Onde esteve Wally?


Escrito por Ricardo Freire às 13h37
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pra não dizer que eu não falei de viagem
Meu boletim das 12h45 de hoje na Paradiso FM. Para ouvir, clique na linha azul:
Paris: novinho, na muvuca, 120 euros – interessa?
Gostou? Tem mais. Role a página (cuidado para não se machucar ao passar pela torcida do Grêmio), que rapidinho você chega a um post chamado Festival Podiqueste.
Escrito por Ricardo Freire às 10h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Momento Juca Kfouri
Senhores passageiros, desculpem sair um pouco do assunto principal aqui desse blog. Mas é que, depois de ler na Folha de hoje alguém que assina “Da reportagem local” (ou seja, escrevendo ontem às oito e meia da noite na Barão de Limeira depois de ter visto o Gre-Nal no SporTV) dizer que o Beira-Rio (!) corre o risco de ser interditado (!!) para a Libertadores (!!!), preciso transcrever a brava, correta e responsável cobertura da Zero Hora sobre os acontecimentos vergonhosos de ontem.
|
Plano em três partes |
|
Torcedores queriam incendiar DTG Lenço Colorado e invadir campo |
|
DIOGO OLIVIER |
|
Os acontecimentos deploráveis protagonizados pela torcida do Grêmio - ou parte dela, já que os gremistas da superior vaiaram o vandalismo da inferior - não começaram ontem. Desde o começo da semana, dezenas de e-mails inundaram as caixas postais de dirigentes e funcionários do Inter com a advertência: a torcida do Grêmio iria ao Beira-Rio com um plano de depredação.
Seria um plano em três partes. Primeiro, seria ateado fogo no capim santa fé que cobre a sede do DTG Lenço Colorado. Ainda em construção, o centro nativista do Inter é uma grande armação de madeira - alvo fácil para um incêndio. Não funcionou. A segurança do Inter estava de prontidão. A Brigada Militar encontrou três coquetéis molotov. Nem por isso os prejuízos foram menores.
Fracassado o incêndio, os torcedores se voltaram para o depósito de limpeza do estádio. Saquearam e, como já estavam no pátio, aproveitaram para quebrar com pedradas as janelas do estádio e do Gigantinho - no Gre-Nal da final do Gauchão, o número de vidros estilhaçados chegou a 165.
A outra parte do plano era acabar com os banheiros químicos. No clássico anterior pouco restou dos sanitários destinados a torcida visitante (vasos, pias e hidras foram roubadas).
A direção do Inter pensou em erguer um muro entre as duas torcidas, mas optou por saída menos radical e colocou 14 banheiros químicos para os gremistas, como acontece em shows e outros eventos. Foram todos, sem exceção, destruídos.
A última parte do plano era a invasão de campo. Os banheiros químicos serviriam de "passarela" para o gramado, facilitando acesso sobre a coréia.
No segundo tempo, essa possibilidade provocou pânico e mobilizou a segurança. Em pouco tempo, além da BM (o pelotão de choque disparou tiros de efeito moral depois de soldados serem agredidos), via-se policiais civis, bombeiros e seguranças no campo.
- Eles vão colocar um banheiro em cima do outro no fosso e fazer de escada - avisava Arthur Borges, chefe da segurança do Inter, a caminho do gramado no intervalo.
O incêndio se deu nesse momento. Um dos banheiros químicos ficou preso na grade de proteção. A ele, somaram-se outros. Rapidamente, surgiu a primeira labareda, que em segundos virou o fogaréu capaz de produzir a nuvem negra de fumaça que colocou o Gre-Nal na história pela porta dos fundos.
(Continua no post abaixo) |
Escrito por Ricardo Freire às 06h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
Gre-Nal de uma torcida só |
|
Violência do Beira-Rio reforça idéia de que clássicos tenham presença apenas dos mandantes |
|
GABRIEL CAMARGO |
|
A violência venceu. Está em curso, por conta da barbárie verificada no Beira-Rio ontem, um movimento triste, mas talvez irreversível. A presença da torcida adversária em Gre-Nais está a um passo de acabar. De parte do Inter, está decidido. A direção vai orientar os colorados a não irem ao Olímpico, com ou sem acordo, no próximo clássico, mesmo que isso acarrete prejuízos ao time. (grifo meu)
O último obstáculo dentro do Inter foi contornado. O presidente Fernando Carvalho, por questões até mesmo sentimentais, já que assistia a clássicos na casa do adversário desde criança, era contra os apelos do vice-presidente de patrimônio, Pedro Affatato. Mas se rendeu:
- Se essa for a saída, eu aceito - disse o dirigente, após a demonstração de selvageria dos gremistas.
Affatato já havia alertado outros dirigentes sobre a violência crescente entre as torcidas. Se a do Inter ainda não agiu de forma semelhante à do Grêmio, conselheiros e dirigentes colorados já se preocupam com a radicalização de parcela de sua torcida.
- Nossa preocupação é com a integridade dos torcedores. As coisas estão ficando cada vez mais perigosas - avaliou Affatato.
A solução mais segura passa a ser a realização de Gre-Nais com apenas uma torcida. A idéia já é aceita pelo Ministério Público e aplicada em Santa Catarina.
Os dirigentes gremistas, por sua vez, se mostraram contrários à idéia. Na verdade, tentaram de maneira surpreendente ignorar os fatos:
- Houve uma desavença. Nada demais - afirmou o presidente Túlio Macedo. (grifo meu)
| (Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 06h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
Punição ao Grêmio pode ser de 10 jogos |
|
Depois de assistir ao vivo ao Gre-Nal de ontem, o procurador geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Paulo Schmidt, firmou a convicção de que o Grêmio deve ser rigorosamente punido. Como as confusões foram setorizadas, de acordo com aquilo que ele viu, nascidas no meio da torcida gremista, o prejuízo vai bater forte no clube. Além da multa de R$ 10 mil a R$ 200 mil, o Grêmio deve ter o Estádio Olímpico interditado por um período de um a 10 jogos do Brasileirão.
- As imagens deixaram bem claro quem foi responsável pelos problemas do jogo - disse Schmidt, no início da noite de ontem, logo depois do clássico gaúcho.
Schmidt já tem pronto até o roteiro a cumprir. Hoje mesmo, ele vai solicitar à empresa que trabalha junto ao STJD as imagens do Gre-Nal, com as cenas de brigas, enfrentamento da Brigada, destruição e incêndio dos banheiros químicos. Vai juntar este compacto à súmula do árbitro, ao relatório do observador do jogo e encaminhar a denúncia para julgamento. O rito será rápido.
- Esta semana mesmo ou no início da próxima, a decisão já deverá ser conhecida - anunciou. |
Escrito por Ricardo Freire às 06h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pergunta
Vocês também passaram o domingo inteiro sem conseguir acessar o Google nem o G-mail?
(Minha conexão é pela Globo.com, via Speedy. Não consigo acessar nenhum site do Google -- incluindo Google News e Orkut -- nem do laptop titular, nem do reserva, que ativei só para ver se não era um problema da máquina.)
Atualização -- consegui entrar agora no G-mail com conexão discada usando minha assinatura do Uol. Deve ser um problema ou do Speedy ou da Globo.com, mesmo.
Escrito por Ricardo Freire às 21h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Festival Podiqueste
Posso brincar com meu brinquedinho novo? Obrigado.
Aí vão 10 (!) boletins de que eu particularmente gosto. Sempre lembrando que, quando vão ao ar, eles ganham o acabamento profissa da Paradiso FM – com vinheta de abertura, trilha de fundo e vinheta de encerramento.
O primeiro dos pods precisa de legenda para não-cariocas. Cervantes é o nome de um botequim de Copacabana que serve o sanduíche mais famoso das madrugadas do Rio: o pernil com abacaxi.
O Cervantes da Cidade do México
 
Tacos de rib-eye no El Califa (dica de um leitor aqui do blog cujo nome não consigo encontrar)
Depois desse, vamos fazer um city-tour dos Jetsons em cidades da Europa e dos States.
Um rolê de Segway
Em seguida selecionei seis boletins de uma série de dez que eu fiz sobre marcas que viraram hotéis.
A grife que virou hotel
O relógio que virou hotel
O sapato que virou hotel
O carro que virou hotel
O canal de TV que virou hotel
O jeans que virou hotel
E, para terminar, dois boletins nova-iorquinos.
O pós-albergue-design
Meesh-lung
Escrito por Ricardo Freire às 00h36
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pod-testing
Abri uma conta no podcast1.com.br. Mas não sei se fiz tudo certinho. Subi dois boletins antigos do Viaje na Viagem da Paradiso FM (os números 104 e 105; já estou no 285...). É o áudio bruto, do jeito que sai do meu computador; lá na rádio eles põem abertura, fechamento e música de fundo.
Aqui vão os links diretos para dois podcasts sobre o que Francis Ford Coppola anda inventando entre um filme e outro.
Primeira parte
Segunda parte
Me contem...
Atualização: no meu computador deu certo. Mas eu queria saber como é que se faz para trazer o playerzinho do site de podcast aqui pro blog. Algum dos passageiros versados em programação básica sabe como eu faço?
Escrito por Ricardo Freire às 14h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
“Golazo”
Já tinha ouvido o rumor em Búzios; e ontem, na coluna “Gente Boa” do Globo, saiu a primeira nota quente sobre o assunto: a partir de outubro a Gol vai voar duas vezes por semana de Buenos Aires a Cabo Frio, com escala no Rio.
Espero que haja alguma conexão mais ou menos imediata no Rio para quem venha de São Paulo.
E que os resultados animem a Gol a inventar Cabo Frio como escala de pelo menos um voozinho que tenha São Paulo como origem e destino.
Búzios e São Paulo nasceram um para o outro. Só falta alguém fazer as apresentações necessárias.
Chez Michou, eterno centro de gravidade da Rua das Pedras
Escrito por Ricardo Freire às 10h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Acertou...
... quem falou que a foto aqui embaixo é do Horto Florestal, ao pé da Serra da Cantareira, em São Paulo. Como o Denis entregou, o Horto foi o assunto da última edição do Turista Urbano, a minha coluna no programa Planeta Cidade, da TV Cultura (terças às 21h, reprise domingo às 15h30).

Essas árvores da direita são pinheiros-do-brejo que foram plantados há quase 100 anos por Alfred Loefgren, o naturalista sueco que foi o primeiro diretor do Horto e virou nome de rua bem longe dali, na Vila Clementino. O pinheiro-do-brejo tem raízes que emergem do solo; foram elas que acabaram formando essa ilhotazinha no meio do lago.
Outro detalhe interessante do Horto é que o parque é cortado pelo Trópico de Capricórnio. Eu fui até o ponto em que a linha está demarcada no chão e fiquei lá observando.
É incrível.
De um lado da linha, você vê a São Paulo tropical, verdejante e úmida, com uma estação seca e outra chuvosa.
Do outro lado da linha, você observa a São Paulo subtropical, mais temperada, com uma vegetação menos luxuriante, e as quatro estações do ano bem definidas.
Ou não ;-)
Escrito por Ricardo Freire às 00h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Bye bye jet lag?
Semana passada houve um importante salão aeronáutico em Farnborough, nos arredores de Londres. Os jornais brasileiros informaram o resultado da disputa comercial Airbus x Boeing (a Airbus levou vantagem na feira), mas deixaram escapar aquela que certamente foi a notícia mais interessante do salão: a Boeing está prometendo que seu novo top de linha, o 787 Dreamliner, vai reduzir consideravelmente o jet lag.
Em Farnborough a Boeing apresentou pela primeira vez um protótipo da cabine do novo avião, feita de um revolucionário material não-metálico, reforçado com fibra de carbono. Esse material permite que a cabine suporte uma pressurização significativamente mais alta que a habitual, aumentando o nível de oxigênio, o que reduziria a fadiga dos passageiros.
Mas não é só. As janelas do Dreamliner vão ser muito maiores do que as dos aviões convencionais. E milhares de eletrodos no teto da cabine vão criar um "céu virtual", simulando a luminosidade daquele momento no destino do vôo. Ou seja: ao decolar, os passageiros do Dreamliner já vão começar a se acostumar visualmente com o fuso horário do lugar onde vão desembarcar.
O Dreamliner também promete ser 20% mais econômico. Segundo o Guardian – que é de onde eu tirei todas essas informações – o primeiro comprador confirmado do 787 é uma operadora britânica de pacotes, a First Choice. Um porta-voz da operadora declarou que a economia do Dreamliner vai viabilizar pacotes em lugares exóticos por preço de Mediterrâneo. Palavras do cara: “As pessoas vão continuar querendo ir para a praia, só que a praia vai estar no Brasil, e não na Costa do Sol”.
De repente todos esses novos hotéis do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Bahia não parecem tão elefantes-brancos assim....
Escrito por Ricardo Freire às 07h46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Onde esteve Wally?

Escrito por Ricardo Freire às 07h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
E por falar em bordão
(Ops, eu tinha esquecido de subir o texto! Desculpaê)
Essa placa está ao pé da estátua do Ibrahim Sued em frente ao Copacabana Palace. Eu aaaadooooro a consagração da grafia “Ademã” do bordão suediano.
Quando eu fui editar a foto da placa (não subi a da estátua porque ficou muito ruim; pior do que essa, que já não está boa), me peguei dando risada sobre o que pode pensar um gringo que eventualmente leia a placa.
IBRAHIM SUED, em inglês, é IBRAHIM PROCESSOU.
Meu Deus, quem será esse terrorista muçulmano que processou o Copa?
Escrito por Ricardo Freire às 07h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pós-macrobiótico?
Um dos meus próximos boletins do Viaje na Viagem radiofônico, na Paradiso FM do Rio (97.5):
E a revolução da culinária espanhola não acontece só nos salões do chef Ferran Adriá e de seus discípulos. Se você não quiser pagar caro pra comer comida desconstruída, da próxima vez que você estiver em Barcelona passe no Food Ball, a lanchonete pós-macrobiótica do hotel Casa Camper.
A comida do Food Ball não tem pesticidas, nem adubos industriais, nem nada que seja geneticamente modificado. O cardápio é composto basicamente por bolinhas de arroz (food balls!), que recebem recheios variados (como legumes; alga com tofu; feijão; grão-de-bico; anchovas), são então recobertas por sementes e granolas salgadas, e vêm servidas na sua bandeja acompanhadas por molhos como shoyu com gengibre, coco com curry ou simplesmente azeite de oliva.
Então você leva sua bandeja até a sala seguinte, senta numa arquibancada com almofadinhas, fica assistindo a vídeos relaxantes e come sua bola de comida (food ball!) com a mão.
A sua refeição desconstruída pode ser regada a um suco de fruta ou legume da estação, ou a um café orgânico, ou quem sabe a uma cerveja de cânhamo. (Se você não sabe o que é cânhamo, pergunta pro Fernando Gabeira que ele explica.)
O Food Ball tem lugar pra você estacionar a sua bicicleta ou o seu skate, e tem também uma filial em Berlim. O endereço em Barcelona é Carrer Elisabeth número 9. O site pra você ver que tudo isso que eu falei é verdade é o camper.es; clique em “healthy food”.
Ah, sim. No final tem sempre o meu bordão:
Vai por mim e boas viagens!
Escrito por Ricardo Freire às 08h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Ponto...
pra Dani, que inaugurou os comentários com a resposta certa: Geribá, em Búzios.
Foi a primeira vez que vi uma salva-vidas em ação. Queria poder ter ficado mais um pouquinho para surrupiar alguma foto melhorzinha, mas o tempo urgia – ainda faltavam umas oito praias da península para eu tourear (fazer tour; eu também tenho direito a criar meus neologismozinhos, ora pois).
Qualquer hora dessas publico um cardápio visual das praias de Búzios. Geribá pode ser a mais freqüentada, mas é a menos representativa das praias da península – suas características são de praia de mar aberto, quando o bacana de Búzios (na minha opinião) é a variedade de praias-piscininha.
Em tempo: o Fabio jogou por terra metade das minhas elocubrações sobre a gentileza paulistana. Diz ele que os repórteres do Reader’s Digest que fizeram a pesquisa, ao contrário do que eu supunha, não eram gringos, mas brasileiros (da Seleções). Será???

Azeda, minha prainha favorita em Búzios
Escrito por Ricardo Freire às 08h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
S.O.S. Malibu?

  

Escrito por Ricardo Freire às 09h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Perdido na tradução
Lost in translation era o título original daquele filme da Sofia Coppola com o Bill Murray em Tóquio, que em português se perdeu na tradução e virou “Encontros e Desencontros”.
Tenho me lembrado muito desse filme – ou, pelo menos, do título original. Estou lendo o ótimo “Alho e Safiras”, mais um livro de memórias profissionais da grande Ruth Reichl, centrado em seus anos de crítica de restaurantes do New York Times.
E mais uma vez me pergunto por que as editoras insistem em entregar livros de críticos de gastronomia a tradutores que não têm cultura gastronômica – e que parecem nunca ter pisado num restaurante no Exterior.
Prometo dar uma festa (e convidar você, que agüenta minhas ranzinzices) quando cair na minha mão o primeiro livro de crítica gastronômica que não traduza entrée (prato principal, em inglês) por “entrada”.
(Eu sei, é esquisito. Entrée tem todo jeitão de “entrada”, mas não é. Mesmo em francês, de onde saiu, entrée significa “entrada” apenas no sentido de “porta de entrada”; em cardápios, “entrada” é hors-d’oeuvres.)
Além de chamar prato principal de entrada, a tradutora deste novo livro de Ms. Reichl consegue também chamar appetizer (entrada) de “aperitivo”.
(OK. Appetizer pode ser “aperitivo” também. Mas é muito mais provável que Ms. Reichl use appetizer como sinônimo de starter. Se ela falasse de amendoins ou canapés, eu traduziria como “aperitivo”. Mas... aspargos? É “entrada”, sem dúvida. Se a porção fosse muito pequena, eu traduziria, em bom português, por amuse-bouche...)
Outra coisa que me agride feito um giz arranhando o quadro-negro é o jeito que arranjaram para traduzir sous-chef. Trata-se de uma posição importantíssima – um sous-chef é o primeiro-assistente de um grande chef – que deve boa parte de sua dignidade justamente à manutenção do título em francês. É como foie gras: traduza para “fígado gorduroso”, e lá se vão a pompa, a circunstância e o apetite.
Pois em “Alho e Safiras”, sous-chef está traduzido como “subchef”. Seria até uma tradução aceitável, se a palavrinha não viesse sempre grafada em itálico: subchef. Como se fosse uma palavra estrangeira. Dei uma googlada, e a única língua estrangeira que usa a palavra subchef é o... espanhol.
Não, não vou enumerar todos os problemas não-gastronômicos da tradução que eu encontrei até agora. Tá bom, tá bom. Um só. Nail shop (salão de manicure) saiu como “loja de unhas”.
Pano rápido.
Escrito por Ricardo Freire às 09h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Perdido na tradução (II)
Minha câmera está no conserto. E eu ainda não tenho o reflexo de fotografar com o celular. Por isso, ontem, a caminho de uma gravação no Jardim Botânico paulistano, não pude registrar uma faixa sensacional pendurada pela padaria, confeitaria e pizzaria Amarante, na esquina da Domingos de Moraes com a Luís Goes.
Não contente em anunciar o seu delicioso STRUNDELL, a confeitaria ainda chamava atenção para o seu sensacional PETTY GATOU.
Eu quero!
Escrito por Ricardo Freire às 09h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Beijos e tapas
É difícil eu falar mal do Rio. Talvez porque eu não consiga comparar o Rio com o que a cidade já foi, nem com o que a cidade poderia ser. Quando estou no Rio, eu comparo o Rio com todas as cidades em que eu poderia estar naquele momento. E invariavelmente sinto que não desejaria estar em nenhum outro lugar.
Talvez seja um caso patológico, mas o fato é que, dois pontos, parágrafo:
Nem sempre que eu estou feliz eu estou no Rio; mas sempre que eu estou no Rio eu estou feliz.
Mas há limites até mesmo para paixões cegas como a minha.
Uma coisa que eu não consigo entender é como é que a prefeitura, o Estado, a Riotur, a Embratur, a polícia, os vizinhos, a imprensa e os cidadãos em geral permitem que todas as noites, quase em frente ao hotel Othon, no meio do calçadão da Avenida Atlântica, monte-se um camelódromo infame que é, na minha opinião, a mais feia e molambenta das favelas da Zona Sul – um mar de barraquinhas cobertas com plásticos rasgados e sacos pretos de lixo (à la acampamento do MST).
Se houvesse um poder efetivamente atuante e um mínimo de competência das autoridades turísticas, aquilo ou já teria sido varrido do calçadão, ou teria virado uma feira civilizada, com boxes permanentes e organizados. Se Fortaleza consegue, por que o Rio de Janeiro não conseguiria?
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 20h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Próxima parada da minha indignação: o Corcovado.

Eu entendo que as favelas sejam controladas por traficantes. Eu compreendo que a guerra civil às vezes espirre até os túneis e as linhas expressas. Eu imagino como é difícil, num país injusto como o nosso, lidar com pivetes de rua.
Mas, por mais que eu me esforce, eu não consigo entender como é que a prefeitura, o Estado, a Riotur, a Embratur, a polícia, os vizinhos, a imprensa e os cidadãos em geral deixem que a via de acesso de carro ao Corcovado – em pleno Cosme Velho, no asfalto, num bairro de casas boas e mansões – seja dominada por um bando de delinqüentes vestindo camisetas de guias, que destroem sistematicamente a sinalização e ficam de plantão no lugar onde deveriam estar as placas, avançando sobre os carros dos turistas.
Os delinqüentes com camisetas de guias destroem sistematicamente a sinalização e se postam no lugar das placas? Então prendam-se sistematicamente os delinqüentes com camisetas de guias e poste-se um carro de polícia no lugar indicando o caminho certo.
Ninguém precisa de guia-delinqüente no Corcovado. A única utilidade de um guia-delinqüente no Corcovado é dar as indicações que as placas derrubadas pelos guias-delinqüentes dariam. De todo modo, nada que você não consiga descobrir por conta própria, depois de entrar em duas ruas erradas e desviar de mais guias-delinqüentes que atacam o seu carro no caminho.
O único problema de ignorar a interceptação dos guias-delinqüentes é que, quando a estrada fica mais erma, baixa a paranóia: e se o seu carro ficou marcado para alguma retaliação? (Por via das dúvidas, voltei por Santa Teresa – um caminho que eu tinha evitado na ida justamente por achar perigoso.)
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 20h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Calma, que ainda não acabou. Depois que você finalmente chega à entrada do parque, paga o ingresso (R$ 5 pelo carro, mais R$ 5 por passageiro) e fica aliviado de não ter sido assaltado por não dar carona a um guia-delinqüente, você ainda tem que agüentar o mais absurdo dos achaques.
Ao chegar ao (minúsculo) estacionamento do Cristo, você descobre que lá em cima, no alto do morro, em território cercado e policiado, com uma única via de acesso bloqueada por uma guarita, existem... flanelinhas! Que cobram 5 reais para não arranhar o seu carro! (Sim, porque não pode haver outra função para um flanelinha num lugar desses, a não ser arranhar os carros que não paguem proteção.)
Não é pelo dinheiro – se em vez de flanelinhas o lugar fosse explorado por uma Estapark, o preço seria o dobro ou o triplo. Mas pelo menos sobraria algum ICM e ISS, em vez da caixinha para uma polícia que não é capaz nem de manter umas placas de pé.
Moral da história: vá ao Corcovado, sim, mas de trenzinho. Você vai desembarcar ao pé da estátua, vai andar nas maravilhosas escadas rolantes e no elevador instalados pelo Banco Real, pela Petrobrás e pela Fundação Roberto Marinho, não vai nem perceber que existem guias-delinqüentes e flanelinhas. E vai poder se ocupar apenas em apreciar a vista urbana mais espetacular do planeta.
  



Atualização: o Globo de domingo traz a notícia da morte de um turista paulista exatamente na estrada de acesso ao Corcovado, no sábado, por assaltantes que queriam seqüestrar sua mulher e sua filha. Traz também um box com os casos mais sinistros que aconteceram por ali nos últimos anos. Não são muitos. Mas inclua-se fora dessa. Suba de trem, onde no máximo ocorre um assaltozinho coletivo a cada três ou quatro anos.
Escrito por Ricardo Freire às 20h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Por gentileza
Minha crônica de hoje no Guia do Estadão.
A notícia é velha, eu sei – e provavelmente ninguém mais acredite nela, depois dessa temporada de ônibus incendiados e julgamentos de assassinatos em família. Mas justamente nessas horas é que é bom lembrar que um casal de repórteres do Readers’ Digest esteve por aqui e chegou à conclusão de que São Paulo é a quinta cidade mais gentil do planeta.

Somos vinte milhões de pessoas espremidas no primeiro degrau do pódio da gentileza. Sobe você primeiro. Não, sobe você. Que é isso, sobe você. Tá bom, eu subo primeiro – mas você fica na frente, pra aparecer melhor na foto.
A pesquisa foi científica. Em todas as cidades do mundo onde foi feito o campo, os jornalistas: (a) deixavam cair papéis do bolso para ver se alguém apanhava e devolvia; (b) observavam se as pessoas seguravam as portas para que eles passassem; e (c) registravam quantos “obrigados” recebiam ao longo de um dia.
Não contem para eles, mas eu tenho para mim que boa parte da exagerada gentileza paulistana detectada na pesquisa pode ser creditada ao fato de eles serem gringos. Somos tão desacostumados com turistas – e ainda mais soltos, andando na rua e tudo –, que nos derramamos em atenções. Ficamos tão encantados com eles, que eles provavelmente ficam ainda mais impressionados com a gente. Ei, míster! Seu pêiper! Caiu! Tó. Sênquiú!

A circunstância de os testes terem sido realizados em calçadas e em lojas também deve ter sido decisiva. Isso porque, nesse quesito gentileza, há que se levar em conta a diferença entre o paulistano a pé e o paulistano ao volante. Os dois podem até ser a mesma pessoa, mas sofrem de transtorno bipolar. O paulistano a pé é um doce, permanentemente disposto a ajudar seus semelhantes (ou, pelo menos, todos os seus semelhantes que não sejam pedintes). Já o paulistano ao volante é um bárbaro moderno protegido por uma armadura de insulfilm.
Se as provas de gentileza tivessem sido feitas no asfalto, estaríamos ferrados. Os pesquisadores veriam que os papéis que caem dos carros não vão parar na sarjeta por descuido – são jogados pela janela de propósito, mesmo. Eles constatariam que, quando um motorista paulistano dá passagem a outro, leva uma buzinada de repreensão do carro que está atrás dele na fila. E que “obrigado” é uma palavra que só terá chances no trânsito quando seu uso valer pontos na carteira, como aconteceu com o cinto de segurança.
Ei! Por favor! Quer fazer a gentileza de andar, que o farol abriu? Obrigado!
Escrito por Ricardo Freire às 09h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
E viva a Varig!
Podem me chamar de Poliana, mas eu tenho esperança de que a Varig se
reerga depois da venda (ou seria depois da privatização?). Os novos donos parecem
ser bons de marketing. Esse oferecimento do avião para buscar os brasileiros no
Líbano foi um lance ge-ni-al.
Atualização: já o segundo lance não foi tão
marketeiramente correto assim. Suspender TODOS os vôos até dia 28, com exceção
da Ponte Aérea??? Foi maus.
(Poliana diz: ah, mas tem um lado bom, sim. Pelo menos ninguém mais vai
para o aeroporto naquela incerteza de o vôo decolar ou não. Até o dia 28, todo
mundo com passagem Varig sabe com toda certeza que está na fila de espera do vôo
de alguma outra companhia...)
Atualização II: de um comentarista no site do Panrotas -- "a
Anac tem que explicar ao pessoal da VarigLog a diferença entre passageiro e
carga...". Indeed.
(Poliana comenta: ah, gente, eles vão se mancar que estão errados.
Rapidinho eles consertam tudo, vocês vão ver.)
Escrito por Ricardo Freire às 13h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Serra 2006
Êta quiz facinho, né? Sim, claro, como não, é o Palácio Quitandinha. Uma espécie de Mausoléu do Jogo no Brasil. (E pensar que tem um bingo aqui na frente de casa bagaceirando a vista da minha sacada.)
Da última vez que eu fui a Petrópolis eu devia ter uns 14 anos. Na minha lembrança, a estrada era interminável, com um enjôo a cada curva.
Ou seja – levei praticamente três décadas para descobrir que a viagem do Rio até Petrópolis é ridiculamente curta. De Copacabana ao Quitandinha, cravados, são 58 quilômetros. No verão – com o trânsito do jeito que fica na direção da Barra – Petrópolis deve ficar mais próxima que Guaratiba.
Foi uma visita muuuito rápida. Só simulei o que seria um passeio de um dia de alguém hospedado no Rio. Dormi em Correias, mas não tive tempo de visitar pousadas no dia seguinte, conforme eu tinha planejado (me marcaram um compromisso aqui em São Paulo no meio da tarde).
Confesso que fiquei chocado com a feiúra da estrada passando a cidade, sobretudo no centrinho de Itaipava.
Mas adorei a pousada em que fiquei, a Alcobaça, que parece uma maison d’hôte francesa – uma casa de gente de verdade que recebe hóspedes.
 
Laura Goes, a chef-jardineira-anfitriã, é uma mulher culta e divertida. O lombinho com farofa de couve é dos deuses. E como é que eu não me apaixonaria por um lugar cujo menu chama pudim de custódio e poire belle-hélène de pêra belelé?

Pousada da Alcobaça: panquequinhas no café da manhã
Escrito por Ricardo Freire às 13h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Onde esteve Wally?
  
Escrito por Ricardo Freire às 07h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Ian Schrager de ocasião
Até dois anos atrás, quando me pediam um hotel em Nova York que fosse barato (menos de 200 dólares já caracteriza hotel barato em Nova York) mas com estilo, um dos lugares que eu indicava era o Gramercy Park, um hotel decadentão, divertido e bem-localizado (Lexington com 22, em frente a uma parquezinho fechado – o tal Gramercy Park – com acesso exclusivo aos hóspedes do hotel e moradores da região).
Pois a partir de 8 de agosto o hotel decadentão vai virar um dos endereços mais quentes de Manhattan.
  
Incorporado e repaginado por Ian Schrager (o sujeito que fez a discoteca Studio 54 e inventou Philippe Starck como designer de hotéis), o Gramercy Park vai reabrir, com direito a uma novíssima ala anexa funcionando como condomínio.
A expectativa é enorme, porque além do lugar ser um clássico da cidade, este é o primeiro hotel de Ian Schrager depois de sua separação profissional de Philippe Starck.
A tarifa-balcão dos apartamentos mais simples é de 520 dólares. A dos lofts, 605 dólares. Mas no mês de inauguração (até o iniciozinho de setembro), titio Ian Schrager faz baratinho pra você: os apartamentos menores estão por 250 dólares, e os lofts, por 340.
Faça sua reserva o quanto antes aqui. E se você for, me mande fotos, sim? Porque essas eu roubei do site...
  
Escrito por Ricardo Freire às 19h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Menos é mais?
Uma das minhas bobagens de estimação no Rio de Janeiro era o sinal de “+” que aparecia nos termômetros de rua. Se eu por acaso sofresse uma amnésia súbita e não soubesse onde estava, bastava ver um termômetro de rua informando que a temperatura era “+28º” ou “+35º” para saber que eu estava no Rio. (Se o termômetro informasse “-28º” ou “-35º” eu saberia que estava em Toronto.)
Mas daí, sem ninguém me avisar, tiraram o “+” dos pirulitos.

Quando foi?
Faz muito tempo? (E eu é que não tinha notado? )
Ninguém reclamou?
Não existe nenhuma campanha para voltar o “+”?
Posso começar uma já?
Escrito por Ricardo Freire às 22h39
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pro Alberto
A seqüência mais perfeita, sem contra-indicações, para essa viagem pelas
três capitais da Europa Central é: primeiro Budapeste (a mais exótica), então
Viena (a mais rica) e por fim Praga (a mais encantadora).
A viagem entre Budapeste e Viena pode ser feita de barco, pelo Danúbio.
Mas só entre maio e outubro. Você pode pegar todas as informações nesse site aqui.
Escrito por Ricardo Freire às 22h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pra Thalita
Todos esses destinos mexicanos que você citou são servidos por boas companhias de ônibus; prefira sempre as categorias de “lujo” para cima. (Não se deixe levar pela enganosa categoria “primera clase” – a malfadada viagem que eu fiz de pé entre Puerto Escondido e Acapulco foi de “primera clase”.)
Dois bons sites para pesquisar itinerários, durações de viagem e preços: Different World e Ticketbus.
O Frommer’s online é a melhor fonte de hotéis econômicos seguros. Sempre tem um ou dois na faixa de 50 dólares.
Se você tem espírito aventureiro, pode também tentar os albergues do Hostelworld. Um quarto privativo em albergue fica entre 35 e 45 dólares por noite (dependendo principalmente se tem ou não tem banheiro). Mas a qualidade (e a limpeza) varia muito de um lugar para o outro. Mas como você só paga antecipado a taxa de reserva, se a coisa for muito feia você pode trocar de hotel no segundo dia...
Ah, sim: e as fotos de 13 a 15 de fevereiro não são do México, não. São da ilha de Providenciales, em Turks & Caicos, um arquipelagozinho a uma hora e meia de vôo de Miami.
Escrito por Ricardo Freire às 22h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Saudosa maloca
É oficial: eu sou o único brasileiro que já fez não um, mas dois “favela tours” diferentes – na condição de passageiro, não de guia.
O primeiro foi há cinco anos, com o pessoal da Jeep Tour; escolhi os caras justamente porque usavam jipões com jeitão militar. Naquela época achei que o detalhe do jipão era engraçado.

Desta vez escolhi fazer o passeio com os pioneiros, a Favela Tour. Seu fundador, Marcelo Armstrong, começou a operar o tour em 1992. Hoje ele raramente conduz grupos; outros guias, treinados por ele, levam os passageiros pelas favelas da Rocinha e de Vila Canoas. Ah, sim: numa van branca, sem logotipo. O que está mais de acordo com o momento.

Quando fiz o passeio pela primeira vez, em 2001, a Rocinha era uma favela com um currículo de paz e bom comportamento. De lá pra cá, porém, depois que a polícia matou o chefão do tráfico de lá, a Rocinha volta e meia tem vivido turbulências. O que eu queria ver era se isso tinha mudado de alguma maneira a natureza do tour.
No geral o esquema continua o mesmo. Os passeios aproveitam o fato de a Rocinha ser a única favela cortada por uma rua (a estrada da Gávea, que já estava lá antes da invasão). O roteiro começa pelo alto, na “porta dos fundos” da favela (na Gávea) e termina na porta principal da Rocinha, lá embaixo, no largo do Boiadeiro (à beira da estrada Lagoa-Barra).

Como não poderia deixar de ser, as instruções de segurança são outras. Em vez de “fiquem tranqüilos, a Rocinha é uma favela totalmente pacífica”, agora é “só tem problema quando a polícia faz uma ação na favela. Se a gente ouvir fogos de artifício, a gente cai fora rapidinho. A gente também avisa que ruas não podem ser fotografadas”.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 08h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 
A primeira parada do passeio agora é um Momento Compras. O pessoal da Favela Tour selecionou um grupo de artesãos que vendem pinturas primitivas, bijus e peças feitas com material reciclado, que vendem seus produtos em banquinhas estrategicamente colocadas no ponto em que se tem uma linda vista desimpedida da Lagoa, sem nenhum vestígio de favela no visor da sua câmera.

Comparando os dois passeios, a Favela Tour perde para a Jeep Tour em apenas um quesito: o Momento Mirante. Os passageiros da Jeep Tours sobem na laje de um predinho na parte mais alta da favela, com a melhor vista que pode se ter – o mar de barracos que desemboca nos prédios luxuosos de São Conrado, com o mar da praia do Pepino do fundo. A laje usada pelo pessoal da Favela Tour (essa que está nas fotos) fica num ponto mais baixo, bom para observar a favela em si mas ruim para enquadrar o panorama inteiro.

  
No resto, a Favela Tour leva vantagem em tudo. O texto do guia (no meu caso, da guia) é honesto e articulado. Explica bem explicadinho a origem das favelas. A parte a pé do passeio não é feita na Rocinha, mas numa favela menor, a Vila Canoas – um pouco mais urbanizada, mas ainda mais labiríntica. (Agora que as favelas são de alvenaria fica ainda mais evidente o parentesco entre elas e as citadelas medievais.) E a Favela Tour tem um compromisso social bacana – destina parte dos lucros a uma escola que dá reforço no turno de folga às crianças de Vila Canoas.
  

| | |