Sabor a ti
Outro dia eu fiquei todo-todo de ter achado uma pizzariazinha, numa cidade que não posso falar agora, cuja pizza da casa era de presunto de Parma com rúcula. Mas comecei a reparar com mais calma e vi que muitas pizzarias na Alemanha servem pizzas com esta cobertura.

Eu passei pelo menos uma década achando que Parma-e-rúcula era uma pizza paulistana, inventada pelo Mellão no Il Vitellone.
Minha pergunta: algum dos viajados passageiros já viu essa pizza na Itália?
Escrito por Ricardo Freire às 06h52
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Mobissimo
Obrigadíssimo a todos os passageiros que estão se adiantando para responder a perguntas nas caixas de comentários. Como já deu para perceber, não estou com tempo nem para fazer posts normais, que dirá pesquisados...
Mas aproveito para complementar a dica da Cris sobre o Mobissimo.com (valeu, Cris), um site de pesquisa de vôos baratos que inclui as companhias aéreas de desconto européias. Vou só transcrever o texto de dois dos meus boletins de rádio (pra Paradiso FM do Rio) que eu gravei anteontem.
"Muita gente me pergunta: escuta, tem algum site onde dê pra pesquisar vôos de todas as companhias aéreas de desconto da Europa? Teoricamente, sim. Existe um site chamado Mobissimo.com que pesquisa tarifas baratas de avião, incluindo as companhias de desconto européias. Mas é um site que funciona melhor pra achar as pechinchas nas companhias aéreas regulares – ou seja, para localizar aqueles assentos que as companhias tradicionais estão liquidando pra competir com as companhias aéreas baratinhas. De qualquer maneira, vale a pena entrar também nos sites específicos da Easyjet e Ryanair, porque você acaba achando vôos ou alternativas que o Mobissimo, sei lá por quê, não dá. Outro site que vale a visita é o europebyair.com, que é um consórcio de pequenas companhias aéreas européias privatizadas que oferece vôos a uma tarifa fixa de 99 dólares para quem mora fora da Europa.
Mas antes de optar por uma companhia de desconto, orce com o seu agente de viagem quanto fica incluir seus vôos internos europeus na sua passagem intercontinental do Brasil. Se cada trecho aumentar tipo 100 dólares a sua passagem, nem se incomode em ficar procurando companhia aérea baratinha. Outra: nunca programe conexões mais ou menos imediatas com companhias aéreas de desconto. Se o seu vôo regular atrasar e você perder o seu vôo baratinho, babau: ninguém vai te reembolsar nada, e comprar uma passagem nova na hora vai sair uma fortuna. Outra coisa: pra aproveitar essas tarifas de 10, 20 dólares que aparecem como chamariz nos sites, você tem que reservar com meeeses de antecedência. E leve em consideração que as taxas de embarque nunca tão incluídas e que eles não têm dó com excesso de bagagem. Dito isso, as companhias aéreas de desconto européias são uma mão-na-roda para ir direto aos lugares mais quentes do verão na Europa."
Update: o Pedro acaba de me apresentar, aqui na caixa de comentários, um site que eu nao conhecia: o Attitude Travel. Finalmente alguém mapeou todas as companhias aéreas de desconto que atuam no planeta, por país! Dá um pouco de trabalho, porque voceh vai ter que entrar em trehs ou quatro sites para comparar tarifas, mas pelo menos voceh nao fica restrito às manjadas Easyjet e Ryanair. De todo modo, eu acho que continua valendo a pena comparar as tarifas que voceh conseguir com as que o Mobissimo apresentar -- porque, caso voceh consiga uma tarifa parecida numa companhia tradicional, eh mais negócio -- nao só pelo servico de bordo, como também pela política de alteracoes de itinerario. Obrigadíssimo, Pedro!
Escrito por Ricardo Freire às 06h51
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Perto is beautiful
Meus leitores mais antigos (nem tão antigos assim; nenhum tem mais do que, ahn, oito anos) sabem do meu fetiche por hotéis com personalidade. Qualquer personalidade: classicões, modernosos, bochinchados, descolados, alternativos, metidos – vale tudo, menos ser sem-graça.
Não, eu não mudei.
De todo modo, gostaria de mandar uma salva de palmas para aquele hotelzinho básico e limpinho que fica atrás de uma estação central de trem na Europa; e que já tem um apartamento vago às 8h30 da manhã, quando você chega; e que no dia seguinte fecha sua conta em 30 segundos; e faz com que você possa pegar o elevador apenas 12 minutos antes do horário de partida do seu próximo trem.

Escrito por Ricardo Freire às 05h22
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Trailer: Almanaque Viaje na Viagem
Como alguns de vocês sabem, algum dia o Viaje na Viagem impresso (produzido a partir de celulose, essa substância nefasta e criminosa segundo minhas conterrâneas da Via Campesina) voltará às livrarias revisto, atualizado e cheio de capítulos novos, sob o nome Almanaque Viaje na Viagem.
Já tenho alguns capítulos prontos – mas foram escritos há mais de um ano e precisam ser revisados. Só por curiosidade, fui dar uma olhadinha no capítulo que fala sobre viagens de trem pra ver se precisava de muita edição.
Pois... sabe que não?
Então lá vai. Com vocês, uma amostra grátis do futuro Almanaque.
Escrito por Ricardo Freire às 20h12
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Nos trilhos

O trem é o meio de transporte mais civilizado que existe. Mas não "civilizado" no sentido esnobe que às vezes emprestamos à palavra. O trem é civilizado justamente por não ter nada de elitista. O trem é democrático, organizado, pontual, prático e confiável. O trem é elegante sem ser luxuoso; charmoso sem ser fresco; popular sem ser vulgar. Aviões são mais velozes, carros são mais confortáveis -- mas a superioridade moral do trem é indiscutível. Trens não são individualistas. Trens não são arrivistas. Trens não são prepotentes. Trens têm estilo, possuem boa índole e tendem a inspirar a boa educação de quem viaja neles.
A diferença entre o trem e seus concorrentes vem de berço. O trem é europeu; o avião e o carro são americanos. Numa sociedade utopicamente igualitária, o único meio de transporte seria o trem. Pense bem: qualquer um pode embarcar num trem. Você não precisa sequer se identificar -- primeiro você entra, e só depois, no meio da viagem, vem o cobrador ver se você tem passagem. Você é responsável por suas malas e nunca se afasta delas. Você é tratado como adulto durante a viagem inteira. Não tem que agüentar nenhum tatibitáti imbecil sobre como proceder durante a viagem -- ninguém de uniforme vai fazer pela tricentésima-octagésima-nona vez alguma demonstração inútil de cinto de segurança, máscara de oxigênio ou saída de emergência. O trem confia no seu passageiro, e sabe que ele aprende rápido.
E aprende, mesmo. Nas primeiras vezes que a gente viaja de trem, tudo é estranho -- a gente precisa entender os códigos, achar o vagão, descobrir onde guardar a mala, não perder a hora de descer, correr para encontrar a plataforma de onde sai a conexão dali a quatro minutos. Lá pela terceira ou quarta viagem, no entanto, somos veteranos, e já arriscamos dar informações em portunhol ou embromation.
Quando as circunstâncias conspiram, é a viagem perfeita. Você fecha a conta no seu hotel e vai arrastando sua mala de rodinhas por duas quadras, até o metrô. Depois de quinze minutos, emerge do subterrâneo direto na estação de trem. Não faz check-in. Ninguém pergunta se você mesmo arrumou suas malas. Você não despacha mala. Não passa a bagagem pelo raio-x. Não precisa tirar o laptop da bolsa. Não descalça os sapatos. Não tem sua tesourinha de unha do pé confiscada. Você sobe direto no trem. Três horas depois, chega à estação central da outra cidade. Desembarca imediatamente. Não precisa esperar pelas bagagens. Não passa por nenhum controle de imigração. E então, para coroar o passeio, decide pegar um táxi para o hotel, para não ficar zanzando de mala num metrô que não conhece.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 20h11
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Infelizmente, nem toda viagem de trem é assim tão indolor. Existe um grande senão ferroviário a considerar: a duração do trajeto. Viagens curtas de trem são uma maravilha. Uma viagem de duas horas de trem é infinitamente mais curta que uma viagem de duas horas de avião. Lá pela quarta ou quinta hora, no entanto, acontece o momento em que aquela paisagem zunindo na sua janela deixa de ser um encanto e se transforma num tormento. A partir daí, o charme do balanço se evapora, o ruído dos trilhos incomoda, o ar fica mais difícil de respirar. Uma viagem de oito horas de trem pode ser ainda mais insuportável que uma viagem de oito horas de avião.
Se me perguntarem as duas maiores torturas pelas quais já passei na Europa, eu responderia com duas viagens de trem mais longas do que deveriam ser. Eu não desejo a ninguém as 15 horas de calor insuportável que eu passei, há 20 anos, na antiquada linha entre Barcelona e Granada (hoje a linha é rápida até Alicante, no meio do caminho, mas mesmo assim o tempo mínimo de viagem é de 11 horas). Deus me livre reviver a noite de terror que passei entre Berlim e Paris, sem conseguir pregar o olho, trancafiado num compartimento com cinco europeus que tinham cabulado o banho e não me deixavam abrir a janela porque fazia frio.
Já falei isso antes, mas não custa repetir. Não use o trem para cruzar países ou continentes inteiros sem parar pelo caminho: foi para isso que inventaram o avião. E não use o trem para dormir: foi para isso que inventaram o hotel. Uma vez ou outra, tudo bem. Mas fazer disso uma rotina -- ou, pior: uma estratégia de viagem -- é a maior roubada. Se você tentar dormir sentado, vai chegar quebrado. Se reservar uma "couchette" (um beliche num compartimento com seis pessoas) vai pagar um suplemento de 30 dólares além do que já investiu no passe -- sem direito a banho. Se quiser reservar uma leito ("sleeper") numa cabine dupla ou quádrupla, pode pagar tão caro quanto uma noite de hotel.
Não, eu não faço campanha contra andar de trem na Europa. Eu faço campanha contra andar de trem errado na Europa. Quando bem planejada, é evidente que uma viagem de trem pela Europa é muito mais, ahn, européia do que uma viagem de avião. Mesmo que os trens velozes de última geração tenham um layout interno cada vez mais parecido com os aviões -- com fileiras de poltronas no lugar dos tradicionais compartimentos --, o ambiente continua 100% europeu. E falando em trem veloz, até mesmo os partidários mais fanáticos do avião vão querer experimentar a sensação de voar sobre os trilhos, a 300 km por hora, num TGV francês, num ICE alemão ou num AVE espanhol. Até porque, em muitos casos, o trem de alta velocidade é mais rápido do que o avião (quando você computa o tempo que leva para ir do centro da cidade ao aeroporto, mais a antecedência necessária para o check-in, mais o tempo de ir do aeroporto até o centro da outra cidade).
Se você quer fazer viagens adoráveis de trem pelo Velho Continente, tome quatro cuidados:
(1) Limite a área a ser explorada;
(2) Programe viagens curtas, sempre de dia, para apreciar a paisagem;
(3) A partir de oito horas de viagem, considere o trem noturno -- mas não abuse (se a sua viagem envolver mais de dois trens noturnos, trata-se de um sinal evidente de que deveria ser feita de avião);
(4) Faça tudo para levar apenas uma mala, pequena o suficiente para você mesmo carregar e você mesmo colocar no porta-bagagem acima do seu assento. Viajar só com uma mala de rodinhas, pesando no máximo 15 quilos, mais uma mochila pequeninha, já é meio caminho (europeu) andado.
(Daí eu termino o capítulo com, ahn, 40 roteiros esmiuçadinhos -- que eu não posso postar agora, porque preciso revisar...)
Escrito por Ricardo Freire às 20h10
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Fios, melhor não teus
Chamada final. Fonte do laptop?
- Aqui!
Carregador de bateria da câmera?
- Eu!
Cabinho de descarregar fotos da câmera pro lépi?
- Pronto!
Cabo de rede banda larga?
- Não sei por que eu tô aqui, mas tô!
Ah, meu filho, o mundo tá virando wi-fi, mas sempre é bom prevenir. Carregador de celular?
- Nessa!
Adaptador de tomada?
- Presente!
Então rumbora.
 
Escrito por Ricardo Freire às 14h52
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Babado forte
  
O pior vocês não sabem. Ontem fui jantar numa churrascaria que abriu nessa semana, e que portanto é concorrente daquela (que já existe há 5 anos) e adivinhem quem é que eu dou de cara por lá? O garçom da foto! Sendo cantado pelo portuga dono da nova churrascaria pra ir trabalhar lá!
E o pior é que eu vou sair daqui sem saber exatamente onde trabalha o único garçom de churrascaria que sabe fatiar uma picanha nesta cidade!
Escrito por Ricardo Freire às 03h25
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Paradeiro ignorado: jantar
 
Foi o melhor jantar até agora da viagem. Mas onde é que será que eu me meti? Façam suas apostas...
Escrito por Ricardo Freire às 21h11
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Paradeiro ignorado 2 – a missão
Senhores passageiros, mais uma vez me encontro em missão secreta no exterior. Mas acredito que em poucos dias já vou poder revelar meu destino. Não desliguem, please. Se der tempo, vou tentar responder algumas das perguntas depositadas aí mais embaixo. (Mas quem quiser meter a colher, sinta-se à vontade -- obrigado, Sandra!)
Escrito por Ricardo Freire às 14h35
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Cinco anos depois
Esta semana, na Época (onde a partir desta semana deixei de ser Xongas para virar Ricardo Freire e escrever semana sim, semana não), comemoro o quinto aniversário do meu texto que mais viajou por aí – o Manifesto Antigerundista.
A crônica desta semana só está disponível para assinantes.
Mas aproveito para republicar o texto original. Assim, quem sabe, quando alguém googlar gerundismo pode acabar direcionado para cá ;-)
Escrito por Ricardo Freire às 14h32
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Para você estar passando adiante
Publicado originalmente em fevereiro de 2000 na minha coluna Xongas no Jornal da Tarde paulistano.
Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o futuro do gerúndio.
Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.
Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.
Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha nas pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.
Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito.
Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho.
Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto de estar estourando. O próximo "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.
As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia.
Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que "We’ll be sending it tomorrow" possa estar tendo o mesmo significado que "Nós vamos estar mandando isso amanhã" acabou por estar sendo só um passo.
Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.
A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo futuro do gerúndio.
A primeira pessoa que inventou de estar falando "Eu vou tá pensando no seu caso" sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade lingüística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas.
Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como "O que cê vai tá fazendo domingo?", ou "Quando que cê vai tá viajando pra praia?", ou "Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa".
Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?
A única solução vai estar sendo submeter o futuro do gerúndio à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o "a nível de", o "enquanto", o "pra se ter uma idéia" e outros menos votados.
A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?
Escrito por Ricardo Freire às 14h32
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Atendendo a pedidos ultramarinos: Convento do Carmo
O Alessandro de Munique pediu e, agora
que a Viagem & Turismo de
fevereiro não está mais nas bancas, publico aqui a íntegra da minha matéria
sobre o Convento do Carmo, de Salvador, o primeiro hotel
administrado pelas Pousadas de Portugal no Brasil.

Aproveito para agradecer publicamente à leitora Maria Teresa Hoffmann, uma gaúcha que
mora na França, que foi quem me sugeriu a combinação Missa Negra das terças +
drink, jantar ou café no Convento do Carmo – um programa que já se tornou a
minha indicação default para uma
noite mágica no Pelourinho. Merci!
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h13
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Voto de riqueza
Eu ainda estava tentando decifrar o que o garçom tinha trazido como complemento ao couvert – uma porção de... hmmm.... azeitonas empanadas!, recheadas com... com... ah, sim, gorgonzola –, quando o francês me desconcentrou com seu comentário.
– C’est formidable!
Não, o francês não estava se referindo às minhas azeitonas empanadas e recheadas com gorgonzola. Dali de onde ele estava, em pé, sob o arco que fazia as vezes de entrada do restaurante, o francês não saberia distinguir uma sublime azeitona empanada de um reles croquete. Seu espanto se devia ao fato de ter entrado, meio desavisadamente, pela porta do convento, e encontrado aquele que talvez seja mais belo hotel a leste da linha de Tordesilhas. Olhei na sua direção, sorri, e ele abriu os braços: “Quelle merveille!” Então aproveitou para se aproximar da minha mesa e me encher de perguntas. Desde quando o hotel estava aberto? Eu estava hospedado por lá? Como é que eu sabia que o hotel estava funcionando?
Bom, o hotel funciona desde 29 de outubro, e a inauguração foi bem noticiada pela imprensa brasileira. Quer dizer: os jornais informaram que o Convento do Carmo, construído entre os séculos XVI e XVIII no Pelourinho, tinha sido transformado num hotel de luxo, operado pelas Pousadas de Portugal. Se você me permite, acho pouco. Eu daria a notícia de uma outra maneira. No mínimo, por baixo, tentando ser imparcial e comedido, eu diria o seguinte: o Copacabana Palace já tem um rival à altura para o posto de hotel mais charmoso do país.
Diferentemente do desavisado francês, eu tinha noção do que encontraria ali dentro. Mas minha reação não foi muito diferente da dele. Aposto que, quando você vier, sentirá a mesma coisa. Você vai deixar o Largo do Pelourinho para trás e subir a Ladeira do Carmo. Lá no alto, você vai encontrar a Igreja do Carmo, e a seu lado, o Convento. Se não fosse pela palavra “hotel” escrita no letreiro, você jamais imaginaria que alguém pudesse se hospedar ali: no vão de entrada, no lugar da recepção, você vai encontrar um altar de Nossa Senhora da Porta do Céu. Até o carregador de malas parece não querer chamar atenção demais.
 
A entrada leva ao primeiro pátio – ou claustro, no jargão eclesiástico. Novamente, você poderia estar no pátio de um monumento (o que é verdade) ou de um museu (que existe, está atualmente fechado, mas deve reabrir em breve). Se você não for conduzido, talvez nem perceba onde a recepção está localizada, na última sala à esquerda antes do segundo pátio; se você bisbilhotar pela porta de vidro, talvez veja algum hóspede fazendo o check-in confortavelmente sentado, a bordo de uma taça de champanhe.
 
Só quando você chega ao segundo claustro é que o hotel se revela por inteiro. Aos poucos: primeiro você percebe que a fonte central não é fonte – é uma piscina. Então você vê onde está o bar, e, do outro lado, o restaurante. De repente o que era monástico se torna incrivelmente elegante. E você não tem como não soltar um “uau” – ou um “c’est formidable”.
 
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h12
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I - Vidas passadas
Como estamos na Bahia, podemos nos valer do sincretismo para dizer que
esta é a segunda encarnação do convento como hotel. Na encarnação anterior – lá
por meados da década de 70 – funcionou ali a Pousada do Carmo, administrada pela
rede brasileira Luxor. Vêm dessa época as primeiras adaptações do
prédio à hotelaria, como a instalação de banheiros nas antigas celas dos frades.
A construção da piscina do segundo claustro causou muita polêmica: não era fácil
admitir que o recinto de um convento fosse freqüentado por turistas em trajes de
banho. Depois de um início de sucesso, a operação tornou-se deficitária, e a
pousada acabou fechando as portas no ano de 1990, pouco antes da grande
revitalização do Pelourinho da década de 90.
Na reforma atual, iniciada em 2001, houve a preocupação
de reverter algumas adaptações infelizes dos anos 70. Quando visitei a obra, no
final de 2002, o destino da piscina ainda era incerto; segundo o engenheiro que
fez o tour comigo, num dia a piscina
constava do projeto, no outro caía fora. Naquela época, o hotel estava destinado
a integrar a rede Sofitel (que já tem um hotel funcionando num convento:
o Santa Clara, em Cartagena, na
Colômbia), escolhida em uma concorrência da qual participou o grupo Orient-Express (dono do Copacabana Palace, no Rio, e do
hotel Monasterio, um antigo seminário em
Cuzco, no Peru).
A inauguração estava originalmente prevista para maio de
2003. A
obra, no entanto, atrasou – e no meio do caminho o convento acabou no colo das
Pousadas de
Portugal (atualmente controladas pelo grupo hoteleiro português Pestana). O
desenlace não poderia ser mais feliz: ninguém teria tanta autoridade para tocar
um hotel num prédio colonial na Bahia quanto uma rede que já administra mais de
quarenta hotéis em castelos, palácios e mosteiros portugueses.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h11
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II - A medida do luxo
Primeiro empreendimento do grupo longe da Terrinha, o Convento do Carmo é um hotel sensivelmente mais luxuoso do que a média das Pousadas de Portugal. Mas é um luxo inteligente e discreto, que jamais se sobrepõe ao conjunto. Onde quer que você esteja, você primeiro se sente num convento, e só num segundo momento percebe o hotel cinco estrelas que se instalou por ali.
 
O melhor exemplo disso é a forma pela qual se decidiu manter a piscina. À primeira vista – e provavelmente à segunda e à terceira também – o espelho d’água no centro do segundo claustro é uma fonte. Se ninguém ainda tiver tomado a iniciativa de entrar n’água, você provavelmente vai querer perguntar antes se é possível mergulhar. Mesmo quando você tiver certeza de que a fonte é uma piscina, talvez você prefira ficar descansando à sombra do seu gazebo, beliscando os petiscos que o garçom vai trazer num jogo de porcelana portuguesa Vista Alegre decorado com motivos do brasileiro Romero Brito.
  
Como ninguém pagaria entre R$ 680 e R$ 900 por dia para fazer voto de pobreza, os quartos são confortabilíssimos. A decoração remete ao passado – muitos objetos foram arrematados num leilão de antigüidades na Dinamarca – mas sem nunca resvalar no rococó. A TV wide-screen e a conexão instalada para internet banda larga trazem você de volta ao século 21 no momento em que desejar. Uma caixinha sobre a mesa guarda dois escapulários – um do menino Jesus, outro de Nossa Senhora. No armário, você vai encontrar dois pares de Havaianas brancas para usar no spa e na piscina. Tudo é sóbrio, porém extremamente aconchegante.
 
  
Depois da primeira noite, você não entende duas coisas: (a) como aquilo um dia já foi chamado de “cela”, e (b) se claustro é isso, como é possível sentir claustrofobia?
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h11
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III - Os frades e a monja
Se ainda restasse alguma dúvida quanto ao acerto de confiar o Convento do Carmo aos portugueses, basta você sentar à mesa do restaurante Conventual para ter certeza de que não havia melhor escolha.
 
O cardápio respeita a história, combina com a arquitetura e homenageia a cultura do lugar, mesclando alta gastronomia portuguesa com versões sofisticadas de clássicos baianos. O prato mais instigante, no entanto, é uma entrada verdadeiramente mestiça: um foie gras de pato servido sobre uma tarte tatin de graviola e acompanhado por um cálice de moscatel português. Há um carta de azeites lusos e uma selecção de bacalhaus – entre eles, um ouriço de bacalhau recheado com caranguejo de Sergipe sobre galantina de legumes. No capítulo regional, o chef Leonel Pereira conferiu um toque haute cuisine ao bobó de camarão, deixando o purê de mandioca mais leve, acrescentando lagosta e servindo numa crosta de batata e siri.
 
O foie gras sobre uma inesperada tarte tatin de graviola e o levíssimo bobó de camarão e lagosta
Programe-se para deixar espaço para a sobremesa – é um crime de lesa-banquete não dividir com seus amigos uma degustação de doces portugueses, como o pudim marfim da Cozinha Velha, a encharcada alentejana da Pousada dos Lóios e os pastéis de nata de Belém.

Mesmo transformado em hotel, o Convento do Carmo continua um lugar propício para experiências espiritualmente intensas. Alguns dos antigos aposentos dos frades carmelitas passaram a ser domínio de uma monja zen-budista – a sul-coreana Soon Hee, idealizadora do spa Shishindo. A unidade do Convento oferece uma série de tratamentos inspirados na Bahia, com produtos à base de cacau. Meia hora de meditação, massagem e banho de imersão em cacau custam 75 reais. Uma hora de massagem com um pouquinho de penitência – gomagem com cacau – deixam a sua pele 180 reais mais lisa.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h11
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IV - No coração da Roma negra
Normalmente, hotéis de luxo em lugares exóticos servem para isolar seus hóspedes do mundo exterior. Com o Convento do Carmo deve acontecer exatamente o oposto. Ir ao Pelourinho não vai depender de planejamento nem de logística especial: os mais paranóicos não precisam sair nem com o dinheiro do táxi. Os hóspedes do Convento vão acabar vivenciando muito mais o Pelourinho do que se estivessem num hotel menos luxuoso, porém mais distante. O próprio hotel tem vários pontos a ser visitados – a começar pela igreja da Ordem Terceira do Carmo, sua sacristia e duas capelas. Quando terminarem os trabalhos de restauração, o Museu do Carmo, com entrada pelo primeiro claustro, exibirá o mais importante acervo barroco da Bahia – uma coleção de mais de 1.500 peças. Algumas delas farão parte da decoração do hotel – como o confessionário que já funciona como cabine telefônica perto do bar.
 
Tente estar aqui numa noite de terça-feira. Lá pelas quatro da tarde, saia para passear pelo Pelourinho. A essa hora as igrejas ainda estão abertas, o sol já não castiga tanto e a luz está linda para fotografar. Antes das seis, volte até o Largo do Pelourinho e entre na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – aquela igreja azul que domina os cartões postais do Pelô. Ali, toda terça-feira, às 6 da tarde, é realizada a Missa Negra, acompanhada por atabaques e agogôs. É emocionante. A maioria das preces é substituída por temas afro-baianos e cânticos tradicionais – e você de repente se sente dentro desses últimos CDs de Maria Bethânia. O ponto alto é a hora do ofertório, quando os fiéis – primeiro as mulheres, depois os homens – entram em procissão pelo corredor central, carregando cestas de pães para serem abençoados pelo padre, e executando uma coreografia que não seria muito diferente num terreiro de candomblé.
Se você estivesse hospedado num hotel convencional, sua experiência terminaria ali. Mas quando você volta para o Convento do Carmo, parece que tudo o que você viu e viveu no Pelourinho vai junto com você para o seu quarto.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h10
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V – Nossa avaliação
A cotação máxima para qualquer item é VVVV.
O HOTEL
Convento do Carmo, Rua do Carmo, s/n, (71) 3242-1217, www.pousadas.pt
Cc: todos. Diárias desde R$ 680.
LOCALIZAÇÃO
Perfeito para quem quer acordar, viver e dormir no Pelourinho. (O lugar é bem policiado, mas não facilite: saia com o mínimo de dinheiro e apenas um cartão de crédito, e deixe carteira, relógio e jóias no cofre.) Saiba também que chegar e sair de carro é complicado – o único acesso é pela Baixa dos Sapateiros.
V V V
QUARTOS
Não são nada monásticos. Os quartos menos caros (R$ 680) ficam no sótão, e valem a economia: são os mais aconchegantes. Os mais caros (R$ 900) são maiores, e vêm em dois formatos: horizontais (os mais caretas) ou dúplex (os mais divertidos).
V V V V
CAFÉ DA MANHÃ
Bufê requintado, incluindo salmão defumado e presunto cru. Experimente as especialidades baianas – o cuscuz de tapioca do Convento é de uma leveza ímpar.
V V V V

RESTAURANTE
Mesmo se funcionasse num prédio qualquer, o Conventual já seria um dos três melhores restaurantes de Salvador. O cardápio do português Leonel Pereira é executado com muita competência por seu compatriota João Paulo Vieira. Sem fechar entre o almoço e o jantar, o restaurante oferece uma desculpa irresistível para você fazer no Convento do Carmo um pit stop elegante no seu tour pelo Pelourinho.
V V V V
INSTALAÇÕES
Tem o básico de um hotel de luxo: piscina, spa, restaurante gastronômico. Mas o que importa mesmo é o que o hotel não tem: aquele ar plastificado de hotéis de luxo das grandes redes americanas.
V V V V
SERVIÇO
O hotel ainda não ficou suficientemente cheio para que o serviço pudesse ser posto à prova com rigor. Mas já se percebe que o staff é simpático, solícito e prestativo.
V V V
ATIVIDADES
Por enquanto, pouco oferece além do spa. Mas em breve será o único hotel brasileiro com um museu importante dentro de suas instalações.
V V
Escrito por Ricardo Freire às 08h10
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Deu no NYT
Minha croniqueta de hoje no Guia do
Estadão. Clicando nos links em azul você
entra nos sites dos lugares mencionados.
Ei: domingo passado você e eu saímos na capa do suplemento de viagem do New York Times. Como figurantes, mas
saímos. A matéria se chama “A nova São Paulo” e – surpresa: Dan Shaw, o
jornalista que assina o artigo, não gasta nenhuma linha com comentários-clichê
sobre trânsito, feiúra ou desigualdade social. O sujeito vai direto ao assunto:
como sair de Nova York e passar três dias divertidos em São
Paulo.
Minto: no terceiro parágrafo ele usa, sim, a expressão
“selva urbana”. Mas ganha pontos comigo ao fazer uma comparação que me é cara:
São Paulo tem um quê de Los Angeles (“uma cidade meio que desenhada ao acaso”).
Como turista, o que Shaw mais gostou é do fato de São Paulo não ser turística.
“Nos restaurantes você não vai se ver rodeado por alemães, australianos ou
outros americanos”.
Sem preconceitos, Shaw foi tanto a um atacadista de calçados na 25 de
Março (para se entupir de Havaianas “em modelos e cores que não são exportados”)
quanto à Daslu (“parece um hotel cinco estrelas, tem o ambiente
de um country club, só que as pessoas estão comprando em vez de jogar golfe”)
com igual entusiasmo.
Adorou a Pinacoteca (“descascada aos
tijolos, como se fosse uma ruína antiga”), citou o Copan, o Masp, o Teatro Municipal, a Catedral e a Sala
São Paulo. Mas deixou para o fim o objeto maior de sua curiosidade –
a Galeria Melissa, desenhada por Karim Raschid “de Nova York”,
responsável por criar um “efeito viajandão meio 2001: uma odisséia no
espaço”.
O repórter bateu ponto nos nossos três hotéis-design de estimação.
Hospedou-se no Emiliano (chegou cedo demais, e foi encaminhado ao spa
até o quarto ficar pronto), foi tomar um drink no Skye, do Unique (passando pelo Jardim Europa, que lhe pareceu a
nossa Beverly Hills) e ainda achou tempo para uma saideira no bar do Fasano (“cuja decoração suntuosa e masculina sugere uma
freqüência maior de investidores em fundos hedge do que de modelos”).
Dan Shaw viu vestidinhos curtos e apertados e homens bonitos como
artistas de cinema no Spot; achou que os comensais deveriam falar menos ao
celular e apreciar melhor a comida de Alex Atala no D.O.M; comeu debaixo d’A Figueira; almoçou no bufê do Prêt Café; experimentou feijoada no
Pitanga e carne-seca no Canto
Madalena; e encerrou os trabalhos batendo papo com Dona Zenaide da Z-Deli durante um
temporal.
O roteiro é ótimo. Eu só não entendi uma coisa. Como é que o cara
conseguiu fazer tudo isso em três dias?
Escrito por Ricardo Freire às 10h39
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Bolsa de apostas: ninguém acertou, ganha a banca
Finalmente posso revelar o endereço daquelas praias paradisíacas que visitei antes da viagem ao México. Elas não ficam em Grand Cayman, Cuba, St. Maarten, Aruba, Los Roques, Barbados ou Riviera Maia.

As fotos eram de Turks & Caicos, um arquipelagozinho a uma hora e meia de vôo de Miami, entre as Bahamas e Cuba. É um dos melhores lugares do Caribe para mergulhar e velejar. E a ilha principal, Providenciales, está virando um grande loteamento de condomínios para americanos.
Mas – quer saber? Se seus interesses ficam em terra (ou areia) firme, e você tem dinheiro para ir a Turks & Caicos, deixo aqui o meu conselho: vá pra St.-Barth!
  Já nas bancas: o especial Viagem & Turismo Caribe, editado por este que vos bloga
Escrito por Ricardo Freire às 11h57
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Aterrissagem
Encerro por aqui as transmissões da Expedición Bumba Meu México. Como vocês puderam ver pelas fotos, foi uma viagem maravilhosa. E, com exceção dos contratempos daquele ônibus lotado entre Puerto Escondido e Acapulco, deu tudo certíssimo. Viajar de ônibus pelo México – desde que da categoria “executivo” para cima – é simplemente un lujo.
 
Difícil foi encarar o aperto e a falta de reclinação (reclinagem? reclínio? rélpi!) da classe econômica da American Airlines na volta. É incrível a rapidez com que o ser humano se habitua ao conforto. Bastam três ou quatro viagenzinhas de ônibus leito para você se tornar um primeiraclassólatra.
  
No mais, vocês sabem: maiores detalhes em junho, quando o especial O Melhor do México chegar às bancas. (E podem deixar, que quando a matéria da Expedición sair na edição “normal” da Viagem & Turismo eu conto.)
 
Os voladores de Papantla se apresentam em frente ao Museu de Antropologia da Cidade do México
Escrito por Ricardo Freire às 11h55
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Bastidores
Assim como a Sandra (nos comentários do post abaixo), muita gente me pergunta quando é que vai sair a atualização do Freire’s online ou a nova edição do Viaje na Viagem de papel.
  
Em Acapulco eu aprendi: não é fácil trabalhar de sunga
Depois de descumprir tantos prazos prometidos, tudo o que eu posso dizer é que um dia eles vão sair. E nesta ordem: primeiro, o livro da Expedição Pé-na-areia, em sua parte 1, do Maranhão à Bahia – e que vai funcionar meio que como uma atualização da seção nordestina do Freire’s de papel.
Depois, o Freire’s na Internet (que na verdade vai ser um Viajenaviagem.com, onde vou poder arquivar para consulta fácil todas as viagens do blog). E por fim (sorry, Sandra), o Almanaque Viaje na Viagem.
Neste momento, porém, eu estou com a tecla pause apertada em todos os meus projetos estritamente pessoais – em nome da viabilização do maior de todos os meus projetos pessoais, que é o de poder ter o jornalismo de viagem como profissão, e não como hobby diletante. Torçam por mim, que é capaz de dar certo...
Update: respostas na caixa de comentários!
Escrito por Ricardo Freire às 05h56
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Casas Cor
Não sei – e estou com preguiça de googlar – se isso acontece em outros lugares. Se em Paris existem apartamentos de Sartre e Beauvoir abertos à visitação, por exemplo. Só sei que na Cidade do México, mesmo com tanta igreja, museuzão e pirâmide para visitar, não dá pra não abrir uma tarde na agenda para uma peregrinaçãozinha básica às casas de Diego Rivera e Frida Kahlo.
 
As casas de Diego (esquerda) e Frida
Meu circuito começou ainda em Guanajuato (quase 400 km ao norte da capital), quando soube que ali ficava a casa onde Diego vivera (à la Agamenon: com trocadilho, please) seus primeiros anos. Mesmo com o morador ilustre tendo saído ainda pequeno (a família foi meio que corrida da cidade), a casa foi restaurada e virou um museu. No terceiro andar fica o delicioso mural “Domingo na Alameda Central”, um verdadeiro onde-está-Wally da sociedade mexicana na década de 30 (infelizmente, não deixam fotografar, nem mesmo sem flash).
 
Esta é a casa de Diego em Guanajuato
A casa-estúdio de Diego na Cidade do México fica no subúrbio chique de San Ángel. Rivera passou lá seus últimos anos, depois de se separar de Frida. A cenografia é muito bem-feita – você se sente fazendo uma visita aos bastidores do artista. Dependendo da hora, e do limite do seu cartão a essa altura da viagem, você pode emendar num almoço no San Ángel Inn, que há décadas é o restaurante favorito da burguesia merricána e fica exatamente ao lado do caixote modernista de Diego.
  
 
A 10 minutos de táxi dali, já em outro subúrbio elegante, Coyoacán (menos metido, porém muito mais bonito) está o Museu Frida Kahlo, instalado numa casa onde Frida morou por muito tempo com Diego. O público de Frida é incomparavelmente maior que o de Diego – explica-se: depois de Madonna e Salma Hayek, Frida Kahlo mudou-se para sempre da retranca Artes para a seção Celebridades.
Não deixam fotografar nada na casa de Frida. Mas o lugar funciona como um museu de fato. Além de seus auto-retratos, há também portraits de Frida feitos por artistas contemporâneos dela, e muitas obras colecionadas pelo casal. A peça mais excêntrica da casa, no entanto, está no jardim: uma mini-pirâmide maia pintada num cor-de-rosa desbotado e enfeitada com esculturas pré-colombianas. É melhor visitar num fim de semana – na saída, seguindo pela calle Allende, em três ou quatro quadras você chega à praça Hidalgo, onde aos sábados e domingos acontece uma feirinha de artesanato com performances de artistas populares.
Visitando o museu Frida Kahlo eu me dei conta de que, para leigos como eu, não existe propriamente arte: existe o artista. Nosso interesse nunca é meramente estético; o que nos atrai são os fragmentos de fofocas da vida pessoal imortalizados em suas obras. Ei: alguém aí sabe se existe algum museu Camille Claudel?
Escrito por Ricardo Freire às 10h07
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Carta enigmática
As grandes culturas pré-colombianas do México deixaram um vasto material escrito – mas não com um alfabeto de letras, ideogramas ou hieroglifos (no meu dicionário, esta palavra não é proparoxítona). Pelo que entendi, a escrita dos mexicanos originais era composta por desenhos que significavam palavras – meio como as nossas cartas enigmáticas.

Tô chutando, mas nem é preciso pesquisar para ver que o sistema de informação das nove linhas do metrô da Cidade do México é uma homenagem à escrita dos aztecas e maias. Cada estação tem um símbolo – um desenhinho que, nos itinerários, aparece com destaque muito maior do que o nome da estação. Se você é turista e alfabetizado, o sistema não é muito prático – é preciso chegar bem perto do adesivo para descobrir o nome das próximas estações. Mas não deixa de ser divertido.

(Em tempo: o metrô da Cidade do México deve ser o mais barato do mundo. A passagem custa 2 pesos – ou 20 centavos de dólar, ou menos de 50 centavos de real –, não importa para onde você vá. E os três primeiros vagões estão reservados para mulheres e crianças. País pudico é outra coisa.)
 
Escrito por Ricardo Freire às 12h25
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Fotoblog: Mexico Chic
Sim, fui às pirâmides, ao Museu de Antropologia, a Guadalupe, a Coyoacán, às casas de Diego e Frida, aos mariachis. Mas passei boa parte dos meus dias na Cidade do México pra cima e pra baixo nos bairros de Polanco, Roma e principalmente La Condesa, montando um roteirinho bacana para quem quiser curtir o lado chique da maior cidade do mundo.
  
 
  
 
 
 
 
Escrito por Ricardo Freire às 14h36
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No ar: mais dois podcasts
A Anna Paula Lima, webmaster do site da Viagem & Turismo, acaba de subir mais dois podcasts desta viagem ao México. Quem quiser ouvir os posts de Veracruz e Puerto Escondido com a minha narração é só clicar aqui. Se tiver dificuldades, leia as instruções aqui.
Ah, sim: os dois podcasts anteriores ganharam slide-shows. Clique aqui.
Escrito por Ricardo Freire às 14h26
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Enriqueça seu mexicanol (II)

Torta = sanduíche
Panqué = torta
Hot cake = panqueca americana (French toast)
Pan dulce = bolo
Cacahueta = amendoim
Botana = tira-gosto
Palomitas = pipoca
Palomitas de micro = pipoca de microondas
Refresco = refrigerante
Aguas = refrescos de frutas
Mineral = água com gás (não necessariamente mineral)
Licuado = milk-shake
Nieve = sorvete artesanal
Mini Super = mercadinho
Chavo = um cara
Chava = feminino de chavo
Mexicas = como os aztecas se chamavam (o “x” como em “xará”)
Aztecas = como os espanhóis chamaram os mexicas
Barbacoa = churrasco
Arrachera de res = bife
Puerco = o que em outros países de língua espanhola se diz cerdo
Chile = pimenta ou pimentão
Habanero = chile mais forte que o chipotle
Moctezuma = Montezuma Pizza de tres chiles = comi uma, e fiquei três dias me coçando da cabeça aos pés
Escrito por Ricardo Freire às 14h19
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Todo mundo na praça, tanta gente sem graça no salão
Aconteceu de novo. Os recém-chegados talvez não saibam, mas os freqüentadores mais antigos deste blog já estão habituados. Inúmeras cidades em tudo quanto é canto do mundo costumam preparar festas-surpresa, verdadeiros carnavais fora de época, só para me receber.

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