Surpresa: Enotel, Porto de Galinhas

 

O resort mais interessante da safra 2006 está sendo inaugurando sem muito alarde em Porto de Galinhas. Por fora, parece um elefante branco – pior: amarelo. Por dentro, porém, é surpreendente. Os ambientes, desenhados pela portuguesa Nini Silva, são starckianos. Eu ia falar (naquele post que estou devendo há um mês) que o Vila Galé Guarajuba era o primeiro resort-design brasileiro, mas depois dessa visita o título só pode ir para o Enotel.

 

Senhores passageiros: como eu posso não gostar de um hotel de 350 apartamentos que, apesar de ter 350 apartamentos, não maltrata a nossa vista com uma única cadeira ou espreguiçadeira de plástico branco? Um resortão sem plástico branco! Emocionei ;-)

 

 

 

A decoração ainda não está completa. Faltam chegar da Alemanha as reproduções gigantes das fotos que o suíço Alma Mollemans fez em vilarejos e mercados pernambucanos, que devem constrastar lindamente com a frieza verde-roxo-marrom reinante.

 

 

 

A piscina é do mesmo Luiz Vieira que fez todas as piscinas bacanas dos resorts de Muro Alto – e com uma frente de praia bem mais ampla do que a dos hotéis de Muro Alto. O ponto da praia, porém, não é bom: a praia do Cupe é perigosíssima para banho. A praia-piscininha mais próxima fica a 30/40 minutos de caminhada, no Pontal do Cupe.

  

 

O hotel vai trabalhar no sistema all-inclusive (tipo Breezes e Iberostar: comida e bebida o dia inteiro, sem assinar nada, sem extras), que mais cedo ou mais tarde todos os resorts vão acabar implantando. Apesar de eu ter gostado, o Enotel não é pra mim: os públicos-alvo são convenções e famílias com filhos (sobretudo pequenos).

 

P.S.: sim, é isso mesmo que você está pensando. Ovos.



Escrito por Ricardo Freire às 23h08
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Peralá: onde foi parar Wally????



Escrito por Ricardo Freire às 23h17
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Sim, Wally estava em Igarassu

Passei no finalzinho do dia 26 – ou seja, na véspera da grande festa de Cosme e Damião, a quem é dedicada a igreja mais antiga não só da cidade, como do Brasil. Por isso talvez o lugar estivesse mais bagunçado do que o normal.

 

O Cosme e Damião da minha infância no Rio (sim, senhores passageiros, morei no Rio entre os 5 e os 7 anos; estudei num jardim de infância na Praia Vermelha, debaixo do Pão do Açúcar, e de lá fui para a Escola Roma, na Praça do Lido, com direito a maresia da praia de Copacabana) tinha a ver com doces. Mas ultimamente tenho ligado Cosme e Damião à Bahia e ao caruru.

 

O engraçado é que a tônica daquela tarde em Itamaracá já tinha sido baiana: na ilhota da Coroa do Avião comi lambreta (que eu não pensava que existisse fora da Bahia) e quase atropelei um bicho-preguiça que atravessava a estrada naquela velocidade devagar-quase-Caymmi.

 

Então eu chego em Igarassu sem ter feito o dever de casa e – pimba: Cosme e Damião na cabeça! Wally achou que tinha alguma coisa aí.



Escrito por Ricardo Freire às 23h17
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Onde esteve Wally?



Escrito por Ricardo Freire às 08h03
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Focinhos

 

 

 

 

 

Projeto Peixe-Boi, ao lado do Forte Orange, em Itamaracá. Os peixes-bois parecem ser uma mistura de foca com golfinho com Shrek. Eles vivem brincando de se revirar dentro d’água. Não dá pra não se apaixonar.



Escrito por Ricardo Freire às 09h35
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Gostei: Dorisol Pipa

Até hoje quem ficava em Pipa precisava escolher: ou ficava num hotel convencional fora da cidade, nas praias do Madeiro (a melhor), de Cacimbinhas ou de Tibau do Sul (mar ou lagoa), ou ficava numa pousada (chique ou simples) na vila. Agora já existe uma alternativa (literalmente) no meio do caminho: o Dorisol Pipa.

 

Eu digo que é no meio do caminho porque fica beeem no iniciozinho da rua principal de Pipa, quase fora da cidade. Mas você não precisa de carro para ir à muvuca – o que é uma grande vantagem na alta temporada, quando é im-pos-sí-vel passar de carro na cidade à noite. É uma pernadinha de 15 minutos. O hotel também não tem saída direta para a praia, porque está numa área de proteção ambiental onde não se podem instalar escadas na falésia. A saída para a praia mais próxima está a 300 metros, na ruazinha principal.

 

 

 

O projeto é interessante – foi construído por noruegueses de bom-gosto para ser um time-sharing, e transformado em hotel de verdade pelos portugas de bom-gosto do grupo Dorisol. As casas da primeira fase do empreendimento (onde eu fiquei) têm salas de estar e cozinhas no térreo que podem ser usadas pelos hóspedes dos quartos do segundo andar. As casas da segunda fase (que inauguram no meio de outubro) têm terraços comuns a todos os apartamentos. Alguns apartamentos têm cozinhas equipadas; outros têm jacuzzi ao lado da cama de casal.

 

 

 

O bacana é que até a véspera de Natal o hotel está com preços de inauguração muuuuito bons. O apartamento standard está a R$ 201, e esse aí, com jacuzzi, a R$ 230 (em janeiro pula para R$ 285 e R$ 315). A piscinona aí da foto está sem espreguiçadeiras porque é da segunda fase, que inaugura agora em duas semanas.



Escrito por Ricardo Freire às 08h58
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Aos fãs de Natal

Você que curte Natal vai gostar de saber que nada parece deter a boomtown do Nordeste. Quando ficar pronta a ponte sobre o rio Potengi, o litoral norte vai ficar a dez minutos da Via Costeira. Do outro lado do rio, em torno das lagoas da região, estão em gestação grandes projetos imobiliários de casas de veraneio de europeus. Se o cartaz em catalão que eu fotografei lá no Serhs estiver certo, Natal está fadada a se tornar a Costa do Sol brasileira.



Escrito por Ricardo Freire às 08h57
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Fotoblog: Praia do Amor, Pipa

Eu não ia ter tempo de dar uma passadinha na manhã seguinte, então fui de tardezinha mesmo, ainda que soubesse que a praia lá embaixo estaria já sob a sombra. Mas vida de guieiro é assim: ter que ver com os próprios olhos se as coisas que ele recomenda continuam do mesmo jeito e no mesmo lugar...



Escrito por Ricardo Freire às 08h57
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Como diria Macunaíma: – Ai, que...

(Na estrada para Vila Velha, em Itamaracá)



Escrito por Ricardo Freire às 08h19
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Tiro ao coco

Durante a ocupação de Pernambuco, os holandeses construíram na Ilha de Itamaracá o Forte Orange. A função principal do forte era defender os invasores da ação agressiva dos coqueiros durante a chamada Guerra dos Cocos (Kokosnoot Krijg).

 

 

Como se sabe, os cocos venceram. E hoje dominam não só Pernambuco, como o Nordeste inteiro.

 

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h05
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Webster

 

Objetividade é tudo.

Arraia = peixe achatado. Bacalhau = peixe.

(Em Pipa)



Escrito por Ricardo Freire às 22h02
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O que aconteceu com o pneu de Wally

 

Uma seqüência de erros bobos. A primeira: deixei o carro a semana inteira sob o sol no estacionamento do aeroporto de Fortaleza e não atinei de calibrar os pneus antes de pegar a estrada. A segunda: esquecer que uma lombada dificilmente vem sozinha. Normalmente vêm em dupla. A terceira: ter demorado preciosos segundos para admitir que não era o asfalto que estava ainda mais desnivelado – era o pneu furado, estúpido. Vê se aprende, Wally.



Escrito por Ricardo Freire às 22h19
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Onde rasgou o pneu de Wally

 

 

 

 

 

 

 

Eu tinha planejado aproveitar a parada técnica em Natal para testar o novo hotelzão da Via Costeira, o Serhs.

 

Vocês sabem que eu não sou muito fã da Via Costeira em Natal. Para mim, aqueles hotéis enormes acabam com a poesia da paisagem árida. É quando – pra mim, gente, pra mim! – a desolação deixa de ser fotogênica e passa a ser só desoladora, mesmo.

 

Mas eu não estava me hospedando no hotel por mim, e sim pelos leitores.

 

Então vamos ao que eu achei.

 

O Serhs não tem pudor nenhum em ser grande. Ele torna a duna insignificante, sem dó. Os ambientes internos não são charmosos. Não que eles não tenham tentado: mas não chegaram lá. Na Via Costeira, o Pestana ainda é o mais, digamos assim, elegante.

 

Um ponto positivo: todos os quartos são de frente para o mar. Alguns são mais de frente do que outros, mas de todos você avista o horizonte no oceano.

 

O grande destaque é a piscina. Porque, mesmo sendo eeeenoooormeeee, a piscina consegue oferecer vários nichozinhos interessantes: o nicho da hidro e do barulho, o nicho do tobogãzinho das crianças, o nicho das espreguiçadeiras dentro d’água – e até o nicho tranqüilo, sem som (onde não tinha ninguém).

 

De todo modo, mesmo tendo chegado outro dia ao Brasil, os catalães ganharam vários pontos comigo: os bares estão equipados para fazer caipiroskas de tangerina, caju, abacaxi, uva e kiwi.

 

Praticamente simpatizei.



Escrito por Ricardo Freire às 22h16
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O verdadeiro acidente de Wally

Como você deve ter acompanhado, reagi com serenidade, bom-humor e fair-play ao pneu rasgado à noite na estrada depois de um dia de cão.

 

Não posso dizer a mesma coisa sobre como reagi à minha conta no hotel Vip, em Ponta Negra, onde passei minha segunda noite em Natal.

 

De manhã cedo, para economizar uma viagem ao cybercafé, pesquisei as informações de que precisava para gravar o programa de rádio do Rio no quarto mesmo, pela internet discada. Conexão local, claro. Como internet discada de PABX é ainda mais lenta do que o normal, demorei 22 minutos para acabar o que precisava fazer (claro que acabei entrando no blog e checando e-mail também).

 

Então fui até o centrinho de Ponta Negra para transmitir os dois programas pela banda larga num çáiber. Fiquei 20 minutos. Paguei dois reais.

 

Ao fechar a conta do hotel, porém, quase tive um enfarte. O tarifador do hotel estava me cobrando QUARENTA E QUATRO REAIS por aqueles 22 minutos de ligação local.

 

Tentei esclarecer com a recepcionista. Disse que aquele número 1700-2222 era o número local do Uol. E que provavelmente era ainda mais barato do que uma ligação para um fixo local.

 

Não houve jeito de convencer nem a recepcionista nem a gerência de que o tarifador estava errado. Me abonaram os 10% da taxa de serviço da conta inteira. Mesmo assim aquela entradinha na internet pela linha local me custou 30 reais.

 

O mais caro de tudo, porém, é perder as estribeiras como eu perco nessas horas. Você não me reconheceria. Eu viro o monstro do lago Ness.

 

Moral da história: internet discada, em hotel, nunca mais. Nunca é justo. Sempre é caro. E quando você pega um hoteleco amador pela frente, dá nisso.



Escrito por Ricardo Freire às 22h08
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A praia da Cicarelli

Quarta-feira à tarde a Época me encomendou um dossiê sobre a praia onde flagraram a Cicarelli fazendo o que todo mundo deveria fazer alguma vez na vida (tô com o Tutty Vasques e não abro).

 

A Caras tinha falado em Cádiz, mas o paparazzo tinha sido mais específico: Tarifa. Mas Tarifa é um lugar, não uma praia. Vasculhei a noite inteira a internet até achar uma referência a uma prainha específica – a Interviú falou em Bolonia. O que fechava com as informações que eu tinha pesquisado: Bolonia era a praia mais descolada de Tarifa.

 

Pronto. Agora você já tem um lugar pra se refrescar na sua próxima viagem à Andaluzia no verão.



Escrito por Ricardo Freire às 09h43
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Costa da Luz (câmera, ação!)

Um texto meu na Época desta semana.

 

Daniela e Tato sabem das coisas: resolveram passar o final do verão europeu no último trecho selvagem do litoral da Espanha, a Costa da Luz. Ali, no gargalo do Atlântico que leva ao Mediterrâneo, os ventos fortes e intermitentes salvaram 100 quilômetros de praias do turismo de massa e da especulação imobiliária que arrasaram com a vizinha Costa do Sol (onde estão balneários mundialmente conhecidos como Marbella e Torremolinos).

 

Os mesmos ventos que repeliram os forasteiros durante tanto tempo, porém, agora são os responsáveis pela chegada de novos descobridores. A Costa da Luz se tornou a capital européia do windsurf e de sua versão mais radical, o kitesurf, que é o esporte náutico do momento. O lugar onde se pratica o esporte da moda se torna automaticamente um lugar da moda – e a Costa da Luz, que era um reduto de ripongos e alternativos, foi parar no mapa de uma tribo de rapazes e moças prontos para velejar de dia e fazer festa à noite.

 

Os ventos mais procurados da costa estão nas praias de Tarifa, uma cidadezinha moura situada no ponto mais meridional da Europa, de onde se avista com facilidade o Marrocos. Entre maio e setembro, o céu da praia de Los Lances é palco de um engarrafamento de velas coloridas dos kitesurfistas. Quem não quer velejar, mas apenas curtir a paisagem, faz como Daniela e Tato: roda 15 quilômetros na direção norte, até a praia de Bolonia.

 

A estrada principal passa longe de Bolonia; os últimos cinco quilômetros são percorridos por uma estradinha tosca. Por estar dentro do Parque Nacional do Estreito, que protege uma grande área de dunas, Bolonia não tem edificações – a não ser as ruínas da cidade romana de Baelo Claudia. Ao pé das ruínas, por sinal, fica o chiringuito (barraca de praia) mais descolado de Bolonia: ultra-rústico e sem sequer ter nome, é o point para tomar mojitos (rum, hortelã, açúcar; complete com água com gás), namorar e assistir ao pôr-do-sol mais bonito da Espanha.

 

Para não perder nada da festa, o ideal é se hospedar no Hotel Hurricane (diárias a partir de 140 euros na alta temporada), em Valdevaqueros (uma das praias centrais de Tarifa), que se autointitula “o primeiro surf hotel do mundo” e tem um bom restaurante de cozinha fusion. Para namorar longe das lentes dos papparazzi, é mais recomendável refugiar-se no El Escondrijo (diárias a partir de 95 euros na alta temporada), um hotelzinho-butique em Vejer de la Frontera, o mais sofisticado dos vilarejos da região.

 

Os aeroportos espanhóis mais próximos de Tarifa são os de Jerez de la Frontera (a 130 km) e Málaga (a 150 km) – mas pode-se também descer em Gibraltar (a 40 km). E não se deve voltar sem fazer uma visita à capital da província, Cádiz (a 98 km), uma cidade fundada há 3.000 anos e que já foi ocupada por fenícios, cartagineses, romanos, visigodos, mouros e franceses. Os brasileiros demoraram, mas parecem ter começado a chegar.



Escrito por Ricardo Freire às 09h42
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333 PORTO

Eu tinha acordado às 5 da manhã para terminar a seleção de fotos para o próximo dos especiais (não consegui terminar). Eu já tinha enfrentado o caos dos sábados de manhã de Cumbica. Eu já tinha feito um vôo com escala e com uma hora de atraso. Eu já não tinha conseguido acabar a seleção de fotos durante o vôo, porque a bateria do laptop acabou antes do trabalho. Eu já tinha pego o carro no estacionamento e rodado 470 quilômetros. Eu já tinha visto a noite cair há duas horas (e dirigir de noite em BRs nordestinas é pavoroso, porque a sinalização do chão é apagadíssima).

 

Foi então que eu ouvi o que me pareceu ser uma pedra espoucando contra o carro. E então o desnível do asfalto pareceu ficar um pouquinho pior. E então fui perdendo velocidade. E então eu vi que o pneu tinha furado. Furado, não: estourado. Tinha virado uma tira. A borracha exalava cheiro de queimado e a roda estava quente. E eu estava no meio do nada – mas a 50 km de Natal.

 

Releia o primeiro parágrafo. Àquela altura do dia, eu merecia trocar pneu no breu? De jeito maneira. Peguei o celular e tasquei um (zero, operadora, onze) 333 PORTO. Até porque havia uma chance de a estrutura ter sido prejudicada e eu precisar de guincho. Entrei no carro, acendi a luz e fui ler a Economist que eu tinha comprado em Cumbica e não tinha dado tempo pra ler no avião. (Eu já tinha feito uma breve pesquisa no google interno e não tinha conseguido me lembrar de nenhum caso de assalto ou assassinato de turistas parados na estrada lendo Economist à noite.) De vez em quando eu ligava o carro para acionar o ar e recarregar a bateria. Uma hora e quinze depois, com a Economist lida, o socorro chegou.

 

Amanhã, quando eu for comprar o pneu novo, eu fotografo os restos mortais do antigo pra você ver.

 

(P.S.: meu Murphy particular é que 90% dos meus contratempos mecânicos acontecem no sábado à tarde, depois que todas as oficinas fecharam. Eu não ia passar duas noites em Natal. Era só uma escala técnica. O Rio Grande do Norte não entra nos especiais que me encomendaram....)



Escrito por Ricardo Freire às 09h42
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Recadinhos

1) Obrigadíssimo a todos os que entraram (e ainda vão entrar) em contato com a Farol Filmes (viagem@farolfilmes.com.br) para participar do piloto do “Viaje na Viagem”. Continuamos procurando quem se disponha a contar como nasceu alguma de suas viagens (pode ser já feita, pode ser por fazer).

 

2) Hotéis baratos – pessoal, até o fim de outubro eu não vou poder fazer nenhuma pesquisa fora das coisas em que já estou metido. O melhor roteiro para achar hotéis baratos é entrar no Trip Advisor, colocar as datas e as cidades e selecionar “até US$ 100”. Então já aparecem os hotéis disponíveis naquelas datas, ranqueados por comentários dos usuários do site. Valeu?



Escrito por Ricardo Freire às 09h42
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Então lá vai

Caramba, não imaginava que o trailer fosse causar tanto frisson. Espero não decepcionar vocês ;-)

Vamolá: negócio seguinte. O Daniel Billio, que dirigiu boa parte das minhas matérias no Planeta Cidade, me propôs, e eu topei no ato, que a gente pensasse numa série de programas chamada... sim, você adivinhou: Viaje na Viagem.

 

Já temos o roteiro do piloto, que vai ser gravado em outubro, quando eu voltar da presente expedição nordestina. O roteiro prevê depoimentos de viajantes a respeito do tema de cada episódio. E o primeiro episódio gravita aí em torno do assunto “como nascem as viagens”.

 

Foi quando o Daniel deu a idéia de a gente usar o blog como central de casting.

 

Então o pedido é esse: se você mora em São Paulo e gostaria de contar como nasceu alguma de suas viagens (já feita ou por fazer), mande um e-mail para viagem@farolfilmes.com.br e pessoal entra em contato com você para agendar a gravação.

 

Posso contar com vocês? Desde já, meu obrigadíssimo ;-)

Escrito por Ricardo Freire às 10h33
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Trailer: Almanaque Viaje na Viagem

Aproveitando (1) uma coincidência de temas – a Viagem & Turismo deste mês publicou uma excelente (e completíssima) matéria da Cindy Wilk com o mesmo título; (2) que eu estou sem tempo de produzir nada específico para o blog e (3) que vai demorar muito para acabar de reescrever o livro, aí vai mais um dos capítulos inéditos, pronto já há uns dois anos, do futuro Almanaque Viaje na Viagem, a sair sei lá quando, por sabe-se lá qual editora.

 

Mas o motivo mesmo para eu publicar é (4) um favor que eu vou pedir pra vocês. Mas só amanhã...



Escrito por Ricardo Freire às 15h21
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Como nascem as viagens

À primeira vista, a coisa funciona como numa corrida de espermatozóides de filme antigo do Woody Allen. Milhões de sementinhas de viagens estão vivas e permanentemente saltitantes, prestes a sair em disparada para ver qual consegue fecundar as suas férias. Cada uma dessas sementes contém uma viagem distinta, de características únicas.  Todas enfrentam um mesmo obstáculo: a incrível lentidão do ciclo de produção de férias. Indivíduos adultos que trabalham, coitados, não têm mais do que 30 dias férteis para viagens durante o ano -- fora um ou outro espasmo em feriadões e fins de semana.

 

As semelhanças param por aí. Ao contrário dos espermatozóides, que gozam (perdão) de uma certa igualdade social, as viagens obedecem a uma hierarquia fortemente estabelecida. As mais poderosas formam uma oligarquia fechadíssima, que acaba determinando as feições das férias de populações inteiras.

 

Algumas delas -- as clássicas: à Europa, às Pirâmides, à Muralha da China, ao Taj Mahal -- são tão antigas, que já vêm impressas no DNA de qualquer candidato a viajante. Outras viagens, de tão repetidas, acabaram incorporadas à cultura específica de povos, tribos e bandos: a migração para o litoral no verão e para a serra no inverno, a lua-de-mel em Veneza (ou em Poços de Caldas), os ritos de iniciação à Disney e a Nova York, o réveillon na praia da hora da Bahia. Existem também as viagens que não são ditadas pelo instinto nem pelo meio ambiente, e sim pelo mercado: de repente desencavam um destino, inventam um pacote, convidam dez jornais e revistas para colocar o lugar no mapa e, quando você percebe, está quase embarcando. Todas essas viagens têm algo em comum -- foram concebidas à sua total revelia.

 

Além delas, ainda existe uma outra categoria, que oferece um infinito de possibilidades: as viagens que nascem inteiramente na sua cabeça. Se bem que... conceber é uma coisa. Dar à luz são outros quinhentos (reais, dólares ou euros -- você decide).

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 15h21
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Olhando sob um ponto de vista prático, toda viagem que consegue efetivamente vir ao mundo é fruto do relacionamento -- passageiro, por definição -- entre Tempo e Dinheiro. Se hoje viajamos menos do que antigamente, é porque que está cada vez mais difícil conciliar a agenda do Tempo (que anda permanentemente ocupado) com a disponibilidade do Dinheiro (que deu para se fazer menos e menos acessível). Às vezes o Tempo fica aí, sobrando, mas quem diz que o Dinheiro comparece? Outras vezes (mais raras, vamos ser sinceros), o Dinheiro está fogoso e cheio de idéias, mas o Tempo diz que está com dor de cabeça e se vira para o lado. Quando acontece de Tempo e Dinheiro se encontrarem dispostos e cheios de amor para dar, então o negócio é caprichar na música, na iluminação e no cardápio, para que dali nasça a melhor viagem que o seu tempo e o seu dinheiro possam encomendar.

Não que tudo precise ser assim tão papai-mamãe. Alguns dos melhores viajantes do mundo -- os mochileiros, os aventureiros e toda a admirável cambada de vagais itinerantes -- costumam ter muito tempo e quase nenhum dinheiro. (Por outro lado, uma ínfima minoria consegue fazer viagens em que a escassez de tempo é compensada pelo excesso de dinheiro. Mas como não é o meu caso e também não deve ser o seu, vamos prender este comentário entre parênteses.) Para nossa felicidade, ueba!, o encontro entre Tempo e Dinheiro só é necessário para deslanchar os procedimentos finais. Uma viagem pode (eu diria: deve) ser gerada muitíssimo antes de você saber quando o seu tempo e o seu dinheiro vão poder sair de férias juntos.

           

Voltemos, pois, às circunstâncias da concepção. Viagens podem ser desejadas ou indesejadas. (Podem ser abortadas, também.) Podem ser arranjadas. Podem ser adotadas, podem ser clonadas ou mesmo roubadas. Podem ser prematuras. Viagens podem até ser gêmeas (junte duas viagens numa só, e você saberá do que estou falando).

 

A viagem mais bonita, mais risonha e mais parecida com você, não há dúvida, é aquela que você concebe num acesso de curiosidade, euforia e rendição que um escritor mais romântico talvez descrevesse como "paixão". Nada se compara àquela viagem que você engravida de uma foto, de um filme, de uma comida, de um pensamento que passou perto. A gestação pode durar meses, anos, décadas -- até você conseguir que Tempo e Dinheiro se encontrem para os finalmentes. Mesmo se demorar uma eternidade, não importa. Pode ser que você não tenha saído do lugar, mas seu pensamento já embarcou.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 15h20
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Uma coisa é você viajar a Paris porque precisa ter o carimbinho da aduana francesa no seu passaporte. Outra coisa é você ir a Paris porque não pode mais viver sem saber o que é atravessar o Sena pelo Pont-Neuf, entrar na fila do sorvete de casquinha na île Saint-Louis ou pedir um expresso no café onde filmaram Amélie Poulain.

Num primeiro momento, as viagens que nascem na sua cabeça têm exatamente esse mérito -- o de dar um significado pessoal a viagens que todo mundo faz. Num estágio mais avançado, as viagens que nascem na sua cabeça acabam levando você a cantos do Brasil e do planeta que não estão no mapa dos outros. Somente as viagens que nascem na sua cabeça podem levar aos Lugares Que Você Não Precisa Conhecer.

 

E quais são os Lugares Que Você Não Precisa Conhecer? São aqueles que não fazem parte das viagens clássicas, nem das viagens que constam do repertório da sua turma, muito menos das viagens que aparecem nos anúncios das agências de viagem nos jornais de domingo. Não, não são os primeiros lugares para onde você viaja. Mas quer saber? Depois que você começa a ir a Lugares Que Você Não Precisa Conhecer, acredite, os Lugares Que Você Precisa Conhecer ficam bem menos interessantes.

 

(No livro continua – com uma lista de 100 lugares que você não precisa conhecer)



Escrito por Ricardo Freire às 15h20
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Livin’ la vida freela

Pessoas normais acordam e se perguntam: “Que dia é hoje?”

Freelancers acordam e se perguntam: “Que deadline é hoje?”



Escrito por Ricardo Freire às 10h55
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Enquanto isso, longe das praias



Escrito por Ricardo Freire às 11h14
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Nas bancas

Esqueci de avisar: saiu no começo do mês o especial México que eu fiz pra Viagem & Turismo. A direção de arte da Rita Palon está linda, e eu ainda pude contar com as colaborações luxuosíssimas da Cindy Wilk, que escreve sobre Playa del Carmen, e da Bettina Monteiro, minha querida professora de edição, que escreve sobre o hotel Las Ventanas al Paraíso, em Los Cabos.

E a Viagem deste mês está im-per-dí-vel, com um dossiê absurdamente completo da Bettina para quem está em dúvida entre resorts ou cruzeiros, mais uma matéria especial da Cindy sobre planejamento de viagem, e uma coleção de matérias utilíssimas sobre destinos na Itália e na França, editada pela Gabriela Aguerre. Acho que é a melhor edição da VT dos últimos tempos.



Escrito por Ricardo Freire às 11h11
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Redonda, CE

As dunas.

 

A falésia. As jangadas.

 

O drive-in de 4x4...

Escrito por Ricardo Freire às 09h15
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Trilha sonora

Deixei o Blogmóvel no aeroporto de Fortaleza e vim passar a semana em São Paulo. Como sou um sem-iPod (e já era um sem-Discman), não pude escutar durante o vôo a canção que ultimamente tenho mais ouvido na estrada. É “Todo se transforma”, do uruguaio Jorge (diga: Rôr-re) Drexler. Quando chega a vez dela no CD, nunca consigo escutar menos do que dez vezes seguidas. Faz tempo que eu queria fazer uma traduçãozinha rápida e tosca da letra, que é superviajandona (e, portanto, tem a ver com o blog;-). Para ouvir a canção, entre no site do Jorge Drexler, clique em “Eco”, depois em “MP3”, depois em “Todo se transforma” – e depois me conte, sim?

Tudo se transforma

(Jorge Drexler)

 

Teu beijo se fez calor

E então o calor, movimento

E então, gota de suor

Que se fez vapor

E, logo, vento

Que num canto de La Rioja

Moveu a haste de um moinho

Enquanto se pisava o vinho

Que tua boca vermelha bebeu

Tua boca vermelha na minha

A taça que gira na minha mão

E enquanto o vinho derramava

Soube que de algum canto distante

De outra galáxia

O amor que me darias

Transformado, voltaria, um dia

Pra te dizer obrigado

 

Cada um dá o que recebe

Logo, recebe o que dá

Nada é tão simples, não tem outra norma

Nada se perde, tudo se transforma

 

O vinho que eu paguei

Com aquele euro italiano

Que tinha estado num vagão

Antes de estar na minha mão

E antes disso em Turim

E antes de Turim, em Prato

Onde fizeram o sapato

Em que eu derramei o vinho

Sapato que em poucas horas

Vou procurar debaixo da cama

Sob as luzes da aurora

Junto a tuas Havaianas

Que compraste aquela vez

Em Salvador da Bahia

Onde a outro deste o amor

Que hoje eu te devolveria

 

Cada um dá o que recebe

Logo, recebe o que dá

Nada é tão simples, não tem outra norma

Nada se perde, tudo se transforma

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h10
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Abaixo a praia da vez

Minha crônica na Época desta semana.

 

No fim de 1998, uma amiga me procurou para dizer que tinha sido convidada para passar o réveillon em Itacaré e pedir minha opinião.

 

Pois bem. Eu tinha acabado de lançar um livro chamado “Viaje na Viagem”, em que eu informava, entre outras coisas, a duração dos vôos entre Phnom Penh e Siem Reap, no Camboja; a melhor época do ano para ir às Maldivas, às Seychelles e à Polinésia; e como planejar sua viagem usando essa novidade das novidades, a internet. Mas... Itacaré? Não, eu não tinha a mais pálida idéia do que fosse, onde ficasse e para que servisse Itacaré.

 

A turma de minha amiga é dessas que sabem dos novos lugares antes de todo mundo. É o ciclo natural dos destinos interessantes: os malucos descobrem; os descolados põem no mapa; os deslumbrados levam a lima-da-pérsia para as caipiroskas. Tempos depois, quando todo mundo souber onde fica esse lugarzinho, muitos dos colonizadores originais terão se desinteressado e debandado para outro esconderijo, iniciando então um novo ciclo.

 

Antigamente esse processo podia levar décadas; hoje, tudo se dá em alguns verões. Em 98, eu, que sabia localizar as ilhas Maldivas no atlas, não imaginava onde pudesse estar Itacaré. Dois anos mais tarde, a baiana Itacaré, 65 km ao norte de Ilhéus, era a praia da vez. Hoje Itacaré já é uma das capitais brasileiras do ecoturismo de massa (sim, isso existe).

 

Quanto mais rápida essa transformação, mais nocivas podem ser as conseqüências. Nenhum vilarejo de praia está preparado para virar da noite para o dia o objeto de desejo de tantos turistas, pousadeiros e operadoras de viagens. Normalmente não há saneamento, nem local para abrigar os imigrantes atraídos pelo crescimento repentino (ou os nativos desalojados pelo mercado imobiliário) e, muitas vezes, nenhuma legislação que impeça o loteamento indiscriminado. Itacaré até que teve sorte. A maior parte de sua costa está sendo usada em hotelaria de luxo de baixa densidade; os ecoturistas de vôos fretados sustentam algumas pousadas simples na baixa temporada; o bolsão de pobreza existe, mas pelo menos está longe dos olhos dos visitantes.

           

Nem todas tem a mesma felicidade. A sucessora de Itacaré no trono de praia da vez, a vizinha Península de Maraú, teve o maior naco de sua praia mais preciosa, Taipus de Fora, loteado em pequenos terrenos como se fazia há vinte anos nos arredores de capitais litorâneas. A dificuldade de acesso não é mais empecilho para a chegada de ninguém: na era do jipão, o que antes era intransitável virou “off-road”; o que era desconfortável virou “ecológico”.

 

Desde aquele dia em que não soube responder à minha amiga, já percorri toda a costa brasileira cinco vezes. Mea-culpa: eu sou um dos que ajudaram a terminar de mapear o nosso litoral e revelar seus últimos segredos. Nas últimas duas passadas, porém, notei uma tendência: a de não haver nenhum movimento para eleger a próxima praia da moda.

 

Ainda bem. Já era tempo de pararmos de escolher qual é o próximo pedaço do litoral a ser invadido em massa. Em vez disso, é preciso valorizar  os lugares que conseguiram administrar seu crescimento ou reverter sua degredação.

 

Está na hora de chamar a atenção para lugares como a bela Canoa Quebrada, no Ceará, que, depois de estar quase favelizada, deu a volta por cima com um competente projeto de reurbanização feito com fundos do Banco Mundial. Canoa é um desses lugares que merecem – precisam – ser redescobertos por um público que não seja aquele que apenas vai, passa o dia e volta.

 

É o momento de mostrar a lugares como Pipa e Porto de Galinhas que existe, sim, um jeito de urbanizar e disciplinar o trânsito sem descaracterizar a personalidade. Basta ver o que foi feito pelo Arraial d’Ajuda, que tem o centrinho mais charmoso entre todos os vilarejos de praia do Brasil, ou a Praia do Forte, onde ainda se vêem nativos morando no centro da vila.

 

Chega de descobrir novas praias. Vamos cuidar das que já temos.

Escrito por Ricardo Freire às 09h06
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Cuidado para não molhar o teclado

 

 

O novo brinquedo do Beach Park de Fortaleza parece ser uma delícia – o Acqua Show, que tem centenas de esguichos automáticos, além de metralhadoras de água e baldes para você dar banho em quem quiser. Eu digo parece porque, de câmera na mão, não dá para chegar muito perto.

 

De cinco em cinco minutos esse baldão gigante apita uma sirene e então dá um banho em quem correr para debaixo dele.

 

Mas o resto do parque não me causou boa impressão não – três brinquedos estavam fechados e a maioria precisa urgentemente de um banho de tinta. (Se você cobra R$ 75 de ingresso para adultos e R$ 65 para crianças, pintar os brinquedos é meio que o mínimo que você pode oferecer, não é não?)



Escrito por Ricardo Freire às 17h34
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Cuma?

Na barraca de praia do Beach Park, em Porto das Dunas, a cerveja de lata custa R$ 4,40. Mais 10%. E mais R$ 3 de couvert artístico (tem uma banda se apresentando ao vivo nos fins de semana).

 

 

Com 10%, sai 4,84. Cinco reais por uma latinha na praia, a poucos quilômetros do distribuidor mais próximo? E depois você reclama dos preços da Praia do Espelho...

Escrito por Ricardo Freire às 17h32
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Caravana Rolidei

Como eu não teria tempo de entrar de praia em praia, resolvi não ir de blogmóvel a Jeri. Como estou sozinho, não fazia sentido cacifar os R$ 450 do traslado em jipão. Como meu tempo é apertado, também não quis ligar de operador em operador para saber se tinha vaga para um. E como eu já deveria ter feito há muito tempo, resolvi testar o busão.

 

A volta a Fortaleza

 

Sendo objetivo: o ônibus é ótimo (fui num de dois andares, voltei nesse aí, de um de um andar só), confortável, com ar condicionado gelado e DVD. O problema é o trajeto. Na baixa temporada não existe o “horário vip”, que faz o percurso em menos de 6 horas. Nos horários não-vips, o ônibus é o mesmo, mas tem muito mais paradas. O ônibus demora uma hora e meia só para sair de Fortaleza – depois do ponto de embarque na Beira-Mar, ainda pára no aeroporto e em duas rodoviárias, uma central e outra na perifa.

 

 Entre o Preá e Jeri, de jardineira

 

O transbordo para a jardineira acontece em Jijoca, mas o calangão sobre rodas volta até o Preá para ir pela praia. (Se o transbordo fosse feito diretamente no Preá, onde o ônibus poderia chegar na boa, economizaríamos meia hora de viagem.) Total: 7 horas e meia para ir, 6h45 para voltar (na volta o ônibus não pára no aeroporto).

 

Chegando a Jeri

 

Mas a R$ 35,50 não dá pra reclamar muito, não.

Escrito por Ricardo Freire às 13h38
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Fotoblog: entardecer em Jeri



Escrito por Ricardo Freire às 09h38
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Belíndia

 

O hotel onde fiquei as últimas três noites em Fortaleza (e para onde voltarei daqui a dois dias) me brindou com a vista para esse edifício da praia de Iracema que sempre achei intrigantíssimo. A arquitetura é linda, mas ele está decrépito, entapumado e invadido. Alguém aí sabe a história? Assim, isolado do contexto, ele me lembra Bombaim.



Escrito por Ricardo Freire às 07h20
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Turismo sexual?

 

Sim, eu perguntei. Vodca, abacaxi, groselha e leite condensado. Vai entender...



Escrito por Ricardo Freire às 07h19
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Pra Lena

Sim, Lena, o atributo geo, topo e relevográfico mais interessante dessa praia de Icapuí é o fato de ser deserta. E calminha. Mas não tem falésia nem duna nem desenho. A paisagem fica impressionante a oeste de Icapuí, à altura de Redonda, e vai ganhando dramaticidade até chegar à Ponta Grossa, que tem uma falésia bordô que é um escândalo. O que eu gostei nessa pousada foi a possibilidade de um pit stop charmoso, confortável e, por que não, demorado, para quem faz esse litoral entre Natal e Fortaleza.



Escrito por Ricardo Freire às 07h18
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O telespectador cri-cri

Eu ainda volto à faculdade para me formar em Meteorologia e me candidatar a editor de “previsão do tempo” nos noticiários. Quando isso acontecer, a primeira coisa que eu vou fazer será proibir que se diga, como acabei de ouvir pela megalionésima vez (agora, no Bom Dia Brasil), que “as temperaturas no sul e no sudeste vão estar bem acima da média para esta época do ano”, como se isso fosse um fato espantoso.

 

No sul eu não sei, mas no sudeste, que é onde se escreve a previsão do tempo, a “temperatura média” do outono e do inverno simplesmente não existe. É uma medida abstrata, não um dado da vida real.

 

No outono e no inverno do sudeste, a “temperatura média” não é média porque ocorra todos os dias; é “temperatura média” porque é uma média matemática entre os dias quentes, às vezes muito quentes, que ocorrem durante as massas de ar seco, e os dias frios, às vezes gelados, que ocorrem durante as frentes frias.

 

Eu sei, eu sei, você não agüenta mais me ler falando nisso. Mas se eu não desabafar eu não consigo pôr o trabalho em dia. Obrigado pelo ouvido e até mais.

Escrito por Ricardo Freire às 08h25
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O superbangalô mais em conta do Brasil

Onde eu não fiquei ontem: pousada Casa do Mar, na praia de Tremembé, em Icapuí (60 km a leste de Canoa Quebrada, quase na divisa com o Rio Grande do Norte). O lugar foi construído, e depois praticamente abandonado, por portugueses. Há menos de dois anos, foi comprado por um kitesurfista belga chamado Joren, em sociedade com a dona do Natural Bistrô de Canoa Quebrada. Fica numa praia deserta, de águas calmas (uma raridade no Ceará) e ventos adequados para esportes de vela.

 

 

 

Mas eu, que não faço esportes de vela, vejo o lugar como uma parada sen-sa-cio-nal para quem está fazendo o circuito Natal-Fortaleza de jipe pela areia ou de carro pela estrada. A paisagem não é tão bonita quanto na Ponta do Mel ou em Galinhos, mas a hospedagem é muito mais charmosa do que na Ponta do Mel (e bem mais confortável do que as de Galinhos). O asfalto vai até a portão da pousada, depois são uns 800 m de areia.

 

Os apartamentos custam R$ 250 com café da manhã (os do térreo são menores, mas você pode pular da varanda direto na piscina). Mas a pechincha é o superbangalô anexo à pousada – uma espécie de mini-Nannai de um bangalô só; um pouquinho mais rústico (não tem ar nem TV), mas com jacuzzi no banheiro, que é o que importa nessas horas ;-).

A R$ 350 a noite, é o apartamento de hotel com piscina privativa mais em conta do litoral brasileiro. Lua de mel, anyone?



Escrito por Ricardo Freire às 09h02
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O Buda e o Bugue

Tentei de todo jeito tirar uma foto do Buda da piscina da pousadinha onde me hospedei em Canoa, a Luna Rosa, sem que aparecesse o bugue por trás dele.

 

 

Mas então desisti. E vi que a foto ficava com um significado religioso muito maior com o bugue aparecendo.

 

 

Veja bem. Em primeiro plano temos o Buda, uma divindade que se manifesta de diversas maneiras em todos os lugares – por exemplo, em revistas de decoração.

 

E atrás do Buda, temos o Bugue, que é uma entidade divina para os cearenses (e potiguares, também).

 

O Bugue é a décima-oitava reencarnação do Jegue. E, da mesma maneira como a vaca é considerada sagrada pelos hindus, o Bugue é venerado pelos cearenses (e potiguares). Por isso pode ficar dessa maneira, atrapalhando a foto do jardim, sem que ninguém se atreva a mexer com ele.



Escrito por Ricardo Freire às 23h28
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Piscina natural à cearense

O mar do Ceará é notoriamente chato para tomar banho: o vento produz umas ondinhas constantes e nervosas, que refrescam mas não são dão vontade de ficar muito tempo. Em muitas praias, porém, quando o mar se retrai na maré baixa, acaba deixando umas piscininhas na areia – e daí o pessoal faz a festa. Eu já tinha visto várias piscininhas no Ceará, mas nenhuma do tamanho da que eu vi na sexta em Canoa Quebrada (talvez porque eu nunca tenha estado em Canoa numa lua cheia ou numa maré tão poderosa quanto esta). Descobri que a piscina tem até nome – a “piscina natural do Estêvão”, porque está localizada logo abaixo da Vila do Estêvão, o primeiro bairro a leste da vila (no litoral do Ceará não tem norte e sul: tem leste e oeste). Mais ou menos em frente a ela fica a barraca mais classuda da praia – a Lazy Days (essa do sofazinho amarelo e das cadeirinhas de madeira com guarda-sóis laranja).



Escrito por Ricardo Freire às 23h28
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Ontem ao luau

Cenas bem do comecinhozinho de um luau na barraca Freedom, em Canoa Quebrada. Lua cheia + feriado = já viu, né? Mas eu não pude ficar pra festa. Tinha que acordar cedo, que o trabalho está atrasado. Quando eu estava subindo a falésia de volta à pousada, a vila inteira estava descendo para o luau.

 

 

 

 

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h42
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Pára, Wally!



Escrito por Ricardo Freire às 22h55
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Madrugador

Hoje de manhã não consegui dormir até tarde, porque no quarto ao lado, tinha um demente que estava acessando uma internet discada que fazia aqueles barulhos que eu nem sabia que existiam mais. E não eram nem seis da manhã! E a linha devia cair muito, porque o sujeito precisou entrar umas cinco vezes seguidas, e nem ao menos se deu conta de que podia desligar o som do maldito laptop.

 

Não, isso não aconteceu comigo. Mas pode ter acontecido com algum vizinho de quarto hoje de manhã no Recife antes de eu sair.

 

(Se Deus quiser, todos eles serão donos de sonos profundos e à prova de internet discada.)



Escrito por Ricardo Freire às 22h50
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Salta uma resposta pra viagem

Rodrigo, pra quem não tem medo e não tá com orçamento apertado, a melhor alternativa de transporte entre Salvador e Morro de São Paulo é, sim, o teco-teco. Em 22 minutos você chega à ilhazinha – sem ferry-boat de Itaparica, nem enjôo em catamarã. Sem falar que a viagem é panorâmica, lindona. Agora: há que se considerar o preço e a logística da coisa. O catamarã sai do centro da cidade, em vários horários durante o dia, em frente ao Mercado Modelo, e custa R$ 50 por perna. O teco-teco sai do aeroporto, a 30 km do centro (conte em gastar de 45 minutos a 1 hora para atravessar a cidade), custa R$ 170 por perna, e fora de temporada funciona mais no esquema de táxi-aéreo (as empresas são a Aerostar e a Addey). Ou seja: pra quem está em Sauípe ou na Praia do Forte, ou está chegando de avião em Salvador, o teco-teco faz todo o sentido. Já para quem está na região central de Salvador, a viagem de teco-teco pode ser tão demorada quanto a de catamarã (o catamarã leva duas horas e fica a quinze minutos do seu hotel na Barra ou em Ondina; o teco-teco leva 25 minutos mas pode ficar a uma hora do seu hotel). De todo modo, eu daria um jeito de estar nas cercanias do aeroporto na hora em que tivesse que ir a Morro...

 

 

(P.S.: para quem está de carro, a melhor opção é deixar o possante em Valença e pegar uma lancha rápida: a viagem dura meia hora, não dá enjôo, e custa R$ 15 por perna. Valença está a 100 km de Salvador, via Itaparica – conte em gastar 1 hora e meia de estrada, mais 50 minutos de ferry boat).



Escrito por Ricardo Freire às 22h49
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Onde vai parar Wally?



Escrito por Ricardo Freire às 05h57
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Forte de São Marcelo

Se eu disser que o Forte de São Marcelo (mais conhecido como Forte do Mar) foi construído para combater a pirataria holandesa, francesa e inglesa na Baía de Todos os Santos, você vem?

 

 

Se eu disser que ele acabou de ser restaurado nos trinques, você vem?

 

 

Se eu disser que existe uma exposição pequena porém bem montadinha sobre a colonização e a defesa de Salvador e do Recôncavo nos tempos coloniais, você vem?

 

 

E se eu disser que do Forte dá pra tirar fotos belíssimas da Cidade Baixa, do Elevador Lacerda e da Cidade Alta, você vem? (Arrá – eu sabia que ia acabar convencendo você.)

 

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 06h42
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Nenhuma maravilha

Minha crônica desta semana na Época, baseada num texto que eu tinha publicado aqui, e provocada por um e-mail de um leitor.

 

Ano passado um suíço teve uma idéia genial para sustentar a sua ONG de conservação de monumentos: abrir uma votação internacional, pela internet, para eleger as novas sete maravilhas do mundo. A eleição é feita no site www.new7wonders.com, e cada endereço de e-mail tem direito a um voto grátis. Para votar mais vezes com o mesmo e-mail, o internauta precisa pagar 2 dólares. Metade da receita da brincadeira vai para um projeto de reconstrução daquele Buda que foi explodido pelos talibãs no Afeganistão.

 

A primeira parte da votação serviu para eleger 21 finalistas. Entre eles, um candidato brasileiro: a estátua do Cristo Redentor, no Rio. Figurar entre as campeãs não vai ser fácil. Na disputa entram desde maravilhas que já estavam de pé na época da primeira lista, como as Pirâmides e a Acrópole, até ícones modernos de imenso apelo popular, como a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel.

 

Semana passada a Embratur resolveu apoiar a candidatura do Cristo, colocando atalhos para a votação no seu site www.braziltour.com e explicando como votar. É uma boa causa. Não que a votação seja realmente séria; afinal, não se trata da Unesco, mas de um suíço que quer juntar dinheiro para reconstruir um Buda afegão. Mas a eleição é divertida, não custa nada e os vencedores podem usar o título em suas campanhas de divulgação – algo que pode fazer diferença para países pouco visitados, como é o caso do Brasil.

 

Mas afinal: o Cristo Redentor merece estar entre as sete maravilhas do mundo moderno? Depende.

 

Se você chegar de táxi e subir ao Corcovado de trenzinho, o Cristo merece, sim, estar entre as novas maravilhas. Depois de uma viagem de meia hora de cremalheira pelo meio da floresta tropical, você chega a uma estação recentemente reformada. Então sobe de elevador e pega uma escada rolante – obras de uma parceria com a iniciativa privada. Quando alcança mirante, fica ao pé do Altíssimo e tem a vista urbana mais deslumbrante do planeta.

 

Se você for com o seu próprio carro, porém, dificilmente você vai querer votar no Cristo. Porque no caminho entre a rua Cosme Velho e o mirante você vai enfrentar toda sorte de delinqüência e descaso. Toda a sinalização para o motorista é sistematicamente derrubada por uma gangue de “guias” que abordam os turistas – perdão: abordam não é a palavra; a sinalização é derrubada uma gangue de “guias” que se atacam os turistas, intrometendo-se na frente dos carros. Caso você consiga se livrar da primeira barreira, vai encontrar mais duas pelo caminho. Caso você pare, vai ser extorquido para levar companhia por um caminho que deveria ser público, e para um monumento cuja explicação está nos folhetinhos turísticos mais básicos.

 

Depois de evitar todas as barreiras – e, com sorte, não atropelar nenhum dos “guias” no processo – uma sensação de insegurança vai se apoderar de você assim que a estrada ficar mais erma. Num momento de paranóia, você pode até, como eu, imaginar que o seu carro vá ficar “marcado” para a volta.

 

O insulto final acontece no pátio de estacionamento do Cristo. Depois de pagar para entrar com o carro, você ainda precisa pagar um flanelinha. Num lugar que tem uma única saída fechada por uma guarita vigiada por guardas armados, pagar para o flanelinha não riscar o seu carro nem furar o pneu é o fim dos tempos.

 

Não me entenda mal: eu não sou desses que pegam no pé do Rio por qualquer coisinha.  Eu não costumo comparar o Rio com o que a cidade já foi, nem com o que a cidade poderia ser. Quando estou no Rio, eu comparo o Rio com todas as cidades em que eu poderia estar naquele momento – e invariavelmente sinto que não desejaria estar em nenhum outro lugar. Mas até alguém patologicamente apaixonado pelo Rio feito eu perde a paciência com coisas como essa.

 

Vote no Cristo. Mas vote também em quem seja capaz de manter gangues longe dos monumentos e a sinalização turística permanentemente de pé.



Escrito por Ricardo Freire às 06h38
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Travelling

Por enquanto vou ficar devendo o relatório de resorts do litoral norte de Salvador.

Mas deixo com vocês alguns contraplanos de Salvador, num gentil oferecimento do catamarã que vai para Morro de São Paulo.

 

O costão de prédios grã-finos do Corredor da Vitória.

 

 

A prainha do Porto da Barra (com o Grande Hotel da Barra à esquerda).

 

 

O Farol da Barra com o edifício Oceânia ao lado.

 

 

Ah, Salvadô...



Escrito por Ricardo Freire às 10h31
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Respuestas

Estou escrevendo as respostas sem ter visto antes o que vocês responderam. (Passei o dia inteiro de ontem sem entrar num çáiber).

 

O primeiro onde é a praia de Aleluia, em Salvador, onde fui conferir se as barracas já estavam todas padronizadas (não, muitas ainda estão em reformas).

 

O segundo onde (muretinha amarela) é a praia de Arembepe, a mais pitoresca da Estrada do Coco, que eu nunca tinha fotografado com essa câmera.

 

O terceiro onde (praia cheia e calçadão)é Guarajuba, uma praia habitada por condomínios 15 km antes da Praia do Forte, que também precisava fotografar.

 

E o quarto onde (a partir da estradinha no meio da duna) é Massarandupió, praia da Linha Verde (35 km pra lá da Praia do Forte) que tem um trecho naturista. Fui conferir se tinha dado em alguma coisa o bafafá que o Grupo Gay da Bahia armou contra a proibição da entrada de homens desacompanhados de mulheres. O resultado é que homens desacompanhados de mulheres agora podem entrar, mas ficam confinados na entrada da praia, do ladinho dessa placa.

 



Escrito por Ricardo Freire às 10h29
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Ondes estevem Wally?

Pista: entre o primeiro onde e o quarto onde são 70 km. E esses ondes foram das 9 e meia às duas da tarde. Às duas e meia eu já estava no Iberostar, de onde só saio amanhã cedinho. Inté.



Escrito por Ricardo Freire às 23h22
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Onde eu não vou dormir hoje

 

Hoje eu não vou dormir no Copacabana Palace, onde vim participar da chiquérrima feijoada de casamento de um casal de amigos queridos (que celebraram ao mesmo tempo o primeiro aniversário de sua filhinha, uma bebê tão esperta que anunciou seu nascimento usando e-mail próprio).

 

Vim num pé, volto no outro. Acordo amanhã às 5. No cardápio de domingo e segunda manhã, o litoral norte de Salvador (e seus novos resorts). A gente se fala.

Escrito por Ricardo Freire às 22h20
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O caminho da insolvência financeira

Tem trilha nova em Itacaré: o grupo que está construindo o hotel Warapuru refez a trilha da praia da Engenhoca.

 

Na primeira parte, muitas árvores estão devidamente identificadas. Foi quando eu descobri que a solução para a falta de dinheiro talvez não esteja na mão dos economistas, e sim dos botânicos.

 

 

Na segunda parte, a trilha sai do mato e vai para o costão. E você tem lindas vistas das praias do Havaizinho e Itacarezinho.

 

 

 

Em menos de 40 minutos eu cheguei à Engenhoca, onde havia três ou quatro surfistas pingados.

 

 

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 07h28
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Mas eu não fui até lá para ver a praia – na verdade, eu queria bisbilhotar as obras do Warapuru e ver se os bangalôs seriam visíveis da areia.

 

Por enquanto, só dois podem ser vistos, um em cada canto da praia.

 

 

 

 

Eu particularmente acho muito esquisita essa coisa de concreto no meio do mato. Mas essa deve ser exatamente a idéia de Anouska Hempel, que criou o Blake’s de Londres e foi contratada pelos portugueses para dar uma grife internacional ao hotel.

 

(São os dois hotéis que vão colocar o Brasil na rota dos bacanas: este Warapuru e o Fasano Vieira Souto desenhado pelo Philippe Starck.)

 

As obras devem durar até o fim do 2007. Depois de aberto, as diárias não devem sair por menos de 700 dólares.

 

Ou seja:

 



Escrito por Ricardo Freire às 07h24
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Para o Filipe

 

 

O que eu acho de Barra Grande e Maraú é que o lugar foi posto no mapa rápido demais. Não se cumpriu, aqui, o ciclo dos destinos bacanas de praia. Nos destinos bacanas de praia, primeiro vêm os malucos, depois os descolados, e só depois que se criou uma base de charme aparecem a indústria do turismo e a especulação imobiliária. Maraú não teve esse tempo de maturação. O resultado é que a ocupação de Barra Grande é muito, muito feia, e a urbanização de Taipus de Fora leva todo o jeito de ir pelo mesmo caminho.

 

O esquisito é que a precariedade da estrada, aqui, não é empecilho para a chegada de ninguém. Isso porque estamos na era do jipão, e passar duas horas e meia chacoalhando na terra e na areia desde Itacaré não é chato nem desagradável – é ecoturismo.

 

Mas as praias são lindas, e a maior parte da península continua deserta e selvagem. E a praia de Taipus, apesar de eu nunca ter encontrado do jeito que ela aparece nas fotos aéreas (verde-transparente-Caribe), é uma delícia de tomar banho (um tancão maravilhoso).

 

Opções, então:

1) Para ficar longe da muvuca – pousada Lagoa do Cassange. Chalezinhos básicos, boa estrutura, entre a praia e a lagoa.

2) Para ficar em Taipus –os quartos mais amplos estão na pousada Taipu de Fora, que fica na extremidade sul da área das piscinas naturais (e, por sinal, fora da muvuca). Querendo piscina convencional na pousada, então escolha entre a Encanto da Lua (pé-na-areia) e a Velas ao Vento (a meia quadra da areia).

3) Para ficar em Barra Grande – a orla norte da cidade, na boca da baía, com água piscininha, tem pousadas bacanas, como a Ponta do Mutá e a Búzios. As duas ficam pertinho de um bar de praia muito legal, o Muvuca. No centrinho, a Pousada dos Tamarindos (a pioneira da região) é superarrumadinha, mas acho que com filhas pequenas é melhor você ficar à beira de um mar calminho.

 

Pronto, falei.

(P.S.: tem outras perguntas respondidas nas caixas de comentários aí de baixo!)



Escrito por Ricardo Freire às 07h12
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Aleluia

De vez em quando acontece algum fato que faz a gente voltar a ter fé na humanidade.

 

Agora, por exemplo, aconteceu uma dessas coisas. Depois de dois ou três anos (que valeram por uns quinze) a Alpargatas voltou a fabricar Havaianas Top azul-marinho.

 

Só não se mando um e-mail agradecendo ou se processo por ter deixado por tanto tempo os nossos pés na mão.

 



Escrito por Ricardo Freire às 06h32
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Aonde eu não fui

De Camamu a Bom Despacho, em Itaparica, onde se pega o ferry-boat a Salvador, são 190 km

 

Anteontem eu não fui a Boipeba, como estava previsto no meu roteiro original. A frente fria chegou um pouco mais cedo do que eu esperava, e depois de me encharcar na lancha que me levou de Barra Grande a Camamu, resolvi que as 24 horas que passaria por lá seriam inúteis debaixo de chuva. Pela mesma razão acabei pulando também o destino seguinte, Morro de São Paulo, e toquei direto para Salvador. Vou deixar para ir a Morro de catamarã, depois que a frente fria passar. Mas Boipeba dançou. Meu objetivo era fotografar uma pousada nova que abriu este verão passado, a Mangabeiras, que fica no alto do morro entre a Boca da Barra e Tassimirim e é a mais confortável da ilha (ar condicionado split, tá pensando o quê?).

 

Mesmo sem ir, eu tenho certeza de que, fora essa nova pousada, Boipeba está igualzinha como eu vi em dezembro do ano passado. E deve continuar assim por muito tempo. Primeiro, porque tem uma associação de moradores muito forte. E depois – e isso talvez seja o mais importante – porque não tem jipão.

Escrito por Ricardo Freire às 06h27
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Vá por mim

Minha crônica no Guia do Estadão desta sexta.

 

Nesse instante em que você me lê eu estou em algum ponto do Sul da Bahia habitado por coqueiros, caipiroskas e cybercafés. Mas não me inveje. Eu é que queria estar no seu lugar agora. Porque você está muito mais próximo do que eu de uma bilheteria do Sesc (qualquer Sesc; as bilheterias funcionam em rede) onde você pode perguntar: “Ainda tem ingresso pro show de Rosa Passos hoje no Sesc Pompéia?”.

 

Estou viajando a trabalho, claro. Porque só os desavisados saem de São Paulo de livre e espontânea vontade quando Rosa Passos está na cidade. É tão raro Rosa se apresentar no Brasil, que uma oportunidade dessas não se perde. Imagine se no Japão, nos Estados Unidos ou na Espanha dá para assistir a Rosa Passos com esse ingresso a preço camarada do Sesc? Nunquinha.

 

É difícil você encontrar algum texto sobre Rosa Passos que não contenha a palavra João acompanhada da palavra Gilberto. A crítica adora dizer, em tom de elogio, que Rosa Passos é a melhor seguidora de João. Nós, os fãs, achamos pouco. Para nós, Rosa é uma aperfeiçoadora de João.

 

Tudo bem que o homem inventou, desconstruiu, revolucionou, dividiu a história da música brasileira em antes e depois dele. Rosa, muito discretamente, pegou tudo isso e não teve receio de injetar sentimento. Rosa Passos canta com volume de bossa nova, divisão de jazz e emoção de MPB. Nenhuma outra cantora é capaz de fazer você se emocionar cantando no volume em que Rosa Passos canta (e faz você se emocionar).

 

Se você não conseguir ir ao show, pelo menos vai poder comprar o CD, que talvez seja o disco de música brasileira mais celebrado dos últimos tempos. Eu, nem isso. Aqui por onde estou não há nem banca de jornal, que dirá loja de CD. Mas tento imaginar como será essa versão tão comentada de Rosa para “Sentado à beira do caminho”, de Roberto e Erasmo. Deve ser a um só tempo contrita e pungente, como só Rosa sabe fazer. O primeiro a elogiar, há três semanas, foi o nosso Daniel Piza. Domingo passado, no Globo, Artur Xexéo escreveu que a versão de Rosa para o clássico do Rei contém “os sete minutos e seis segundos mais bonitos do ano”. Se por acaso eu estivesse aí, eu certamente ajudaria a sustentar sete minutos e seis segundos de aplauso. 

 

Se ainda tiver ingresso, você me avisa? De repente eu descubro um vôo num horário bom saindo de Ilhéus...



Escrito por Ricardo Freire às 06h01
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Viaje na Viagem 2
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