Entregando o inimigo: França
(Um dos meus boletins de ontem no Viaje na Viagem radiofônico, na Paradiso FM do Rio)
Se tudo der certo, sábado que vem o craque francês Zinédine Zidane finalmente vai conseguir se aposentar. E a gente não tem por que se sentir culpado por mandar o Zidane pra casa, porque a cidade do Zidane é o máximo. E é dela que eu vou falar: Marselha.
Nos últimos anos, Marselha foi alvo de um grande plano de recuperação urbana – mas não espalhe, porque é bom que os outros continuem pensando que Marselha é uma cidade difícil e perigosa.
Seu centro velho, o Vieux Port, é o mais bonito da Riviera; de lá você pode ir caminhando ao bairro do Le Panier, tomado por imigrantes, onde você vai se sentir no norte da África.
As lojas mais bacanas e os cafés mais charmosos ficam no Cours Julien (ou simplesmente Cours Ju), no lugar de um antigo mercado. Marselha tem uma noite mais animada até que a de Paris; a cidade é o berço do melodioso rap francês. A Rive Neuve, ao sul do Vieux Port, concentra os clubes noturnos; o maior é o Trolley, que tem quatro ambientes tocando estilos diferentes.
Se o Ronaldo quiser visitar o Zidane depois que ele se aposentar, eu sugiro que ele se hospede no Petit Nice, o hotel gastronômico do chef Gerald Passedat, que tem duas estrelas no guia Michelin.
Bom retorno, Zidane...
Escrito por Ricardo Freire às 10h17
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Beleza interior
(Minha crônica de hoje no Guia do Estadão).
As aparências não contam: o que importa é o que você tem por dentro. Se vale para pessoas, pode muito bem valer para cidades, concorda?
São Paulo sabe disso. Por fora, São Paulo descuida da maquiagem, mistura estilos sem critério e raramente lembra de combinar o sapato com a bolsa, digo, a fachada com o quarteirão. Mas por dentro é outra história. Nenhuma cidade do Brasil pode competir com São Paulo em beleza interior.
E não é pouco. Para uma pessoa, ser bonita por dentro é fácil. Basta ter pureza, simplicidade e compaixão – tudo isso disponível de graça na natureza. Para uma cidade, no entanto, ser bonita por dentro sai uma fortuna. Pelo menos foi isso que descobri depois de passar uma tarde perambulando pela Casa Cor, o grande espelho da beleza interior paulistana.
Primeira lição: se em vez de CIC você tem CEP, então para ser bonito por dentro você vai precisar de muita TV de plasma. Graças a um dos patrocinadores, a Casa Cor certamente tem mais TVs de plasma do que o Palácio de Buckingham. Eu vi TV de plasma até em corredor. Quando você entra num aposento da Casa Cor que não possua uma tevezinha de plasma sequer, você estranha. Como assim, um banheiro-dos-bebês-gêmeos sem TV de plasma?
Ah, os nomes dos aposentos. Este ano, os campeões de originalidade são o escritório-da-dona-de-casa e a sala-de-apoio-dos-hóspedes. Se bem que eu sinto falta de um pouco mais de ousadia. Em pleno 2006, alguém poderia ter pensado num quarto-do-filho-gay. E onde já se viu uma casa desse tamanho sem um abatedouro-do-jardineiro?
Não adianta. Para mim, nenhuma Casa Cor jamais terá o encanto do palacete dos Campos Elíseos cenografado por Isay Weinfeld e Marcio Kogan para a peça “Tamara”, em algum momento do século passado. Você passeava pelos aposentos e tinha vontade de levar tudo para casa. Talvez porque não houvesse nenhuma TV de plasma para desviar a sua atenção.
Veja bem: eu até que estava gostando do que via. Acontece que a Casa Cor deste ano tem um grande erro: Sig Bergamin está muito no começo do circuito. O aposento do Sig Bergamin é uma sala-bar delirante, cheia de objetos usados; é um dos únicos lugares da casa que parecem ter um dono por trás do arquiteto. Você entra no ambiente do Sig, e é como se entrasse num filme; sai do ambiente do Sig, e volta para o catálogo.
Fazer o quê? No fim das contas, São Paulo é assim mesmo. Por fora ninguém dá nada, mas por dentro é um belo de um show-room.
Escrito por Ricardo Freire às 10h13
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Ferroada?
Hoje foi dia de gravação do meu quadro no Planeta Cidade. Uma das escalas foi no Mercado da Lapa – onde ninguém vai para entrar na fila do pastel, e sim para achar bons ingredientes e cozinhar com eles mais tarde.
Numa das banquinhas, vi algo que eu não imaginava existir: feijão preto argentino. Estava do lado do feijão preto brasileiro. Era menos brilhoso que o nacional. E custava 30 centavos mais caro.
Perguntei para o moço da banca pra que servia feijão perto argentino. Ele respondeu: “Pra feijoada. Dá um caldo muito melhor, mais grosso”. Pedi para repetir. Talvez eu não tivesse entendido bem. O feijão preto argentino é melhor que o feijão preto brasileiro?
“É, sim.”
Fiquei tão passado, mas tão passado, que esqueci até de fotografar.
Escrito por Ricardo Freire às 19h30
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Podcast por escrito
Meu boletim de hoje à noite no Viaje na Viagem radiofônico da Paradiso FM, no Rio (95.7).
E o Brasil inteiro já entrou no clima de revanche pra sábado que vem. Revanche, é bom a gente lembrar, é uma palavrinha genuinamente francesa. Que quer dizer desforra, vingança.
Aquele nosso ditado “a vingança é um prato que se come frio” tem um equivalente perfeito em francês, que é exatamente la revanche est un plat qui se mange froid.
E eu fiquei aqui pensando que prato é esse que a gente pode comer frio e gostar. E cheguei num dos clássicos da culinária de bistrô, que é o steak tartare – aquela carne crua finamente picadinha e temperada com molho inglês, especiarias e gema de ovo. Não é assim que a gente quer ver o Barthez e o Zidane no sábado?
Pois é. Peça no seu restaurante francês favorito. Ou espere pra comer o seu prato frio da revanche da próxima vez que for a Paris.
Um dos steaks tartares mais famosos de Paris é preparado no bistrô mais bem localizado da cidade: o Ma Bourgogne, que fica numa das esquinas da Place des Vosges, no bairro do Marais.
Pegue uma mesa debaixo dos arcos e peça o seu Barthez picadinho temperado no molho inglês e na gema de ovo...
Escrito por Ricardo Freire às 15h57
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Sabatina
Aí vai a íntegra da minha “entrevista online” (ei, muito mais chique que chat) no ClicRBS hoje de manhã.
Blogueiro e turista profissional participou de entrevista online no clicRBS
Viajar é com ele mesmo. Por isso, não poderíamos deixar de ouvir a opinião de Ricardo Freire, blogueiro e autor do guia Viaje na Viagem, sobre a crise da Varig. Com 50 mil milhas acumuladas no Smiles, Feire admite que ainda não fez a troca por duas passagens domésticas ou para a América do Sul por pura preguiça e "por achar, pessimisticamente, que mesmo as passagens emitidas com milhas vão micar".
Ainda acreditando que a companhia terá um "jeitinho", Freire diz que a crise da Varig já prejudica o turismo brasileiro há muito tempo. Ele lembra com saudade das lojas da Varig nas principais avenidas do mundo, que funcionavam como embaixadas brasileiras, e que acabaram fechadas. E diz que a diferença de viajar Varig é ter a sensação de estar "em casa":
– É uma sensação que pode ser dada por qualquer boa companhia brasileira. Mas a Varig tem uma simpatia que é difícil reproduzir.
Questionado se compraria uma passagem da Varig hoje, Freire afirmou:
– Não compraria não. Esperaria passar essa crise. Pra que arranjar dor de cabeça à toa?
Confira abaixo a íntegra da entrevista que foi conduzida pela jornalista Rafaela Grazziotin, e contou com a participação de internautas moderada por Samantha Bonnel.
clicRBS: Como você escolhe a companhia aérea para suas viagens?
Ricardo Freire: A que oferece o melhor preço e/ou o melhor horário. Num segundo momento, entra a questão das milhas – mas só num segundo momento...
clicRBS: Você tem milhas acumuladas no Smiles?
Ricardo Freire: Tenho – 50 mil na conta.
clicRBS: O que você pretende fazer com elas??
Ricardo Freire: Se eu seguisse os meus próprios conselhos, eu deveria trocar imediatamente por duas passagens domésticas ou para a América do Sul
clicRBS: Mas se não seguisse...?
Ricardo Freire: Eu só não segui ainda os meus conselhos por preguiça – e por achar, pessimisticamente, que mesmo as passagens emitidas com milhas vão micar.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h55
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Pergunta de internauta: Como que a crise da Varig afeta do turismo brasileiro?
Ricardo Freire: A crise da Varig já prejudica o turismo brasileiro há muito tempo. Não dá mais para um turista estrangeiro comprar um Varig Air Pass, por exemplo, porque a companhia voa para cada vez menos destinos brasileiros. Menos mal que a TAP, com suas inúmeras ligações diretas da Europa com o Nordeste, se tornou a mais importante companhia aérea "brasileira" no Exterior – ou, pelo menos, na Europa.
clicRBS: Você acha que a companhia não tem mais salvação?
Ricardo Freire: Eu ainda acredito num jeitinho que dê a companhia meio que de presente para esse consórcio que (dizem) comprou a VarigLog.
Pergunta de internauta: A marca e a imagem da Varig é importante para o turismo? Como ela é vista no Exterior?
Ricardo Freire: Não acredito que a Varig seja "conhecida" no Exterior por um turista que nunca tenha vindo ao Brasil.
clicRBS: Durante suas andanças, você consegue identificar o momento em que a crise começou a ser aparente nos vôos da Varig?
Ricardo Freire: Nos últimos anos tenho viajado mais pelo Brasil. Mas já há algum tempo a gente vinha notando os sinais dos tempos – as lojas nas principais avenidas do mundo (que funcionavam como embaixadas brasileiras, ai que saudades) foram fechando, o staff nos aeroportos estrangeiros deixou de ser próprio e passou a ser terceirizado (às vezes com funcionários que não falavam português...).
Pergunta de internauta: Qual a diferença de viajar Varig?
Ricardo Freire: Para mim a diferença de viajar Varig é estar "em casa". É uma sensação que pode ser dada por qualquer boa companhia brasileira. Mas a Varig tem uma simpatia que é difícil reproduzir.
clicRBS: Você tem algum souvenir da companhia?
Ricardo Freire: Devo ter algum kit-viagem numa gaveta em que guardava todos os kits que recebia... hoje não faço mais isso ;-) Mas não, nunca afanei nenhum copo ou talher, se é isso que você queria saber ;-)
clicRBS: Por que não faz mais isso?
Ricardo Freire: Ah, depois de um tempo não têm mais graça (e eles eram melhores antigamente...).
clicRBS: Qual sua opinião sobre serviço de bordo? Você acha realmente necessário comer algo em uma viagem de duas horas? Não é só para manter o charme da viagem?
Ricardo Freire: Mais do que charme (nunca achei charmosa nenhuma refeição a bordo, nem mesmo lá na frente), o serviço de bordo serve para entreter o passageiro, fazer o tempo passar mais rápido.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h54
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Pergunta de internauta: Você acha que a crise da Varig criou, de uma certa maneira, um monopólio da Gol e da TAM?
Ricardo Freire: Tenho lido que as outras companhias, como Ocean Air, Webjet e BRA, estão reclamando das condições que a Anac quer impor numa eventual redistribuição dos "slots" da Varig. Para evitar o duopólio, seria importante que o governo facilitasse um pouco as coisas para as novas companhias. Mais ou menos como foi feito na época do surgimento da Gol, que ganhou o direito de usar o aeroporto doméstico mais importante do Brasil (Congonhas, em São Paulo) e partiu para ficar do tamanho que está hoje.
Pergunta de internauta: Oi Ricardo, estou no Japão e estou emitindo bilhete prêmio pela Thai Air (Star Alliance), para o final do ano com milhas Smiles. Há algum risco de a Thai não honrar o bilhete em caso de falência da Varig?
Ricardo Freire: Eu acho que algum risco há, sim. Sobretudo se você resolver remarcar o bilhete para outra data. Mas o risco é baixo. Na minha opinião, bem menor do que quem tiver bilhete internacional Varig, e tiver que achar algum lugar em outra companhia com os vôos de/para o Brasil lotados do jeito que estão.
clicRBS: Você acha que as outras companhias nacionais têm condições de absorver a demanda em caso de falência da Varig?
Ricardo Freire: Rafaela, nos vôos domésticos têm, sim. Segundo as últimas estatísticas, a Varig está com apenas 14% dos vôos nacionais. Os vôos internacionais é que são elas. O mercado está muito aquecido com o dólar baixo. Por isso acho que quem ficar com passagem Varig internacional na mão, comprada ou com milhas, vai sofrer.
Pergunta de internauta: Você não acha estranho que no a empresa low cost Gol tenha o preço da TAM e a TAM por sua vez tenha o serviço da GOL?
Ricardo Freire: Muito bem apontado. Essa anomalia começou no malfadado code-share TAM-Varig, que não serviu em nada à Varig (mas fez a TAM sair do vermelho). O que aconteceu durante aquele tempo é que a Gol conseguiu subir seu preço médio quase ao nível de TAM e Varig, e TAM e Varig desceram a qualidade do serviço de bordo quase ao nível da Gol. O que acontece hoje é que as companhias têm preços muito parecidos. Nos horários menos valorizados, preços menores; nos horários de pico, preços cheios. Quem compra com antecedência acha os mesmos preços na Gol ou na TAM. É como diz o comercial da BRA: "a verdadeira companhia aérea de baixo custo é a BRA". E é mesmo...
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h53
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clicRBS: Na sua opinião, por que demoraram tanto para assumir o problema e tomar uma atitude?
Ricardo Freire: Demorou-se para encarar o assunto porque todo mundo sempre achou que no final das contas o governo ia dar um jeitinho...
Pergunta de internauta: Por quantas empresas aéreas você ja viajou? Qual a melhor? Qual a pior?
Ricardo Freire: Nunca contei por quantas companhias já viajei. Mas a que mais gostei foi a Singapore Airlines, que tem as aeromoças mais gentis e serve champagne na econômica (em copo de plástico, mas serve).
clicRBS: Para descontrair um pouco... Qual foi a situação mais estranha ou engraçada que você já presenciou a bordo de um avião da Varig?
Ricardo Freire: Bom. Em janeiro de 1983 eu fiz a minha primeira viagem com meu próprio dinheiro. Fui ao Nordeste. Eu descobri que eu não tinha dinheiro para ir de ônibus – mas podia ir de avião, porque dava para parcelar sem juros. A rota mais barata de Porto Alegre a São Luís (onde eu começaria o périplo nordestino) envolvia escalas em São Paulo, Uberaba, Uberlândia, Goiânia, Brasília e Imperatriz. Claro que eu escolhi essa, porque eu adorava viajar de avião ;-) Em quase todas as escalas eles serviam um lanchinho num estojo de plástico com uma garrafinha de vinho tinto. Eu guardei uns quatro vinhozinhos. Uma delas acabou quebrando dentro da mala no meio da viagem, entre Natal e Recife...
clicRBS: Que meleca!!!
Pergunta de internauta: Ouvi uma certa vez que os slots de certos aeroportos, como o de Paris, não podem ser "repassados" para outras companhias. Se isso é verdade, o Brasil perderia autorização de pouso em aeroportos importantes?
Ricardo Freire: Eu acho que essa história dos slots é meio terrorismo. Hoje as companhias de uma mesma aliança tem slots próximos, para facilitar as conexões. A TAM acabou de entrar em Heathrow (Londres) e já publicou releases dizendo que consegiu um slot e um horário ótimos...
clicRBS: Uma última perguntinha: Você compraria uma passagem da Varig hoje? Se sim, pra qual destino?
Ricardo Freire: Não compraria não. Esperaria passar essa crise. Pra que arranjar dor de cabeça à toa?
Escrito por Ricardo Freire às 12h53
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Vc ker tc?
A convite da querida Cássia, vou participar nesta
quarta, às 10h da manhã, de um chat no ClicRBS, sobre a situação da Varig.
Querendo participar, é só acessar esta página (aliás, vale um
bookmark: é a melhor central de notícias sobre a crise da Varig que você pode
encontrar online) e entrar pelo atalho na sala de chat.
Também dá para mandar sua pergunta por e-mail com antecedência (muita
gente faz isso, e deixa para ler a entrevista depois de a matéria ser editada).
Para achar o formulário, clique aqui.
Escrito por Ricardo Freire às 19h37
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La revanche...
... est un plat qui se mange froid.
(Tradução: sábado que vem é dia de traçar um steak tartare.)
Escrito por Ricardo Freire às 19h00
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Geografia para torcedores
O atlas mostra que Gana é um país africano situado próximo à linha do Equador. Mas a TV provou que, na verdade, Gana é um país africano situado próximo à linha do Impedimento.
Escrito por Ricardo Freire às 18h06
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Entregando o inimigo: Gana
Já que vocês insistem, aqui vão duas ou três coisas que eu descobri por aí do nosso adversário de hoje.
Uma: todos os sites e guias são unânimes em dizer que Gana é um dos países mais simpáticos da África – que a gentileza do povo já vale a viagem. Parece ser um bom lugar para quem quer ter uma experiência antropológica segura, sem se limitar a paisagens e bichos.

A vegetação do país é bem variada – vai de floresta equatorial perto da costa à savana no interior. Existem muitos parques nacionais; o maior deles é o de Mole, cujas fotos eu googlei e postei aqui.

As praias de Gana também aparecem em todos os guias. Mas não vi nenhuma foto que justificasse alguém se abalar do Brasil até lá. (Não adianta: as praias bacanas da África estão na outra costa, a do Índico.)
 
É isso, senhores passageiros. Querendo ir conferir ao vivo a simpatia dos nossos inimigos de hoje, dêem uma passadinha no site do Turismo de Gana.
Escrito por Ricardo Freire às 09h15
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“Achamos que prestamos um grande serviço ao Brasil”
É o que declarou à Folha o Milton Zuanazzi, presidente da Anac, ao considerar a Volo (empresa formada com capital do fundo de investimento americano Matlin Patterson) uma empresa nacional – e portanto habilitada a comprar a VarigLog (e, quem sabe, a Varig).
Concordo integralmente com ele. É melhor uma grande empresa brasileira vendida para gringos do que uma grande empresa brasileira fechada para sempre.
Se a legislação aérea brasileira não fosse tão militar (exigindo que 80% do capital controlador seja brasileiro), a Varig poderia ter sido arrematada há muito mais tempo. Não por um fundo de investimento, como esse Matlin Patterson, e sim por uma companhia aérea, como a TAP.
Escrito por Ricardo Freire às 09h11
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Espantando o rinoceronte

Lembra dos rinos alados que estão espalhados por todo centro de Dortmund?
Todos são bonitinhos. O único que devemos temer é esse aí, fantasiado de zebra africana.
Ele está postado no prédio da nova prefeitura, em plena Friedenplatz – nada menos que o local de uma das Fan Fests da cidade (a outra é na Westfallenhalle, ao lado do estádio).
Se conhece alguém que vai Dortmund, por favor, peça para ele passar por ali e dar uma espantadinha nele. Sem esquecer de pronunciar as palavras mágicas: “Xô, Appiah!”. O Brasil agradece.
Escrito por Ricardo Freire às 00h04
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Do que escapamos

O primeiro lugar do grupo F não nos livrou apenas de enfrentar a Argentina antes de uma possível final.
Ao ser campeã do seu grupo, a Seleção também evitou que a torcida fizesse um bate-e-volta chatinho à insossa Kaiserslautern.
Se passássemos pelas oitavas, a parada seguinte ia ser Hamburgo. Mas aí saímos perdendo: Hamburgo é infinitamente mais interessante que Frankfurt, onde o Brasil (ou Gana) jogará a partida das quartas.
Ainda assim, muita gente vai gostar de ter escapado da especialidade hamburguesa aí da foto: sopa de enguia (ou aalsuppe).
Para seu conhecimento: a enguia é conservada no sal, e por isso fica com uma consistência intermediária entre o bacalhau e a carne-seca.
(Sim, sou eu, fazendo 11 dias de Alemanha renderem dois meses e meio de posts lá no outro blog.)
Escrito por Ricardo Freire às 09h40
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Vai, Brasil?
O Filipe me pergunta o que eu achei desse programa Vai Brasil, que foi lançado no Salão do Turismo do começo do mês – e que estreou campanha de TV nessa semana.
Por enquanto, acho bem esquisito, Filipe.
Antes de mais nada, porém, devo dizer que a parte mais visível, e onerosa, da operação – o comercial de TV – é muito bom. Não é nem um pouco criativo, mas dá muita vontade de viajar – e passa a idéia de que você não precisa ser rico tirar férias no Brasil. As imagens são as mais bonitas já produzidas para campanhas de estímulo ao turismo feitas pelo governo federal. (Só a Bahiatursa sabe fazer melhor do que isso.) Sem dúvida vai fazer muita gente decidir viajar agora em julho.
O comercial remete os telespectadores para o site do Vai Brasil. Só que... bem, quem procurar ofertas para julho no site não vai achar nada. O Vai Brasil é um programa de estímulo a viagens na baixa temporada. Os pacotes que estão no site valem só até o final de junho ou a partir de agosto. Ou seja: quem vai aproveitar a compra por impulso vão ser as operadoras de sempre, que anunciam pacotes nos jornais de domingo.
E se o comercial voltar ao ar em agosto? As pessoas vão entrar no site e encontrar pacotes maravilhosos e baratíssimos e fechar viagens na hora, certo? Errado. O site é fraco (daqui a pouco eu detalho) e os preços, por enquanto, nem são tão baixos assim.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h18
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Do “tudo pelo social” ao “tudo pelas operadoras”
Se eu me lembro bem, a primeira vez que o governo falou do Vai Brasil foi como um programa de turismo social. A idéia era motivar companhias aéreas, hotéis, empresas de ônibus, locadoras e sei lá quem mais a baixar drasticamente os preços para que os quartos e assentos ociosos da baixa temporada fossem ocupados por turistas das classes C e D.
Com licença: ha ha ha.
Não, não estou caçoando da idéia de mandar as classes C e D viajar. Eu estou caçoando da noção de que alguém nesse mercado poderia voar mais barato do que a BRA já voa, ou que alguma empresa por aí teria como fazer pacotes com hospedagem mais em conta, e em mais vezes sem juros, do que a PNX (que é o braço de turismo da BRA) e a CVC.
As companhias aéreas logo reagiram dizendo que não havia essa ociosidade toda, não; desculpaê, Ministro, mas a baixa temporada das férias é a alta temporada dos negócios. Além disso, Excelência, nos fins de semana os aviões já são normalmente cedidos aos vôos charter (tornando possíveis os preços camaradíssimas da PNX e da CVC).
Já os hoteleiros e pousadeiros – sobretudo os de estâncias turísticas, que têm, de fato, uma ociosidade absurda na baixa temporada – acharam a idéia ótima. Por alguns instantes, sonharam com um grande canal de vendas diretas ao público, que estimulasse o turismo com o próprio carro, de ônibus ou com milhas – e livrasse o setor da excessiva dependência das operadoras no departamento turismo de massa.
Mas daí o sindicato das operadoras, a Braztoa, entrou na jogada e disse: nananina. Conseguiu com o governo que o Vai Brasil só comercializasse pacotes organizados por operadoras, e não, em hipótese nenhuma, diárias avulsas de hotel. Para habilitar-se a entrar no programa, foi estabelecido que a oferta precisa incluir trânsfer, city-tour e “assistência” (ou seja: a garantia de que o turista vai ser interceptado por um vendedor de passeios extras).
E aí a coisa deixou de ser um programa de inclusão do turista de classe baixa para se tornar um programa de inclusão da operadora desconhecida.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h17
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Bem-vindos ao portal offline
Mas voltemos à mecânica da coisa. Você assiste ao comercial, fica com vontade de viajar, anota o site e entra na internet. Daí você navega e, em poucos cliques, escolhe o seu pacote, vê as descrições dos passeios, as fotos dos hotéis oferecidos e fecha negócio?
Nem em sonho. Você escolhe o pacote pelo preço e então tem acesso a uma descrição sumária de conteúdo (tipo assim: hospedagem + transfer + 1 passeio + assistência). Se você clica em “prosseguir”, o site te manda preencher um formulário. Depois de preenchido, você pode escolher até três agências de viagem que... vãããããããão entraaaaaaaar em contaaaaato (só faltou escrever “vão estar entrando em contato”) com você por e-mail ou telefone para finalizar o malho.
Cuma? Eu fiz tudo isso e ainda vou ter que esperar que alguém me ligue para dizer que hotel é esse e que passeio é esse que querem me vender? É broxante. Sabe quando você vai se inscrever na academia e fica sabendo que só pode trocar de roupa depois de fazer a avaliação física dali a três dias? Mesma coisa.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h17
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Além disso, o site não passa a mínima segurança. Quando você clica num pacote, a descrição do que é oferecido é mínima, mas o texto do site se eximindo de qualquer responsabilidade sobre a oferta é imenso. Eu me senti numa sala de chat, em que não tenho como saber ao certo quem está por trás daquele apelido.
O anonimato nivela todo mundo por baixo, e você não tem como identificar as boas ofertas. Por exemplo: eu li por aí que a Costa do Sauípe está oferecendo um pacote de hospedagem de 275 reais por duas noites (e três dias). Mas é impossível achar isso no site – porque Costa do Sauípe está identificada como “Mata de São João” (que é o nome do município, que também engloba a Praia do Forte). Mesmo se estivesse identificada como “Costa do Sauípe”, eu não teria como saber se a oferta é para ficar em pousada ou em algum dos resorts. (Para ficar em pousada o preço está caro; para ficar em resort é bom.)
Sem preencher o cadastro e esperar por um contato (na segunda-feira, depois que as agências que eles me indicaram abrirem) eu não tenho como saber se o pacote de duas noites (e três dias) com aéreo para Porto de Galinhas por 943 reais é um roubo ou um bom negócio. Se for num hotel normal, é um roubo: a CVC vende um pacote de sete noites (e oito dias) pelo mesmo preço. Se for num resort, é um bom negócio – para, digamos, um casal de classe média alta, que não possa viajar por uma semana fora das férias escolares, mas que esteja precisando de um fim de semana ensolarado longe dos filhos, e descubra que dá para ficar dois dias num resort pagando menos do que a passagem aérea de vôo regular.
Claro que tudo está no começo e as coisas tendem a melhorar. De ontem para hoje já vi surgirem ofertas bem interessantes de hospedagem – tipo, duas noites a 100 reais (todos os preços mencionados são por pessoa) em Salvador e Recife. Hotéis e pousadas devem rapidamente procurar operadoras locais para criar pacotes terrestres e usar o site para desovar quartos ociosos. Mas tudo seria bem mais efetivo se o consumidor pudesse pelo menos saber exatamente o que está sendo vendido antes de se entregar ao malho das agências.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 12h16
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Como eu faria
Bem, eu nunca comprei essa história de inclusão do turista pobre. Acho que a BRA, a PNX e, de certo modo, a CVC já fazem isso muito bem (em alguns casos, como em Porto Seguro, melhor até do que seria recomendável), e sem dinheiro público.
Mas o estímulo às viagens de lazer na baixa temporada é, sim, uma causa superválida, e vale o investimento do governo. A simples propaganda (se voltar ao ar depois de julho) já é positiva, e deve gerar números que façam o governo dizer que o programa foi um sucesso (mesmo se todo mundo acabar viajando pelas vias normais, e não pelo site do programa).
(Eu tenho uma idéia publicitária maluca para estimular as viagens fora das férias escolares. Mas vou deixar para contar outro dia, senão ninguém vai levar a sério esse bifão todo.)
Para o site ter o efeito que poderia, é preciso que ele emule algum modelo que já tenha feito sucesso na internet online (porque, do jeito que está, é internet offline).
Me parece óbvio que esse Vai Brasil deveria evoluir para virar um portal tipo e-bay ou Mercado Livre, em que todos os “players” do turismo – operadoras, agências de receptivo, hotéis, pousadas, locadoras – apresentassem suas ofertas, com ilustrações, links e todas as letras miúdas do que estão vendendo. Tudo organizado por um Google interno – e não por um banco de dados burocrático (“Mata de São João”) e engessado.
Ei: eu posso decidir ir a Pipa porque uma locadora de lá oferece um Mille a 300 reais por uma semana. Ou pescar no Pantanal porque um barco está liquidando os últimos lugares pela metade do preço. Ou ir pro Recife porque uma operadora me oferece duas noites no hotel tal, que fica a tantas quadras da praia, e um passeio que pode ser tanto aos museus Brennand quanto a Olinda, à minha escolha.
Tudo bem. Vou parar de ser chato. Até o teimoso do Parreira fez correção de rota, não fez? Pois então.
Escrito por Ricardo Freire às 12h16
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Os sem-cachê
Antigamente a gente conhecia os jogadores pelos times. O Falcão do Inter, o Zico do Flamengo, o Cerezo do Atlético, o Sócrates do Corinthians, o Éder do Grêmio, o Waldir Peres do São Paulo.
Hoje a gente conhece os jogadores pelos comerciais. O Ronaldinho da Nike, o Kaká da Adidas, o Roberto Carlos da Pepsi, o Ronaldo da Brahma, o Robinho da Vivo, e sei lá quantos do Santander.
E daí, quando por um milagre o Parreira põe em campo algum dos sem-anúncio, 97% dos telespectadores ficam boiando.
Com alguma sorte, porém, o sem-merchã faz um golzinho, e então ganha closes, replays e entrevistas que acabam funcionando como uma pequena campanha publicitária em causa própria.
Muito prazer, Gilberto. O prazer foi todo nosso, Juninho Pernambucano.
Escrito por Ricardo Freire às 13h45
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“Milhíssima”: capítulo de ontem
Senhores passageiros, o Globo conseguiu pegar uma declaração oficial do governo que não saiu nem na Folha, nem no Estado.
Está na matéria de capa do caderno de economia: o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita, depois de se reunir com Procons (que eu acho que não apitam nada) e com a Anac (aí sim eu acho quente), declarou que todas as passagens emitidas pela Varig serão honradas por outras companhias, tenham essas passagens sido emitidas com dinheiro ou com milhas.
Sinceramente, eu não vejo como o governo possa obrigar companhias estrangeiras que nada tenham a ver com a questão (por exemplo: todas as companhias gringas que operam no Brasil e não são associadas à Star Alliance) a pagarem o pato da Varig.
Ao mesmo tempo, eu vejo, sim, um poder de pressão do governo junto às companhias brasileiras que herdarem as linhas e o mercado da Varig: “E aí, negão: tu tá levando essas rota de graça, sem dívida de imposto, sem encargos trabalhista, sem trolha de fundo de pensão. Pelo menos leva esses passageiro aí.”
Só sei que, quanto mais essa história se arrasta, mais sem ação eu fico. Tenho 50.000 milhas, mas ainda não arranjei forças para ir até uma loja e emitir uma passagem. A cada dia o subtexto das entrelinhas vai ficando pior. Atualmente é o seguinte: “Queridinha, eu sei que você está prestes a perder o seu emprego, mas, enquanto isso, você emite essa passagem pra mim, por favor?”. É triste...
Escrito por Ricardo Freire às 10h35
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Entregando o inimigo: Japão (IV)
Quer fazer um passeio em Tóquio em que você vai achar tudo o que precisa ser achado, sem precisar de guia nem de GPS? Num domingo de tarde, vá até a estação Harajuku. Assim que você sair do metrô, você já vai dar de cara com a convenção dominical das adolescentes que gostam de se fantasiar (de personagens de cinema, de mangá ou de animê).


Depois de fotografar as drag teens (ei, esse nome é meu; a denominação oficial para o hobby das lolitas nipônicas é cos-play, de “costume playing”), dê um rolê pela Takeshita Dori, que é a Ladeira Porto Geral/José Paulino/Saara das adolescentes de Tóquio.
  
À esquerda e no centro, Takeshita Dori. À direita, o prédio da Dior na avenida Omotesando.
Volte à estação. Está vendo aquela avenidona ali? É a Omotesando, o equivalente edoko (= de Tóquio) dos Champs Elysées. Aqui as grifes não têm lojas – tem prédios inteiros, como a Dior e a Louis Vuitton. Na Omotesando também fica o shopping mais badalado do momento (foi inaugurado no começo desse ano), o Omotesando Hills.
Percorra a Omotesando até o fim, então atravesse a avenida Aoyama, e não se importe com o fato de a avenidona ter se transformado numa rua: siga em frente. Logo você vai avistar à sua direita o prédio da Prada (o mais bonito que eu vi em meus cinco dias de Tóquio).
 
E não se esqueça de esquecer bem esquecidos todos os cartões de crédito no cofre do hotel, sim?
Escrito por Ricardo Freire às 07h53
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O Louro José de Dortmund
Pelo menos um morador famoso de Dortmund já estava vestido de verde-amarelo muito antes de a Seleção ser escalada para jogar hoje na cidade. Trata-se do papagaio Acki, o mascote do Café Kleinmann. Quer saber mais sobre essa figura? Então dê um pulinho lá no outro blog.
Escrito por Ricardo Freire às 07h45
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Entregando o inimigo: Japão
E continua a série de utilidade esportiva deste blog para você se dar bem no campo dos nossos adversários da Copa. Agora a vez é do Japão.
Se você por acaso fizer alguma parada pelo caminho, em Los Angeles, em Nova York ou em alguma cidade da Ásia, considere chegar não por Tóquio, mas por Osaka. Por um motivo: Osaka fica a apenas uma hora de Kyoto, que é a cidade japonesa que encarna tudo o que a gente espera do Japão. Kyoto é aquele Japão dos templos, das gueixas, da tradição. E é uma cidade facílima de você se locomover.

Então Kyoto funciona como uma câmara de descompressão: você chega ao planeta Japão e tem as melhores condições pra se aclimatar. Para só então partir pra destinos mais difíceis. Quer saber? Eu deixaria Tóquio para o gran finale, depois que você já estiver tirando o Japão de letra.
Escrito por Ricardo Freire às 12h33
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Entregando o inimigo: Japão (II)
Ir ao Japão e não ver o Monte Fuji é como ir a Roma e não ver o cardeal alemão aquele. Se você andar de trem-bala entre Tóquio e Kyoto num dia claro vai ter um momento da viagem em que você vai avistar o monte sagrado dos japoneses. Mas vai ser rapidinho: afinal, você vai estar no trem bala.

Para avistar o Monte Fuji do melhor ângulo e ter todo o tempo do mundo pra fotografar, então você deve ir a Hakone, um parque nacional a uma hora e meia de trem de Tóquio. Você desce na estação Odawara, compra um passe, e então faz um périplo pelo parque, andando de ônibus, trem, teleférico e... caravela (!). Num dia claro, você vai ter o Monte Fuji visível durante boa parte do passeio. É turisticão, mas vale a pena.
  
Escrito por Ricardo Freire às 12h32
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Entregando o inimigo: Japão (III)
Anote aí a minha dica básica para Tóquio: não perca tempo tentando achar sozinho algum endereço de algum restaurantezinho, alguma lojinha ou algum inferninho. Sem ajuda você não vai achar. Ou você vai de táxi com o endereço escrito em japonês ou nada feito.

Como andar de táxi em Tóquio é inviável, o negócio é relaxar. Ande de metrô, desça nas estações principais, como Shinjuku, Shibuya, Roppongi e Ginza, e deixe rolar. Pense que você tá naquele filme da Sofia Coppola, o Encontros e Desencontros, e aventure-se sem muitos planos. Se você ficar o tempo todo tentando se achar, você vai perder o que acontece à sua volta, que normalmente é tão interessante quanto qualquer coisa que você por acaso esteja procurando.

Escrito por Ricardo Freire às 12h32
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Obrigadíssimo
Ou, como diria aquele ex-BBB (qualquer um): valeu, galera ;-)
E um abraço especial a todos os fãs do Hino que entendem ou, melhor ainda, acham graça da minha implicância. (Pra vocês, e só pra vocês, eu preciso confessar que gosto, sim, de algumas passagens – como “dentre outras mil és tu Brasil ó pátria amada”, que não faria feio, e isto é um elogio, numa marchinha de carnaval.)
Só mais duas coisinhas: pode deixar, Marcos, que eu não vou fechar a caixa de comentários, não. É tão raro o que aconteceu anteontem, que não vale a pena. O blog tem uma dinâmica quando estamos só entre “sócios”, e outra quando entram os passantes. Acho inclusive que, melhor do que limitar a participação dos de fora, eu tenho mais é que facilitar a contribuição dos de casa, arranjando um sistema de comentários externo ao Uol (mas preciso de instruções, porque sou cyberanalfa).
E olha só, Arnaldo: já deletei aquele comentário que te incomodava.
E vamos virar o disco...
Escrito por Ricardo Freire às 12h31
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Ao Joaquim Roberto
Joaquim, eu tenho cá um bloguito freqüentado por poucos e bons. Aliás, poucos e ótimos. Não ganho um centavo com ele. Pelo contrário: muitas vezes acabo atrasando trabalhos pelos quais sou pago para não deixar o blog desatualizado. Eu sei cada pergunta dos leitores que deixei sem resposta, e todo dia de manhã me culpo por não ter tempo para pesquisar e responder a todos os leitores com a segurança e a qualidade que eu gostaria.
Eu já perdi a conta das vezes em que este blog saiu na capa do Uol com matérias diferenciadas, contendo lindas fotos inéditas – que não roubei do Google Images nem afanei do Flickr de ninguém – e dicas que me custaram caro descobrir e me deram trabalho para organizar, escrever e publicar. Por mais visitantes novos que essas chamadas da home do Uol atraiam, dificilmente consigo mais do que dois ou três comentaristas novos para a caixa de comentários. Os que contribuem são sempre... os de sempre. (Obrigado, pessoal. I love you.)
Daí, quando publico uma opinião absolutamente inócua sobre um assunto sem importância, e dou o azar de ter esse post selecionado para a capa do portal, vejo meu espaço invadido por uma manada de gente mal-educada que acha que uma notinha num blog obscuro tenha alguma conseqüência. Um povo que se dá ao trabalho de passar pela aporrinhação do sistema de autenticação do Uol (o mesmo que faz com que tanta gente bacana deixe de registrar um oi de vez em quando) só para me ofender.
Desculpe, mas eu tenho, sim, todo o direito do mundo de mandar toda essa gente se catar. Porque o meu post original foi sobre a minha implicância pessoal com o hino. Não foi sobre uma suposta falta de cultura ou de bom-gosto das pessoas que gostam do hino. Pouquíssimos comentaristas rebateram o meu argumento. A maioria simplesmente me atacou. Então vão se catar, de novo, antes que eu me esqueça.
Escrevo contra esse maldito hino (atenção: estou xingando o hino, não seus admiradores) desde 2000, quando tinha uma coluna no Jornal da Tarde. Naquela época o programa da Olga Buongiovanni, na TV Bandeirantes, percorria as ruas de todo o país tentando achar uma pessoa – uma pessoa – que conseguisse cantar o hino inteiro. A intenção do programa não era zoar (à la Pânico): era, realmente, encontrar algum brasileiro comum que conseguisse cantar o hino. Entre um merchã e outro, Olga Buongiovanni pregava, a sério, a necessidade de todos os brasileiros saberem cantar o nosso mavioso hino. Todos os dias havia uma tentativa. Havia um prêmio em dinheiro para quem conseguisse, que ia aumentando a cada dia. Até onde eu acompanhei (mais ou menos por uns seis meses, enquanto viajava pelo Nordeste), ninguém conseguiu.
Quer saber? Não é por falta de interpretação de texto na escola. Não é porque ninguém saiba se o primeiro verso tem crase ou não tem (ou consiga perceber a diferença de significado com ou sem crase). É um caso de total falta de identificação. Essa peça de música não nos une, não nos emociona e não nos representa. Por isso não conseguimos aprender a cantar.
(Mas o meu argumento nem é esse. O meu argumento é: a letra é de doer, e pronto.)
Temos um povo musical por excelência. Temos a melhor música popular do mundo (ou, pelo menos, a única que consegue rivalizar em qualidade com a americana). E um hino que ninguém consegue cantar. Por que será, hein?
Eu gosto de caju, tapioca, coentro, moqueca de siri, Rosa Passos, queijo coalho na brasa, vatapá, pinhão, doce de jaca em calda, Agamenon, tacacá, Guel Arraes, renda de filé, Havaianas, A Grande Família, o hino do Botafogo, o hino do Grêmio (e eu sou torcedor fanático do Inter, que tem um hino ainda mais infeliz que esse que estamos discutindo), Regina Casé, pastel de pizza, Parintins, coração de galinha com farinha, Domingos de Oliveira, o hino do Elefante – Ó-lindáááá! / quero cantar / a ti / esta canção / teus coqueirais / o teu céu / o teu mar / faz vibrar meu coração / de amor / a sonhar / minha Olinda sem igual / salve o teu / Carnaval! / Pararapá-pa / pá-pa / pá-pa! Tchiururu tchiururu tchiururu-ru / Tchiururu tchiururu tchiururu-ru! / Pararapá-pa / pá-pa / pá-pa! / Tchiururu tchiururu tchiururu-ru / Tchiururu tchiururu tchiururu-ru!
Eu odeio o Hino Nacional. Eu sou um patriota.
Escrito por Ricardo Freire às 18h29
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Blog é a melhor diversão
Bom dia. Estamos só nós por aqui? Ufa.
Ontem o blog foi invadido (via capa do Uol) por um pessoal que eu pensava só existir nas catacumbas das caixas de comentário de blogs mais bem-sucedidos, como o do Marcelo Tas. (Mentira. Quando, certa vez, eu defendi o fim do visto para turistas americanos, esse pessoal deu as caras por aqui, enchendo o cyberespaço com sua simpatia e seu bom-humor.)
Caso você não tenha visto, e queira se divertir um pouco, é só rolar a página e abrir os comentários do post “Ouviram do Pelô”. (Entre outras coisas, está dito ali que eu não estudei, não domino a língua portuguesa e... votei no Lula!!! Go figure.)
O mais engraçado é que quase ninguém se ateve à tese central do meu post: a letra de 1922 é totalmente ultrapassada para 1922. (Eu poderia dizer mais. Que, além do estilo anacrônico, a letra é racista – não há nenhuma menção ao índio ou ao negro na formação do Brasil. A propósito, a única palavra autenticamente nacional é “Ipiranga” – e isso porque decerto não dava para mudar o nome do riacho, cem anos depois. Mas, enfim, não vou entrar na seara do politicamente correto, que nunca foi a minha praia.)
Fazer o quê? O Hino Nacional é o primeiro decoreba da vida da pessoa. Só que, ao contrário da Tabela Periódica, ele volta de tempos em tempos para nos assombrar. O pior de tudo é que ele define, para muita gente, o que é “texto literário”. Ou seja: falar difícil. E daí que saem tanto o discurso empolado do político nordestino quanto o “vamos estar transferindo sua ligação” do teleatendente.
É interessante ver como boa parte dos comentaristas acha que não existe nada entre o lábaro que ostentas estrelado e a egüinha pocotó.
Outro dia algum bamba escreveu sobre hinos na Copa – acho que foi o Verissimo. Ele disse que as seleções de países desimportantes normalmente têm os hinos mais épicos, e que isso faz com que acabem se dando mal no jogo.
Eu não acho que seja esse o motivo pelo qual o hino prejudica a nossa Seleção. O nosso problema é que temos a única Seleção do mundo que gagueja na hora de cantar o Hino. Toda vez é a mesma aflição: um sonho intenso, um raio vívido...
(Não é à toa que todo mundo empaca aí. Essa passagem é hiperdefeituosa. É quase impossível atinar que o raio vívido desse verso é o mesmo de amor e de esperança e que desce à Terra, com crase, no verso seguinte. Ah, vão se catar!)
Sim, eu pegaria o Chico e o Caetano, quem sabe junto com o Gil, e encomendaria um hino novinho em folha pra eles, com pátria amada, com terra adorada, mas em língua de gente. Enquanto isso, faria a Seleção, perfilada e com a mão no coração, cantar: “Ah, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amô-ôr...”
Escrito por Ricardo Freire às 08h25
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Real Brasid?
De tudo até agora, só vibrei mesmo com a comemoração do Fred. O cara parece ser o único em campo que não tem a empáfia e o salto alto dos Bralácticos.
Escrito por Ricardo Freire às 09h59
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Colônia brasileira
Com a mudança da Seleção para Bergisch-Gladbach, a partir de hoje Colônia (que fica a 20 minutos de trem da nova concentração) se torna definitivamente a capital brasileira na Alemanha. Aos 5.000 torcedores que estão hospedados na cidade juntam-se a imprensa e a massa itinerante dos sem-ingresso. Quem quiser dicas gastronômicas é só me visitar lá no outro blo | | |