12h42
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Fotoblog: contagem regressiva

Saímos para dar uma caminhada na praia e, na primeira banca por que passamos aqui no Leblon, só dava eu na vitrine: tinha o Nordeste de A a Z, a Bahia de A a Z e a Viagem & Turismo de dezembro com a Expedição Pé-na-areia na capa.

 

 

Andamos até o nosso quiosque de praia favorito, o Niterói, à altura da Farme, à direita de quem olha para o mar.

 

 

O quiosque não tem mais letreiro de identificação, mas o serviço de bordo continua impecável – caipivodkas (caipiroskas, em carioca) de lima-da-pérsia sem açúcar, empadinhas profissas e um caldinho de feijão que faz o sujeito economizar uma caminhada até o Bracarense.

 

 

No caminho de volta o pessoal ainda estava acabando de arrumar a luz para o Ipanema Stereo Beach, a festa de música eletrônica que ia rolar a partir das 6 da tarde (até as 3 da manhã) no Posto 10 e no Posto 11.

 

 

 

Em casa, uma ceiazinha light, um banho de descarrego básico e o tradicional isoporzinho furreco (R$ 6,50) com gelo, espumante, cereja e duas taças descartáveis.

 

 

 

Que horas são? O quê? DEZ E QUARENTA E CINCO? Estamos atrasados.



Escrito por Ricardo Freire às 11h20
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